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08/09/2005 - 22:23 Gigantes no ringue
O verdadeiro xadrez das pranchetas coloca uma enorme interrogação em qualquer projeção de performance brasileira na competição marcada para o Japão, em 2006.
O exemplo que mais chama a atenção na fase preparatória para o Europeu de seleções, que dará passaporte a seis equipes, é o que vem sendo testado pela Turquia – que tenta retomar fôlego internacional depois de amargar o nono lugar no último Mundial (culpa de Marcelinho?) e o patético 12º posto no Pré-Olímpico.
O sérvio Bogdan Tanjevic blindou seu garrafão com um quinteto truculento para os instantes mais peremptórios da Efes Cup, encerrada no último sábado.
Escalou Hedo Turkoglu (2,03m e 99kg, do Orlando Magic) na armação, deslocou Kerem Gonlum (2,07m e 102kg, do Ulkersport) para a lateral, pôs Mirsad Turkan (2,05m e 110 kg, do Dynamo Moscou) como ala de força e congestionou a zona pintada com os gigantes Kaya Peker (2,07m e 110kg, do Efes Pilsen) e Mehmet Okur (2,10m e 111kg, do Utah Jazz).
Resultado: 81-56 contra os impávidos italianos na decisão do torneio, façanha celebrada pela fanática platéia de 6 mil espectadores que superlotara o ginásio de Istambul. Não sem razão, afinal o time da casa não batia os rivais vizinhos mediterrâneos havia 31 anos.
Na semifinal, a equipe turca havia batido a Eslovênia, que reúne predicados para ser a sensação do Europeu, por 79-67. Os eslovenos contam com astros do porte de Becirovic, Brezec, Milic, Nachbar, Nesterovic e Udrih.
Tanjevic, experiente treinador, não brinca em serviço. Foi ele o responsável pelo troféu que devolveu ao bola-ao-cesto da Itália a condição de potência global – o título continental de 1999 ante os iugoslavos.
Desta feita, novamente provocou furor na Terra da Bota ao impor tão pertinaz revés aos italianos, deixando a mídia especializada de barbas de molho e temendo até uma eliminação precoce na seletiva para o Mundial.
É notório que a estratégia do técnico sérvio nem sempre prospera – vide a campanha irregular turca nesta etapa de amistosos.
O delírio da Tanjevic, entretanto, é simbólico no que tange ao desenho de jogo que hoje predomina nas nações que digladiam pelo pódio na Europa, certamente candidatíssimas ao ouro no Japão-06.
Também há que se considerar que a opção feita pela comissão técnica brasileira de privilegiar o talento individual (e a pontaria) dos jogadores leves não foi algo natural, mas decorreu de uma série de baixas por contusão – ou boicote, no caso de Nenê Hilário.
Mas não deixa de ser preocupante concluir que o formato tático que conquistou a Copa América para o Brasil é fadado ao fracasso em âmbito global.
A inquietação é maior porque, quando detinha seu elenco completo na fase de preparação, Lula não colocou em prática um sistema de jogo que vinha sendo defendido pelo auxiliar Guerrinha como uma das alternativas para os embates cruciais – o quinteto com Leandrinho, Marcelinho, Varejão como 3, Tiago e Baby.
Essa opção fora abandonada para dar lugar, em diversas vezes, ao esquema com quatro abertos, que imprimia velocidade na transição, defesa amparada na tentativa de desarme no perímetro e resultava na mais absoluta negligência nos rebotes.
A proteção do garrafão foi, de longe, a face mais vulnerável da seleção no Pré-Mundial, o que permitia aos rivais anotarem muitos pontos em segundas chances de ataques.
Insistir neste modelo representa caminhar taticamente na contramão do que se propõe no basquete moderno – quem já sofreu com a dependência exagerada dos pombos de Marcel e Oscar sabe do que estou falando.
Lula e seus auxiliares têm demonstrado coerência no discurso. Dispensam o ufanismo, parecem manter os pés no chão.
Que fiquem distantes da soberba que contagia parte da cartolagem e grudem os olhos na TV para monitorar o que os espera em 2006.
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Zona Morta
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))) Conforme prometido, a ESPN Brasil presenteia seus assinantes com as transmissões exclusivas – e inéditas - do Europeu feminino, disputado na Turquia. As duas primeiras partidas exibidas, de altíssimo nível técnico, mostraram lituanas, russas, espanholas e as donas da casa em ação. Vem mais por aí. Será ainda mais evidente o fosso entre as seleções do Velho Continente e as equipes que se preparam para a Copa América.
))) Araraquara largou com força total em sua trajetória no Paulista masculino. A equipe dirigida por João Marcelo Leite coleciona três vitórias e 100% de aproveitamento até o momento. O clube da Morada do Sol encara a revigorada equipe de Franca, de Hélio Rubens e cia., na próxima terça-feira, dia 13, no primeiro grande clássico da competição. O desafio promete.
))) Uberlândia estréia dia 20 no Sul-Americano de Clubes, que será realizado em Rafaela (Argentina). A equipe mineira debutará no torneio contra o Deportivo San José, do Paraguai. No dia seguinte, volta à quadra para encarar o equatoriano ESPE. Dia 22, o grande embate da primeira fase: os brasileiros desafiarão os anfitriões do Ben Hur. Os dois primeiros colocados do grupo avançam às semifinais. A grande decisão está marcada para dia 24. Na outra chave estão Boca Juniors, Delfines de Miranda (Venezuela), Salto (Uruguai) e Azucareros Del Valle (Colômbia).
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