01/08/2005 - 15:28

Rumo ao tapetão?

O embate entre os dirigentes do basquete brasileiro ganhou na semana que passou um novo e perigoso componente. Deixou definitivamente as quadras e as mesas de negociações para ganhar os tribunais.

Enquanto a CBB e a Nossa Liga afiam as garras para o duelo de campeonatos que as duas entidades prometem organizar para seus clubes filiados, o torcedor vê seriamente ameaçada a vindoura temporada do bola-ao-cesto tupiniquim.

Ao anunciarem a intenção de apelar à Justiça comum para tentar destronar o presidente Gerasime Bozikis, o Grego, da entidade máxima da modalidade no país, os dirigentes da NLB sinalizam que estão dispostos a ir até o fim na empreitada libertária capitaneada por Oscar Schmidt.

Mesmo sob o risco de ser qualificada como golpista, a ofensiva dos oposicionistas de Grego tem forte apelo de marketing – sintoma recorrente na gestação da nova agremiação de clubes.

Ancorado no know-how do advogado Heraldo Panhoca, um dos artífices da Lei Pelé, o recurso contra o presidente da CBB busca fundamentos no Estatuto do Torcedor – que, embora virtuoso, parece ser candidato a letra morta, na terminologia dos juristas.

A alegação tecnicamente parece fazer sentido: o anúncio de que o Nacional masculino terá 18 – e não 16 - equipes no próximo ano seria contrário à legislação, que impede alterações sorrateiras no calendário.

O desrespeito ao estatuto redundaria na deposição de Grego e tornaria nulas as decisões da CBB.

A ameaça de apelo às cortes, todavia, soa como mais um instrumento de intimidação. Dificilmente teria êxito formal, mas pode forçar a Confederação a ceder e aceitar parte dos pleitos da NLB para que se atinja um consenso na organização da próxima temporada – imposição dos patrocinadores para a injeção de capital.

Coincidência ou não, o recado dos dirigentes da Liga Independente foi postado um dia depois de Grego ter delegado a uma comissão de clubes – formada por Ribeirão Preto, Minas, Tijuca, Universo e Pinheiros - a missão de iniciar o planejamento e gerenciamento do próximo campeonato.

O dirigente seduziu alguns dos fundadores da NLB para o contra-ataque. E, certamente, abalou seus alicerces.

Ainda que possua credibilidade pelas personalidades que agregou e pela aparente densidade de seu projeto, a Nossa Liga emitiu um claro sinal de desestabilização ao propalar a guinada para a esfera judicial.

Como resposta à manobra jurídica estudada pela NLB, Grego rapidamente tratou de mostrar as armas de retaliação: enquanto mandava seus assessores desdenharem da provável ação, dizia a órgãos de imprensa da capital federal que o clube local poderia herdar do Rio de Janeiro (comandado por Oscar) a vaga na Liga Sul-Americana de 2006.

Tudo porque as agremiações que participarem do torneio pirata – conforme tem sublinhado o próprio Mão Santa - perderiam o direito de representar o Brasil nas competições continentais.

Logo, o Universo/Brasília, como terceiro colocado no último Nacional, seria agraciado com o posto no certame sul-americano.

As interferências da Justiça comum no espectro desportivo (mesmo no âmbito administrativo) têm demonstrado ineficácia singular. E trazem como conseqüência imediata o risco de um colapso na já definhada estrutura de operação da modalidade.

Qualquer que seja o vencedor desta batalha, o tapetão não é o palco desejado pela comunidade do basquete para dirimir as convulsões que emergem da cartolagem.

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Zona Morta

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))) O Brasil não se classificou para o Mundial Sub-21 masculino, que começa na próxima sexta-feira na Argentina. Mas estará representado na competição que atrairá as atenções dos olheiros de todo o planeta. Só que no apito, que mais uma vez representa o país nos eventos da elite da modalidade. Os árbitros Cristiano Maranho (SC) e Sérgio Pacheco (SP) foram designados pela Fiba para dirigir partidas do campeonato, que terá três juízes em cada jogo com a nova mecânica implantada pela entidade máxima do bola-ao-cesto. A ESPN Brasil anuncia a transmissão.

))) Mogi das Cruzes fechou parceria com a Ulbra e ainda tenta ingressar no Paulista masculino deste ano, do qual fora excluído pela Federação depois do impasse nas negociações do patrocínio. O projeto mogiano é associar-se à universidade gaúcha e manter uma estrutura dupla para disputa dos torneios regionais e nacionais. Daniel Watffy é um dos nomes da comissão técnica. Resta saber se os dirigentes de São Paulo vão reformular a tabela e adequar a forma de disputa para agregar a equipe na competição estadual.

))) A seleção porto-riquenha amargou novas derrotas, desta feita ante os angolanos (73-90) e os argentinos (79-86) e se transformou na única equipe a não vencer sequer uma partida na Copa Borislav Stankovic, disputada na China. Foram cinco derrotas nos cinco confrontos. O desempenho do time centro-americano decepciona até os mais incrédulos analistas a menos de um mês da Copa América, seletiva para o Mundial. Apesar de ainda aguardar os reforços da NBA, a tradicionalíssima camiseta rubro-azul merecia mais respeito de seus dirigentes em um evento de alcance global. A Copa Stankovic foi conquistada pela Lituânia.

 



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