29/08/2005 - 22:42

Mudança de rota

Passada a turbulência da perda de Varejão, a inexplicável queda ante os norte-americanos e a deprimente performance contra os panamenhos, a seleção brasileira inicia a semana com um novo plano de vôo rumo ao Mundial. O Rebote disseca a trajetória do selecionado verde-amerelo na segunda etapa da Copa América com a avaliação dos rivais no momento crucial da competição no que tange à definição das quatro vagas ao Japão.

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Quinta escala: Uruguai, 30 de agosto, terça-feira, 15h

Com uma campanha irregular na fase classificatória (apenas uma vitória em quatro partidas, contra o México), o selecionado uruguaio tem como principal figura o armador Nicolas Mazzarino, 29 anos, 1,89m, que atua no Cantu, da Itália. Utilizado durante cerca de 36 minutos por duelo, o atleta conseguiu anotar 18.8 pontos, em média. É o cérebro do time.

A segunda estrela oriental é o jovem pivô Esteban Batista, que joga na Espanha e se firma como referência no garrafão. Com 2,08m e 21 anos, ele arrebatou 15 rebotes e 20.8 pontos por partida e permaneceu em quadra por 33 minutos, em média.

Auxiliar de Mazzarino na transição do jogo, o experiente Luis Silveira, 34 anos, é outra peça-chave no esquema do treinador Alberto Espasandin.

Também merecem atenção Martin Osimani, ala de 1,92m, com desempenho atestado na NCAA (9.8 pontos de média) e os laterais de 2m Pablo Daniel Morales e Mauricio Aguiar - este último atleta do Banco di Sardegna (ITA).

Com um sistema tático previsível, o Uruguai torna-se vulnerável ao jogo de velocidade. Opta por valorizar a posse de bola e permite contra-ataques com freqüência. Tem chances remotas de qualificação.

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Sexta escala: Porto Rico, 31 de agosto, quarta-feira, 17h30

Tradicional escola caribenha, Porto Rico, embora desfalcado de alguns de seus astros, é rival perigoso em qualquer circunstância. Mostrou isso na primeira etapa, quando venceu México e Uruguai. Foi superado no último segundo pelos dominicanos e equilibrou o duelo com a Argentina.

Sob o comando de Julio Toro, os portorriquenhos almejam a vaga no Mundial apostando em duas peças fundamentais: o armador Elias Ayuso (19,5 pontos) e o superpivô Peter Ramos, do Washington Wizards, que, do alto dos seus 2,21m pegou 11 rebotes, em média, além de converter 12 pontos por jogo. É auxiliado no garrafão por Sharif Fajardo, de 2,05m e vigor físico invejável.

Figuram como coadjuvantes de peso na equipe Rick Apodaca, Cristian Dalmau e Bobby Hatton – todos eles ágeis dribladores e arremessadores de boa pontaria do perímetro. Desenha-se um compromisso difícil para o Brasil, especialmente pelos fatores emocionais – o rodado time centro-americano certamente se utilizará do expediente de apelar a recursos escusos para desestabilizar o jovem elenco tupiniquim.

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Sétima escala: República Dominicana, 1º de setembro, 22h30

Os anfitriões cumpriram trajetória honrosa na fase preliminar (excetuando o vexatório desempenho ante os argentinos) e avançaram consolidando a condição de favoritos – ao lado do Brasil - ao título.

A mais séria dificuldade dos dominicanos é a baixa rotação de jogadores. O time depende fundamentalmente dos seus cinco titulares e tem poucas peças de reposição confiáveis – a ausência de Felipe Lopez na partida derradeira da fase de classificação evidenciou o problema.

Além do ala, novamente sondado para atuar na NBA, carregam a equipe da República Dominicana o robusto lateral Francisco Garcia, do Sacramento Kings (20 pontos de média), o armador Luis Flores, do Denver (18 pontos), o ala-pivô Jack Michel Martinez, que atua na liga portorriquenha (15 pontos) e o tradicional 5 Josh Asselin, de 2,11m, norte-americano recém-naturalizado que está em ação no basquete espanhol.

Empurrados pela torcida, os dominicanos devem garantir a classificação para o Mundial. Em tese, seriam os principais rivais brasileiros na corrida pelo caneco. A dificuldade de revezamento, entretanto, tem se revelado catastrófica quando aumenta a pressão adversária.

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Oitava escala: Argentina, quinta-feira, 2 de setembro, 17h30

Um conjunto exemplar. Essa é a definição do selecionado argentino, representado por suas estrelas de segunda grandeza no Torneio das Américas. Dos 12 relacionados pelo técnico Sérgio Hernandez, 11 são acionados com absoluta regularidade – a exceção é o pivô Martin Leiva.

Entre as peças mais utilizadas, destaca-se o campeão olímpico Leonardo Gutierrez, que cravou média de 11 pontos por partida na primeira fase, e o armador Paolo Quinteros, do Boca Juniors, responsável pela veloz transição de jogo e anotador de 15 pontos por duelo.

A equipe portenha tem fartas opções no perímetro – Henan Jasen, Frederich Kammerichs e Daniel Farabello são as figuras mais acionadas pelo treinador. Com vaga assegurada no Mundial do Japão, os argentinos expõem fragilidade sob a tabela. Constantemente são obrigados a recorrer ao truculento Roman Gonzalez, que abusa da força física nos matchups sob a cesta.

A cadência imposta à seleção alvi-celeste deve qualificá-la às semifinais, salvo alguma zebra, o que garantirá ao quinto colocado na Copa América o posto na competição máxima do globo.

Depois do revés inaugural contra os eliminados mexicanos, a Argentina recuperou a regularidade e virou ameaça às pretensões brasileiras no torneio.

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Com oito seleções que alternam momentos brilhantes e deprimentes e cinco delas muito parelhas tecnicamente, não é simples arriscar um palpite sobre o resultado da segunda fase. Mantida a lógica, avançarão às semifinais Brasil, Argentina e República Dominicana. Porto Rico e Estados Unidos disputariam a quarta vaga – o que, na prática, garante ao time derrotado nesse embate o passaporte para o Japão.

Venezuela, Uruguai e Panamá são azarões.

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A experiência pós-derrota para os EUA mostrou que Lula Ferreira precisa apostar na formação de Tiago improvisado como 5. Caio Torres e Rafael esbanjaram inépcia em quadra, o que transforma Murilo em única opção segura para o garrafão. A nova configuração do jogo brasileiro, testada com o vôo em curso, o que é mais delicado, pressupõe o investimento no esquema com quatro abertos – Leandrinho, Marcelinho, Alex e Guilherme. E voltaremos a depender da pontaria. Se o giro da bola for eficiente como no duelo com os canadenses, as chances de triunfo são auspiciosas. Mãos calibradas, quem diria, serão as armas de um time que iniciou sua preparação no Rio de Janeiro com a sensação de ter ressuscitado os pivôs como pilares de um novo tempo. Além da ausência de Nenê, as baixas de Ânderson, Baby e Estevam fizeram ruir o plano A. É hora de improvisar de olho no posto mais alto do pódio.

 



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