12/10/2005 - 23:55

Pirataria do bem

Um time formado por talentos do quilate de Oscar Schmidt, Paula, Hortência, Janeth e com as credenciais extraquadra de José Medalha causaria alvoroço em qualquer país aficionado pela bola-laranja.

Com este rol de protagonistas o projeto da Liga Independente de clubes saiu do papel e ganhou relevos de realidade explícita na última semana.

A Nossa Liga de Basquete (NLB) nasce com 18 clubes em ação em seu primeiro campeonato masculino – uma amostra significativa do cenário do bola-ao-cesto brazuca, pois reúne representantes de sete estados.

A bola sobe no dia 25, com novidades dentro e fora das quatro linhas.

A despeito do não-reconhecimento dos organismos oficiais, algumas adaptações nas regras-padrão da Fiba e uma fórmula de disputa que mescla ingredientes da NBA e da Itália garantem ao grupo a alcunha de Liga Pirata, como queria o próprio Oscar, idealizador-mor da empreitada.

Uma pirataria do bem, diga-se de passagem, que tomará conta das telinhas da TV paga já em sua temporada debutante.

Mais que uma ofensiva de marketing para polarizar as atenções do fãs da modalidade com o torneio chapa branca, organizado pela CBB, a NLB emerge com o nobre propósito de oxigenar os rumos do esporte, outrora paixão nacional e hoje claudicando para recuperar seu espaço no espectro olímpico tupiniquim.

É um típico fenômeno que, embora pareça desagregador, torna-se vital para lubrificar uma engrenagem corroída por gestões centralizadoras e mal-sucedidas.

Uma divisão que traz efeito aglutinador, com o perdão do trocadilho.

Todas as iniciativas similares no planeta eclodiram em cenários adversos, de racha, de desafio ao establishment. Aos poucos, ganharam densidade e o reconhecimento de público e crítica.

O caminho da autogestão das receitas advindas da competição notadamente é o ponto crucial do embate político que ora se trava.

E os dividendos já são colhidos pelos clubes, tanto os da NLB como os que optaram pelo Nacional da CBB, que passaram a ter ascendência sobre os recursos de cotas de patrocínio, direitos de transmissão e até bilheterias, antes trancafiados a um seleto nicho da cartolagem.

Trata-se da primeira vitória de visibilidade de quem promove verdadeiramente o espetáculo.

Os desafios mais aviltantes agora são garantir subsídios para a difusão da prática do basquete e a promoção de novos valores nos quatro cantos do país.

Por enquanto, essa batalha de bastidores não tem perdedores.

Ao todo, contabilizados os dois campeonatos, estarão em atividade 45 equipes, o que já representa um universo compatível com uma nação com dimensões continentais.

Estará movimentada em partidas e treinamentos de alto nível uma massa de 540 atletas, pelo menos, o que representa um salto na base de praticantes.

Os percalços virão. O ambiente está longe de ser amistoso entre cartolas, treinadores e jogadores. No meio do fogo-cruzado, muitos interesses individuais se sobressairão ante o projeto de “resgate da modalidade”. O fato é que, em meio à poeira que subiu e ante um cenário nebuloso, começa a surgir um horizonte promissor para 2006.

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Zona Morta

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))) Fracassou mais uma tentativa da Fiba de organizar um torneio mundial interclubes para substituir o finado McDonald´s Open. Sob a tutela da Federação Russa, seria realizado este mês em Moscou uma competição que reuniria desde San Antonio Spurs até o campeão asiático, passando por clubes da América, Europa e África. Sem uma definição sobre o custeio do evento, os abandonos foram em cascata. A última desistência foi do Uberlândia, que ficou sabendo às vésperas do embarque que teria de desembolsar US$ 40 mil para viajar à capital russa.

))) Mesmo com o título da Copa América, o Brasil caiu da 13ª para a 14ª posição no ranking masculino da Fiba, divulgado após os Pré-Mundiais. Os alemães, vice-campeões europeus, passaram à frente da seleção brasileira. Isso porque os critérios de pontuação da entidade máxima do basquete mundial valorizam mais a conquista no Velho Continente. Grécia e Espanha, que também se deram bem no recém-encerrado torneio na Sérvia, galgaram postos com as respectivas campanhas. No ranking feminino, as brasileiras ainda ocupam a quarta colocação.

))) Entre os quatro convites que a Fiba tem em mãos para fazer ao Mundial de 2006, há pelo menos duas vagas fechadas nos bastidores: Sérvia e Montenegro e Porto Rico, seleções de história incontestável que derraparam nos respectivos torneios continentais. Os outros dois lugares têm como candidatos Itália, Rússia, Croácia, Turquia, Canadá e Coréia do Sul. As equipes européias têm mais chances, segundo análise da imprensa especializada em Genebra.

 



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