19/09/2005 - 22:19

Prata da casa

Reservas aos berros às margens da quadra, em meio ao gestual tresloucado do treinador ante a desesperada tentativa de colocar no prumo um quinteto sem rumo, sem inspiração.

O retrato da desorientação, do despreparo, da insensibilidade.

Não, não era o cenário de uma decisão de torneio juvenil nos rincões do interior brasileiro, mas, da final da Copa América feminina, competição de maior relevância no continente em um ano que antecede o Mundial doméstico.

Imagens deprimentes de uma noite de domingo.

Não que a derrota frente às valentes cubanas fosse surpreendente. Ao contrário, era previsível.

O que não estava no script desse folhetim que encerrou melancolicamente a intertemporada de três meses do selecionado nacional era a apatia de quem assumira o fracasso antes mesmo de ele se materializar.

O revés contumaz de 29-14 no terceiro quarto, depois de um equilíbrio artificial no primeiro tempo, expôs o desinteresse defensivo e a vulnerabilidade nos garrafões.

O time centro-americano desfilava com imponência até que as comandadas de Antonio Carlos Barbosa fossem alertadas nos cinco minutos finais para o que estava em jogo no duelo.

A partir de então, o espetáculo foi bizarro. O esboço de recuperação final deixou evidente que faltou não qualidade técnica, mas o mínimo de organização tática para que pudéssemos subir ao posto mais alto do pódio.

Que planejamento é um termo há muito abolido do glossário do bola-ao-cesto brazuca não é novidade.

Mas, desta vez, a CBB exagerou. Tratou com desdém uma competição que, embora não tivesse valor aparente (a vaga já estava assegurada), serviria de importante laboratório para a próxima temporada e revigoraria a auto-estima desta geração.

Ao chamar a seqüência de partidas na República Dominicana de “amistosos de luxo”, Barbosa dava a exata dimensão do que viria pela frente.

O período de preparação bateu recorde de instabilidade. Foram montados três times distintos – um para o Sul-Americano, outro para os jogos internacionais e desafios dos patrocinadores e outro para o Torneio das Américas.

Com o panorama desolador, volta de Santo Domingo com a prata no peito e apenas 16 minutos em quadra a gigante Ísis, pivô de 2,02m, cuja presença em atividade era aguardada com ansiedade pela comunidade ligada ao basquete tupiniquim.

Érika e Micaela, talentos reconhecidos internacionalmente, pagaram o preço de liderar um esquadrão sem norte.

Mas não cabem avaliações de performances individuais na recém-encerrada incursão caribenha.

Ficou patente que se desenha um projeto inconsistente para o desafio de 2006.

O Mundial que se avizinha não será, ao que tudo indica, o catalisador de forças esperado para impulsionar a modalidade.

Encerrado este ciclo trimestral de somente dois, mas emblemáticos, insucessos, cada atleta tratará de cuidar da sua subsistência e, quando se reunir novamente, a seleção voltará à carga com as estrelas espalhadas pelos quatro cantos do globo.

Será um devaneio imaginar outro desfecho para esta trama?

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Zona Morta

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))) O Europeu masculino cala os ufanistas que vêem na artilharia dos inhos brasileiros a solução para o nosso basquete num certame mundial. O jogo de altíssimo risco assumido pelos espanhóis diante da ausência da Referência Gasol nos garrafões é capaz de proezas, como os 19 pontos de vantagem sobre os poderosos sérvios na estréia. Mas também propicia vexames como o deste domingo contra Israel. Antes que a claque se empolgue, um selecionado que depende somente da pontaria de Navarro e Calderón, mesmo que apresente espetáculos velozes e de plasticidade inquestionável, terá sua competitividade colocada em xeque dia sim, dia não.

))) Araraquara, do técnico João Marcelo Leite, continua sua trajetória com 100% de aproveitamento no Paulista masculino. A receita está na estatística de pontuação: equilíbrio ofensivo. Mateus (com média de 17 pontos), Edu (com 15) e Dedé (com 14) dividem as atenções das defesas adversárias. O pivô Wiliam também aparece com destaque entre os reboteiros – é o segundo melhor no ranking do campeonato, com média de 10 agarrados por partida. Ele só perde para Ricardo Probst, sempre ele, do Paulistano, com 12 rebotes de média. A alta rotatividade é outra razão do sucesso da equipe da Morada do Sol. Não há nenhum atleta dos líderes da competição na relação dos 20 mais utilizados em quadra nesta primeira fase do Estadual.

 



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