11/08/2005 - 18:01

Pivô da crise

A Nossa Liga de Basquete anunciou o início de seu campeonato para outubro e listou os clubes inscritos: são 26, representando nove Estados – entre eles Piauí, Pará e Espírito Santo.

No mapa da bola-laranja, trata-se de um desenho alvissareiro de competição, com abrangência invejável e mercados promissores envolvidos.

Descontada a ausência de Ribeirão Preto e dos agregados do grupo Universo, a liga tem os ingredientes para dar sua largada recheada de atrações e disposta a apostar no marketing de seus idealizadores para alavancar público e patrocínio.

No mínimo, oxigenou o cenário nacional, há muito refém de um modelo unilateral cuja fórmula apresenta fissuras em seus pilares.

A esta altura, não chegam a causar pânico as possibilidades de simultaneidade com campeonatos regionais e de realização de torneio paralelo, organizado pela CBB.

A NLB já alcançou a legitimidade necessária para colocar seu bloco na rua. Ponto final.

Se houver alguma convergência no futuro, será indigesta, mas plenamente aceitável ante o cenário que se vislumbrava no Nacional encerrado em junho, que deu o título ao novato Rio de Janeiro.

O caos evidenciado nas intermináveis viagens rodoviárias pelo território brasileiro e na escassez de recursos dos participantes justifica a empreitada de Oscar, ainda que ela careça de formalidades para ganhar status oficial.

Surgem obstáculos impostos até pela Fiba, entidade máxima da modalidade no planeta, conforme revelou a Folha de S. Paulo.

As tentativas dos dirigente da CBB para barrar o projeto da NLB não terminam aqui, é claro. Mas parecem cada vez menos consistentes.

Esse processo tem um personagem central e que, muitas vezes, passa incólume às discussões da cartolagem.

Quem não se lembra do boicote imposto por Gustavo Kuerten à Confederação Brasileira de Tênis por conta de seus desentendimentos com a cúpula da entidade?

Grosso modo, ele custou ao Brasil o rebaixamento à terceira divisão da Copa Davis – principal competição entre nações do globo.

E a rebeldia surtiu efeito, pois os protagonistas do processo estavam em quadra. E, fora delas, representaram o declínio vertiginoso do nível técnico da modalidade, condenada ao fracasso nos embates internacionais.

É aí que entra no cerne do motim em curso no basquete o pivô Nenê Hilário. Por motivos pessoais, políticos ou financeiros, o astro do Denver Nuggets, referencial para a garotada que curte o bola-ao-cesto no país, disse não à CBB. E elencou suas razões.

Sua ausência chegou a ser desdenhada pelo técnico Lula Ferreira em entrevista de gosto duvidoso ao Correio Braziliense, mas tem um peso simbólico sem precedentes.

Ora, Oscar Schmidt brigar com Gerasime Bozikis, o Grego, é uma coisa. Afinal, o Mão Santa já não atira seus torpedos de três pontos em direção ao cesto. Mas Nenê faz falta – e muita - aos nossos garrafões. Talvez não neste Pré-Mundial repleto de rivais combalidos.

Mas no Japão, as chances brasileiras de pódio serão severamente comprometidas se o atleta paulista não vestir a camiseta canarinho.

Neste quadro, torna-se emblemático o papel de Nenê Hilário no processo de transformação do basquete nacional. E o tema não pode passar à margem do debate entre as siglas, CBB, NLB, FPB e congêneres.

A postura do jogador pode lhe custar a pecha da falta de patriotismo, que, aliás, não cabe mais (ao menos nessa proporção) ao desporto profissional.

Corre ainda o risco de inspirar antipatia dos fãs e aficionados.

Depois de muita controvérsia via mídia, as últimas e mais contundentes manifestações do jogador sobre sua recusa em servir o selecionado significam um divisor de águas nessa briga de bastidores que roubou a cena no esporte brazuca.

O desempenho da seleção nos torneios vindouros pode (e deve) salvar, em curto prazo, a cúpula da CBB nessa batalha inglória. Ainda assim, a bandeira erguida por Nenê terá visibilidade e relevância no horizonte. E há de deixar suas lições.

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Zona Morta

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))) Crônica da catástrofe anunciada. Começou mal, pelos relatos de dirigentes da Federação do Rio de Janeiro, a peneira da seleção feminina cadete – aquela que reunirá 47 atletas na fase de preparação para o Sul-Americano da Venezuela. Garotas de faixa etária de 14 a 15 anos teriam sido transportadas com negligência – e sem acompanhamento - para participar da primeira fase do treinamento da CBB no Clube Pinheiros.

))) A seleção feminina adulta passou no primeiro teste de peso da fase de intertemporada capitaneada por Antonio Carlos Barbosa. Nesta terça-feira, as meninas superaram as adversidades dentro e fora de quadra e bateram, após prorrogação, a tradicional seleção chinesa no torneio amistoso de Atenas (Grécia) por 81 a 65. E com 22 pontos de Micaela, destaque da partida.

))) O duelo Brasil e Estados Unidos marcado para domingo em São Paulo merecia o Ibirapuera lotado, mas a CBB optou pelo ginásio do Paulistano para abrigar a peleja. Nada contra a acolhedora arena do clube, mas, com ingressos trocados por alimentos não-perecíveis, qualquer cidadão de bom senso sabe que teremos confusão na certa. Afinal, não é todo dia que a turma de basquetemaníacos da capital pode ver em ação seus ídolos na NBA – especialmente Varejão e Leandrinho, cujos nomes estampam as camisetas dos Cavs e dos Suns. Se o Ibirapuera estiver vetado por qualquer motivo, ainda havia a opção de levar o jogo para o amplo complexo de São Bernardo do Campo.

 



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