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25/07/2005 - 05:27 Dois pesos, duas medidas
Também chega a ser uma afronta ao cidadão que acompanha a modalidade a análise simplista de quem lidera um grupo como o que acaba de adicionar ao repertório de insucessos nacionais o bronze no torneio continental juvenil masculino.
Que os outrora fregueses argentinos hoje são nossos algozes desde quando os petizes entram em quadra não é novidade. O topo do pódio sul-americano já não é brazuca há cinco anos em quase todas as faixas etárias.
O Mundial Sub-21 que se avizinha é um indicador da sucumbência ao poderio portenho – os nossos rivais sediarão a maior festa da categoria sem que a seleção brasileira nem sequer tenha conseguido uma vaga no certame.
A descida no degrau dos medalhistas, sim, merece novas e extenuantes reflexões. A retórica da comissão técnica que esteve em Barquisimetro (Venezuela) até o último sábado coloca combustível na polêmica.
Para o treinador Marco Antonio Aga, de reconhecida reputação e currículo incontestável, o Brasil, apesar de amargar a terceira colocação no evento, “não está atrás de Argentina e Uruguai”.
“Apesar do terceiro lugar, com certeza Argentina e Uruguai não estão à nossa frente. O Brasil possui uma geração talentosa e de excelente qualidade técnica. Com um pouco mais de treinamento temos todas as condições de conseguir a vaga para o Mundial de 2007”, avaliou assim a performance tupiniquim na competição.
E arriscou uma explicação para as derrotas. “Não disputamos o título porque nos dois jogos decisivos contra Uruguai e Argentina não tivemos um bom aproveitamento nos arremessos”, disse Marco Antonio Aga.
De fato, foi deprimente a estatística brasileira nos duelos-chave. Na emblemática derrota para os uruguaios (57-69), foram 12 lances livres certos em 31 tentados (39% de acerto) e apenas três chutes de três pontos convertidos em 21 arriscados.
Adiante, no precoce embate com a campeã Argentina, que custou a eliminação brasileira, novo (e, este sim, previsível) tombo: 63-67.
Os números corroboram a versão do treinador, mas deixam no ar uma questão: se o aproveitamento é tão medíocre, quem erra?
É deveras cômodo imputar todo o peso do fiasco aos atletas, mas quem disciplina taticamente o grupo e tira (deveria, ao menos) de cada jogador o máximo de cada fundamento está no banco de reservas, com a prancheta na mão.
“Terminamos o Sul-Americano com 56% nos lances-livres e 20% nos arremessos de três pontos”, desculpou-se o treinador ao fim do campeonato, com a medalha de bronze no peito depois de bater os anfitriões venezuelanos por 81-66.
Se o desempenho coletivo do Brasil foi decepcionante, alguns valores escaparam do quadro desenhado por Marco Antonio Aga e garantiram lugar de destaque nos scouts do torneio.
O armador Betinho, 1,93m, do Espéria, por exemplo, foi o cestinha e o melhor arremessador de lances-livres, enquanto o pivô Paulão, 2,07m, do Ribeirão Preto, foi o reboteiro mais tenaz da competição.
Catastrófico no ataque, o Brasil encerrou a disputa com um consolo: foi a melhor defesa, com a média de 54,4 pontos sofridos por partida.
Quando a preocupação central de um corpo dirigente é individualizar as falhas que resultam em um resultado negativo, há motivos de sobra para preocupação quanto ao nada auspicioso futuro das categorias de base brasileiras.
O retrospecto ajuda a explicar o desalento.
Foi o décimo troféu argentino em 18 edições do certame continental. Atletas como Gerbaudo, De los Santos, Uranga, Heit, Sahdi, Morales, Cecchi e Traverso comemoram o segundo triunfo consecutivo – eles formaram a base do time da categoria cadete, vitorioso na disputa regional de 2004.
O elenco dirigido por Guillermo Narvarte consagrou a hegemonia portenha na América Meridional, que se consolida desde 90. De lá para cá foram seis títulos argentinos em oito sul-americanos juvenis. Emergiram nestes selecionados platinos figuras como Marcelo Nicola, Pepe Sanchez, Ruben Wolkowsky, Luis Scola e, mais recentemente, Carlos Delfino.
Desnecessário dizer que as sementes só vingarão se bem cultivadas. Se esperamos uma safra farta, os talentos devem ser lapidados com mais parcimônia e menos prepotência.
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Zona Morta
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))) A Federação Paulista divulgou os 17 clubes que se inscreveram para a Série A-1. A principal ausência da lista é a do Mogi, representado no último Nacional e cuja tradição no torneio é incontestável. Apesar de os dirigentes terem dado publicidade à tabela, a cúpula mogiana ainda aposta em um acordo de patrocínio que resgataria as chances de participação do time. Integram a relação disponibilizada pela entidade somente três equipes da capital (Hebraica, Pinheiros e Paulistano). O calendário tem marcada a primeira rodada para 27 de agosto. O torneio será exibido pela ESPN Brasil.
))) Carlos Renato dos Santos será novamente o árbitro brasileiro na Copa América masculina, programada para a República Dominicana entre 24 de agosto e 4 de setembro. Foram 14 os juízes selecionados para a competição, qualificatória para o Mundial do Japão em 2006. Cada país participante do campeonato terá um representante - os dominicanos, anfitriões, colocarão dois apitadores nas quadras. A Fiba convidou ainda um árbitro cubano (Juan Larrea) e dois europeus para o torneio (o italiano Fábio Fachini e o espanhol Juan Carlos Arteaga).
))) A cidade Argentina de Rafaela, sede do atual campeão portenho Bem-Hur, abrigará o Campeonato Sul-Americano de clubes. O certame reunirá os vencedores das competições nacionais de Brasil, Uruguai, Paraguai, Venezuela e Equador. Os jogos serão disputados no Coliseu do Sul e devem se transformar na principal atração do município, reduto tradicional de basqueteiros no país vizinho. O Rio de Janeiro já confirmou presença, embora a Consubasquet ainda não tenha antecipado as datas do evento.
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