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30/01/2006 - 23:32 Escolha de Sofia
Pasmem. O responsável pelas pranchetas do clube da Cava do Bosque – que, não por coincidência, chefia a comissão técnica do selecionado nacional - resolveu “profissionalizar-se”.
Lula pediu demissão da Secretaria de Esportes da prefeitura, cedendo o lugar ao ex-zagueiro Juninho Fonseca, com passagens marcantes pela Ponte Preta e pelo Corinthians.
“Coloco a secretaria à disposição do prefeito porque minhas atribuições como técnico da seleção brasileira - que incluem viagens constantes por causa do novo calendário internacional - me obrigam a tomar tal decisão”, disse Lula ao jornal Gazeta de Ribeirão em sua edição dominical.
Ah, bom. Está explicado: foi o “novo calendário internacional” que obrigou o treinador a tomar tal atitude.
Nada a ver com a direção da CBB (Confederação Brasileira de Basquete), a mesma que apregoa – sempre em período eleitoral - formar uma comissão técnica permanente para as seleções.
O currículo de Lula, dentro e fora das quadras, é invejável. Professor de educação física com especialização em basquete e pós-graduado em gerência de esportes pela Fundação Getúlio Vargas, o técnico é, há muito, um profissional (e vitorioso) da modalidade.
Ocorre que qualquer trabalho no serviço público – ainda que comissionado - é absolutamente incompatível com uma atividade de ponta no cenário olímpico. Não é preciso ser genial para deduzir que o tempo consumido pelas funções burocráticas na administração de Ribeirão Preto tirou “diferenciais competitivos” (para usar uma expressão típica dos gurus do mercado financeiro) preciosos de Lula na sua atribuição, em tese, mais relevante – sob a ótica nacional, claro.
Na outra ponta, certamente os cidadãos ribeirão-pretanos merecem um secretário mais presente e comprometido com a promoção e o acesso ao esporte.
A cultura do improviso, arraigada no país em quase todos os extratos sócio-econômicos, é, em parte, responsável pelo atraso que contamina o mercado do esporte de alta competitividade brasileiro.
Antes tarde que nunca.
Se Lula teve o bom senso de entregar sua carta de afastamento ao prefeito de Ribeirão no dia 13 de janeiro, o mesmo não se repete no selecionado feminino.
Antonio Carlos Barbosa, outro técnico de trajetória ímpar, acumula a direção da seleção que tentará o pódio no Mundial disputado em território doméstico, no eixo São Paulo-Barueri, com a cadeira titular da Secretaria de Esportes da sua aprazível Bauru.
Até quando?
Não que o planejamento (termo geralmente ignorado no glossário do esporte olímpico) da CBB imponha a necessidade de tal desincompatibilização.
Mas Barbosa daria, deixando o cargo, uma resposta àqueles que ainda esperam um trabalho focado, uma preparação equilibrada na corrida pela medalha no torneio global mais importante do ano.
Não cabe neste espaço discutir se o cerne da questão é o interesse político ou mesmo o fator sobrevivência – que há de ser levado em conta.
O que parece premente é que se defina, o quanto antes, o que é ou não prioritário para o bola-ao-cesto tupiniquim na temporada que ora se inicia. Uma jornada que tem sua largada novamente permeada por incertezas e interrogações.
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