18/07/2005 - 04:57

Linha cruzada

Não está restrita à questão tarifária a disputa travada publicamente entre duas das principais operadoras de telefonia no país.

As gigantes do setor digladiam também pelo lugar mais nobre na vitrine do basquete brasileiro.

Explica-se: Telemar e Embratel aparecem como coadjuvantes no cisma que se avizinha na modalidade.

A primeira, patrocinadora do clube dirigido por Oscar Schmidt, acaba de renovar seu acordo com o atual campeão nacional. Embora os valores não sejam revelados, estima-se que o aporte de recursos tenha sido da ordem R$ 3 milhões por temporada.

Está ainda empenhada em protagonizar boa parte das iniciativas ousadas de marketing previstas para a primeira edição da Nossa Liga, a competição independente que conta com 30 equipes inscritas.

No repertório de ações publicitárias em análise está até a pintura da sua logomarca na bola oficial, idéia defendida pelo dirigente-mor da associação recém-criada.

A segunda, com faturamento anual estimado em R$ 7 bilhões e líder no segmento de chamadas a longa distância no país, manifestou interesse em injetar R$ 5 milhões/ano na competição de clubes oficial, conduzida pela CBB, segundo revelou a Folha de S. Paulo.

O apoio da empresa era o trunfo do presidente da entidade, Gerasime Bozikis, o Grego, na queda-de-braço com a liga paralela.

O risco da realização de dois torneios nacionais distintos, entretanto, parece ter afugentado a companhia telefônica. Seus controladores esperam um consenso entre os cartolas para dar sinal verde ao investimento.

Fora das quadras, as duas operadoras travam extenuante batalha publicitária turbinada nos últimos dias com a suposta rejeição anunciada por uma delas em colocar em prática o reajuste de preços autorizado pela Anatel – a rival torrou alguns milhões em propaganda no fim de semana para tentar provar que se trata de uma tentativa de ludibriar o usuário.

Na esfera esportiva, a disputa, ainda velada, ganha forma na proporção em que se aproxima o momento de definição do cenário para a temporada 2005-06.

O mais recente capítulo que envolve o calendário basquetebolístico tupiniquim foi o reconhecimento por parte do Ministério do Esporte da existência jurídica da Nossa Liga.

Documento subscrito pelo secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento, André Almeida da Cunha Arantes, parabenizando a NLB pela sua fundação e o aval dado pela Receita Federal foi a senha para os idealizadores da empreitada festejarem vitória.

Ao mesmo tempo, a mesma liga anuncia o primeiro certame feminino, com a presença de nove equipes, sendo sete paulistas - e o desfalque confirmado do atual detentor dos títulos nacional e estadual, Ourinhos.

Outras baixas da liga, agora no torneio masculino, são as de Ribeirão Preto e dos times mantidos pelo grupo Universo (Ajax, Uberlândia e Brasília).

Simultaneamente, Grego se movimenta nos bastidores para minar o campeonato preparado por Oscar e anunciar um torneio com a chancela dos organismos oficiais subordinados à Fiba.

A rumorosa contenda ganhou a mídia. A estratégia dos mentores da NLB é dar visibilidade à empreitada independente – tal qual ocorrera com Gustavo Kuerten no episódio de sua ruptura com a Confederação Brasileira de Tênis.

Nessa briga, além de Oscar, que trabalha incessantemente para ganhar espaço nos mais inusitados programas de TV, Paula e Hortência assumiram a dianteira da ofensiva.

Na última semana, bateram ponto em atrações das mais insólitas para as esportistas, como o Mais Você, de Ana Maria Braga.

E é no cerne dessa aposta que entram as telefônicas, imersas em um mercado excessivamente competitivo e cujo patrimônio mais valioso é a marca.

Alheias ao imbróglio da cartolagem, querem expor seus produtos e aquinhoar uma fatia dos dividendos de um eventual sucesso de público e de repercussão do campeonato nacional de clubes.

Depois de amargar um longo inverno quanto ao suporte financeiro para sua viabilização, o basquete já contabiliza os primeiros frutos do motim que se verifica no seu comando extra-quadra.

As cifras milionárias que rondam as negociações em curso são indicadores alvissareiros para a modalidade. Espera-se que não venham para dividir, mas para unificar os esforços a fim de devolver a auto-estima ao bola-ao-cesto verde-amarelo.

Nunca é demais lembrar que, se traz alento aos organizadores, o segmento de telefonia também está na dianteira de outro ranking, bem menos honroso: o de reclamações nos organismos de defesa do consumidor. E é certo que o torcedor apaixonado pelo basquete brasileiro não merece mais linha ocupada.

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Zona Morta

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))) As quadras brasileiras correm o sério risco de perder (novamente) o principal atleta em atividade no país. O ala Marcelinho, MVP do Nacional, ainda não renovou com o Rio e, embora o clube carioca tenha prorrogado seu contrato de patrocínio com a prefeitura local e com a operadora de telefonia, as negociações para sua permanência em solo brazuca estão difíceis. O jogador, que já teve passagem pelo basquete italiano, ouve propostas do Velho Continente.

))) A seleção juvenil masculina de basquete inicia terça-feira a corrida pelo título do 19º Sul-Americano em Barquisimeto (Venezuela). O rival na estréia será o Peru, às 16h. Na primeira fase, os brasileiros enfrentam o Paraguai e o Uruguai. Nas 18 edições anteriores, o Brasil foi campeão oito vezes e vice outras oito oportunidades. O time é dirigido por Marco Antônio Aga e tem média de estatura de 1,97m. O grupo tem o desafio de recuperar a hegemonia na categoria, perdida para os argentinos que, desta vez, levam ao torneio sua força máxima com Sebastián Uranga, Fabian Saahdi e Leandro Cecchi, entre outras feras.

))) Outra baixa significativa abate os preparativos sérvio-montenegrinos para o Europeu masculino, que será disputado entre 16 e 25 de setembro em Belgrado. Peja Stojakovic, astro do Sacramento Kings, anunciou ao treinador Zeljko Obradovic que não participará da competição – seletiva para o Mundial do Japão. Além de Peja, também devem desfalcar o selecionado anfitrião do certame Pedrag Drobnjak, Marko Jaric e Zeljko Rebraca – todos na liga norte-americana.

 



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