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14/04/2005 - 02:24 Prêmio de consolação
Engana-se quem imagina uma decisão entre Rio de Janeiro e Ribeirão Preto, clubes que brigam pela dianteira do Nacional em curso.
O troféu mais cobiçado (ao menos em tese) do continente vai para as prateleiras do poderoso conglomerado educacional Universo – mantenedor do goiano Ajax e do mineiro Unitri/Uberlândia.
O mais desavisado torcedor pode indagar: estaríamos diante do princípio da retomada da supremacia brazuca na América do Sul?
Outro blefe: a competição organizada pela Consubasquet está hoje relegada à condição de mero caça-níqueis e pouco tem de uma liga na acepção do termo. Virou abrigo do segundo escalão do bola-ao-cesto sul-americano desde que deixou de ser trampolim para o McDonald´s Open, extinto torneio que promovia encontros entre franquias da NBA e clubes do resto do globo.
Entre as aberrações, a fórmula de disputa. O time de Goiás, finalista, entrou em quadra oito vezes – cinco delas em seus domínios. Seu adversário também acumula oito confrontos – apenas três no Triângulo.
No único cotejo com equipes argentinas, o Ajax sucumbiu ante o cambaleante Gimnasia y Esgrima. Nesse quesito, ponto para o Uberlândia, responsável pela eliminação – com relativa folga - de Boca Juniors e Atenas de Córdoba (esse último velho papão de canecos, com três conquistas).
O mais patriota torcedor volta a perguntar ao cético colunista: por que as analogias com os hermanos?
É simples: trata-se da nação que hoje ocupa o topo do ranking da Fiba (ouro olímpico e prata no Mundial). Batê-la, ainda que em um evento de duvidosa expressão, tem seu valor. Mesmo que os clubes platinos em ação no campeonato ancorem basicamente veteranos e promessas da modalidade.
A nata, cá como lá, está em solo europeu ou norte-americano. Portanto, medir forças reais só quando colocarmos na arena Manu, Delfino, Nocioni e Scola diante de Leandrinho, Anderson Varejão, Tiago Splitter e Nenê.
Na inédita decisão doméstica, uma análise superficial permite concluir que Ajax e Uberlândia são esquadrões de perfis antagônicos. Os números do Nacional atestam a assimetria.
O time de Goiás é um desastre no garrafão. Amarga o status de pior reboteiro na competição: último lugar na tábua ofensiva (6,4 por jogo) e no total de rebotes (27,7). Lidera o ranking de violações à regra – 5, em média, por partida.
Regozija-se, entretanto, da condição de mais eficiente roubador de bolas. São 11 recuperações, em média.
O conjunto de Hélio Rubens Garcia detém estatísticas igualmente ambíguas no Nacional: converte mais bolas de dois pontos (51,9 por jogo) e é o menos faltoso (16,7) entre os 16 concorrentes.
Está na rabeira quando o assunto é o total de lances livres batidos (14,8) – o mesmo se aplica à média de recuperações de bola (6).
Matemática de lado, pode-se dizer que os times se equivalem na dependência das performances de duplas: Manteiguinha/Diego pelo Ajax e Valtinho/Estevam pelo Uberlândia.
Se os goianos esbarram na debilidade dos pivôs – o mais alto inscrito na Liga tem 2,04m - os mineiros carecem de cadência ofensiva e equilíbrio na transição de jogo, mas são favoritos, embora a diferença seja ligeira.
Novamente em desvantagem quanto ao mando de jogo (o Ajax volta a ter privilégio de abrir a série final e decidi-la caso chegue ao quinto confronto), o Uberlândia tem um elenco experiente, um banco prodigioso e um técnico estelar - Hélio Rubens é o único brasileiro a saborear o troféu até então, com o bi do Vasco em 99-2000.
Longe de resgatar a credibilidade do basquete tupiniquim perante os rivais portenhos, a nona edição da liga já entrou para a história com a final verde-amarela. Prêmio de consolação para quem já não suporta mais a humilhação dos fiascos do uniforme canarinho no Cone Sul.
Que os batedores de bumbo de plantão não se guiem pela lógica canhestra do baixo clero continental.
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Zona Morta
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))) A Nossa Liga de basquete alardeia a adesão em progressão geométrica de clubes e celebridades do universo feminino. Se depender de marketing, Oscar e Cia. começaram bem. Mas falta esboçar o mapa do tesouro. Ainda sobram dúvidas sobre a viabilidade econômica da empreitada. A tal “barganha” com a CBB também não é digerível.
))) A justa inclusão de Hortência no Hall da Fama desencadeou um festival de palpites entre os “notáveis” do bola-ao-cesto: quem seria o próximo brasileiro na galeria? Oscar? Paula? Falam até em Ary Vidal. Sonhar não custa nada.
))) Barbosa, informa a CBB, ministrará sete clínicas pelo país afora este mês. O roteiro vai do Acre ao Sergipe. Mês pré-eleitoral é assim mesmo. E Bauru, que coisa, perderá seu secretário nesse período.
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