04/08/2005 - 13:44

Peneira nacional

A CBB evocou uma iniciativa “inédita e revolucionária” na preparação das seleções femininas de base, definhadas pelos sucessivos fiascos no continente.

No esforço para recuperar a hegemonia sul-americana, convocou 47 jogadoras de 14 a 16 anos para o que convencionou chamar de Desenvolvimento de Talentos com vistas ao campeonato cadete, marcado para setembro na Venezuela.

Qualquer semelhança com a malfadada experiência de Vicente Feola na convocação do escrete canarinho que fracassou na Copa do Mundo de 66, na Inglaterra, não é mera coincidência.

À ocasião, foram chamados 44 atletas para os treinamentos e a triagem dos 22 que iriam à Grã-Bretanha. O resultado é amplamente conhecido: retumbantes reveses e precoce eliminação.

A analogia parece simplista, mas remete ao duvidoso método ora apregoado pelos dirigentes de burilar pedras brutas em verdadeiras peneiras como a que se aproxima.

Segundo o presidente da CBB, Gerasime Bozikis, a estratégia se justificará na Olimpíada de 2012, quando a geração atingirá a média de 21 a 23 anos.

“A CBB nunca fez uma convocação tão ampla. Vários técnicos foram consultados e nosso objetivo é não desperdiçar o surgimento de novos valores”, garante Grego, antevendo um trabalho intenso até o Mundial Sub-19 de 2009.

O mais estranho do planejamento esboçado pela entidade máxima do basquete brazuca é a preparação fatiada, em etapas, sempre realizada no ginásio do Pinheiros, em São Paulo. Na primeira fase, participarão 20 atletas; na segunda, outras 20; e no momento derradeiro estarão sete pré-selecionadas e mais 10 (ou 11, conforme o site oficial da confederação) que obtiverem algum destaque nos estágios preliminares.

O superintendente técnico da entidade, Luiz Antonio Rodrigues, acredita que a fórmula encontrada será eficiente na formação da base que viajará para o desafio venezuelano, onde a equipe verde-amarela tentará destronar as atuais campeãs argentinas.

“A comissão técnica terá uma visão ampla do potencial dessa geração e do trabalho de base realizado pelos clubes”, diz.

A seleção terá dois treinadores (Luiz Cláudio Tarallo e Maria do Carmo Rodrigues) e dois assistentes.

A lista divulgada esta semana contempla 21 clubes, de oito Estados brasileiros.

A distribuição geográfica das convocadas não é tão democrática como parece: são 30 paulistas, oito do Rio, três gaúchas, duas catarinenses e uma representante de Roraima, Maranhão, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

A presença reduzida de promessas fluminenses na relação anunciada pela CBB gerou polêmica pelos lados da Guanabara.

Os critérios de escolha são questionados veementemente pelos comandantes da Federação do Rio – que duvidam de uma observação minuciosa das competições locais.

À margem da discussão sobre os nomes garimpados é possível prever que a iniciativa da CBB tem chances reduzidas de prosperar. Parece mais uma tentativa desesperada de mostrar que a cartolagem não observa inerte os insucessos das seleções de base.

E mais: produz uma sensação de vertigem para os apaixonados pela modalidade. Quando se fala em Projeto 2012 logo vem à memória o Atenas 2004, que serviu de pretexto para alongar o mandato de Grego.

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Zona Morta

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))) O veterano armador norte-americano Marc Brown vai substituir Marcelinho no Rio de Janeiro. O MVP do último Nacional acertou sua transferência para o Uberlândia – a mais significativa transação da intertemporada no país. Dada a relevância do desempenho do jogador na campanha vitoriosa do primeiro semestre, o clube carioca precisa compensar sua ausência em outras posições.

))) O grupo de oposição a Gerasime Bozikis começa a se articular e trabalhar de forma sincronizada, em uma iniciativa que merece crédito. Chamado de G-9 e coordenado pelo candidato derrotado ao comando da entidade Hélio Barbosa, o bloco de dirigentes se reuniu esta semana em Brasília para traçar metas conjuntas de ação.

))) Queda-de-braço no basquete paulista: depois de anunciar parceria com a Ulbra e cogitar a reintegração à série A-1 ainda este ano, o tradicional Mogi desistiu da competição. E colocou a culpa no presidente da FPB, Toni Chakmati, que não teria dado tempo para reestruturação da equipe da Grande São Paulo.

 



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