21/07/2005 - 16:51

Apito em debate

Arbitragem é assunto controverso em qualquer modalidade esportiva. Discuti-la é parte do imaginário de atletas, treinadores, dirigentes e torcedores.

No basquete, a condução do jogo é objeto de polêmica especialmente porque se observa um processo gradativo de globalização das regras – fenômeno impulsionado pela crescente expansão do alcance da liga norte-americana, hoje popular nos mais inóspitos rincões do planeta.

Não por acaso, o apito ainda se caracteriza como instrumento indireto de apartheid entre o bola-ao-cesto praticado na NBA e nas competições regidas pela Fiba.

Além dos mecanismos de ordem técnica (expedientes eletrônicos, remuneração vultosa e condições de trabalho em quadra), a leitura dos lances de uma partida é, sobremaneira, díspar no torneio que agrega a elite da bola-laranja mundial.

É notório que a NBA tolera contato físico mais vigoroso e pune com menor rigor os desarmes. Também é nítida a preocupação em preservar o pontuador de garrafão, com a blindagem (delimitada na quadra) oferecida aos atletas na tábua ofensiva.

Entretanto, parte significativa desse fosso estabelecido entre as competições regidas pelas duas entidades decorre das condições de observação das jogadas (e dos lances sem bola) por parte dos responsáveis pela anotação das violações.

Há muito a Fiba tenta implementar como exigência formal a presença de um trio de arbitragem em torneios oficiais, um verdadeiro tabu, dada a necessidade de formação de novos juízes e seus custos operacionais.

A partir deste ano, entretanto, como forma de atenuar esse abismo evidenciado com a NBA, os dirigentes do organismo sediado na Suíça resolveram levar a proposta adiante e disciplinar a mecânica de atuação de três árbitros em suas competições oficiais de abrangência global.

Tal prática já vem sendo monitorada no Mundial sub-19 feminino, em curso na Tunísia, e será colocada em prática também no Mundial sub-21 masculino da Argentina em agosto próximo.

No corpo de supervisores nomeados para acompanhar os resultados da inovação estão quatro apitadores de reconhecido valor: o espanhol Miguel Betancourt, o argentino Alberto Garcia, o polonês Krystow Koralewski e o brasileiro Carlos Affini.

Em âmbito doméstico, o coordenador de arbitragem da CBB, Geraldo Fontana, vem divulgando algumas das diretrizes do novo formato.

Vale reproduzir neste espaço alguns dos quesitos abordados pelo árbitro em seu boletim difundido eletronicamente para todo o país. Na introdução, um comentário de Fontana acerca da necessidade de preservar a técnica do jogo.

“O bom senso é um pré-requisito vital em um bom árbitro. O entendimento claro e profundo, não somente das Regras Oficiais do Basquetebol, mas também do espírito do jogo, é absolutamente essencial. Ao penalizar todas as infrações técnicas que ocorrem, o árbitro só vai provocar a insatisfação nos espectadores, jogadores e técnicos. É preciso penalizar as infrações que têm relevância no jogo. Um bom árbitro contribui para a fluidez da partida tornando o jogo em um espetáculo”, relata.

Segundo Fontana, a adoção do novo modelo de posicionamento dos três árbitros tem vários pontos favoráveis:

))) Um controle mais cuidadoso na área de responsabilidade do árbitro. Os árbitros poderão ocupar melhores posições para ver a jogada;

))) O controle da movimentação dos jogadores poderá favorecer a marcação de faltas fora da jogada. O objetivo é ter um jogo limpo;

))) Uma maior cobertura das jogadas poderá favorecer a redução do número de faltas. Um maior controle das jogadas transmite a idéia de que os árbitros poderão marcar a infração porque estão mais atentos. É mais um árbitro para administrar a partida;

))) A constituição de áreas comuns de responsabilidade com dois árbitros e a presença de um terceiro árbitro para controlar a área onde não está a bola. Isto contribui para observar melhor as jogadas de poste e corta-luz;

))) A possibilidade de dois árbitros observarem uma situação de interferência de trajetória (toque na descendente). A decisão pode ser compartilhada pelos dois árbitros que estão de frente para a tabela; qualquer um dos dois pode marcar a violação. Isto reduz a pressão na tomada de decisão;

))) Uma melhor cobertura nas situações de contra ataque. Com maior facilidade o árbitro seguidor poderá se antecipar ao atacante na conclusão da jogada. Com o auxilio do árbitro central, os dois poderão observar a jogada de ambos os lados (esquerdo e direito) nas situações de contra-ataque com marcação no atacante que finaliza a jogada;

))) O posicionamento em forma de um triângulo favorece muito a visualização nas situações de rebotes. O objetivo é tornar o jogo limpo. Um jogo forte onde a técnica deve ser valorizada;

))) A presença de um terceiro árbitro possibilita um maior controle do banco de reservas das equipes. A comunicação torna-se mais efetiva.

Em um país que já colocou três árbitros em finais olímpicas (Renato Righetto, em Munique-72, Affini, em Seul-88 e Carlos Renato dos Santos, em Atenas-04), o debate acerca dos rumos do apito deve deixar de ser marginal e ocupar o centro das atenções.

O equilíbrio verificado nos certames nacionais expõe a responsabilidade que cabe à arbitragem. E, no momento em que estão em gestação projetos que têm como objetivo revitalizar a modalidade, é preponderante tratar da qualificação e da busca de um conceito de excelência (e padronização de condutas) também no apito.

:::::::

Zona Morta

:::::::

))) Depois da aposentadoria de Vlade Divac, outro astro sérvio-montenegrino define seu futuro: Dejan Bodiroga, responsável direto pelo último caneco mundial da Ex-Iugoslávia em 2004, deixou o Barcelona e assinou com o Virtus Roma para disputar a Liga Italiana novamente sob o comando do guru Svetislav Pesic. O contrato é de dois anos. Bodiroga já atuou no país entre 1992 e 96, defendendo as cores do Stefanel Trieste.

))) A Confederação Sul-Americana baixou para 17 anos a idade máxima dos atletas participantes do torneio continental juvenil em curso na cidade de Barquisimetro, na Venezuela. Segundo o dirigente portenho da entidade, Horacio Muratore, a decisão foi tomada para acompanhar o calendário da Fiba, que prevê Mundiais sub-19 a cada dois anos – a adequação permitiria aos jogadores que participem de todo o ciclo rumo à principal competição do globo.

))) Apesar dos percalços registrados na infra-estrutura e do curto tempo para trabalhos em quadra, o técnico da seleção masculina Lula Ferreira fez um balanço positivo da primeira fase de preparação da equipe no Rio de Janeiro. “Realizamos um trabalho físico para equilibrar o grupo, já que os jogadores vieram de situações diferentes em seus clubes. Na quadra fizemos conceitos de defesa e de ataque para manter o ritmo de treinamento.” O elenco já conta com o reforço de Tiago Splitter e passou a trabalhar em dois períodos esta semana.

 



Voltar ao índice de textos de Fábio Zambeli

 

C O L U N I S T A S



Splitter, Oden, Ray Allen e o trio
da Flórida: o melhor do draft-07




Mesmo chegando até o fim, o
Nacional ainda é uma decepção



Bate-papo com o brasileiro
Jonathan Tavernari, de BYU



Para Ricky Rubio, chegou a hora de
mostrar serviço entre os adultos



Após 47 colunas, um "até logo"
para os leitores do Rebote


P E R S O N A G E M




NENÊ
Denver Nuggets

Clique aqui e saiba mais


 





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Edição e webdesign: Rodrigo Alves