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05/04/2005 - 01:32 Torres gêmeas
O primeiro garantiu ao selecionado tupiniquim uma sobrevida de 12 anos no cenário global brigando – ainda que sem êxito – pelos pódios em Mundiais e Olimpíadas.
Seus arremessos fizeram história com a camiseta amarela, coroada com o ouro no Pan de Indianápolis-87 ante uma estupefata platéia na terra dos inventores do esporte.
Desbravou o Velho Continente aos berros, prantos e tiros de três pontos.
O desempenho isolado do ala potiguar maquiou uma agonia que se arrastara na modalidade depois da geração de 70.
Já Nenê, quase que por um acaso (ah, aqueles Goodwill Games...), aterrissou em solo norte-americano para se transformar no primeiro astro brasileiro na mais poderosa de todas as ligas.
Três temporadas depois de debutar, já arrebatou seu modesto, mas representativo, quinhão na NBA. Driblando contusões e fantasmas de virtuais substitutos, evolui em fundamentos seguindo à risca a cartilha de alguns dos mais bem-sucedidos pupilos do expansionismo geopolítico de David Stern.
Se Oscar deu nome a uma era no bola-ao-cesto do Brasil, Nenê certamente crava sua assinatura em outro ciclo - ainda em curso.
O que ambos têm em comum, além de uma trajetória exultante dentro das quatro linhas?
Agora, quase simultaneamente, expressam o desejo de destronar Gerasime Bozikis, o Grego, titular da Confederação Brasileira de Basquete desde 97.
Oscar, ora transformando em dirigente, lança o embrião de uma liga paralela de clubes, a Nossa Liga.
Nenê garante - ainda que sob argumentos nebulosos - que não vestirá mais a camisa da seleção sob a batuta da atual direção da CBB.
Uma revolução (ao menos na retórica) eclode em pleno período eleitoral (sic) na entidade que comanda o basquete nacional.
Chapas de oposição, atletas, ex-atletas, treinadores, ex-treinadores, comentaristas, ex-comentaristas, dirigentes, ex-dirigentes, palpiteiros, ex-palpiteiros. É unânime a insurgência contra o atual modelo de gestão da Confederação. Parecem descobrir o óbvio.
O discurso soa lógico e consistente, mas deve-se desconfiar de unanimidades.
Oscar e Nenê, nossos principais ícones em atividade (fora ou dentro das quadras), se amotinam por sentirem seus interesses contrariados no cerne.
Oscar já incursionou pela seara da cartolagem com resultados poucos convincentes (vide caso Barueri). Também tentou a carreira política em companhia de Maluf e Pitta.
Seria ele o portador legítimo do anseio de mudança dos clubes (e ou empresas) que têm algum projeto formatado para o esporte?
Partiria de Nenê, que acumula pendências financeiras com a CBB, o clamor patriótico pelo fim de um regime quase déspota na entidade?
Sem desdenhar da movimentação que, por si só, traz algum alento ao basquete brasileiro e noves fora paixões e emoções de ocasião, é preciso colocar pingos nos “is”.
Oscar, recém-“eleito” presidente da Minha, Nossa, Vossa Liga, acena com uma barganha com Grego. Quer seu apoio para a empreitada, como vemos, nada independente.
O próximo capítulo se desenha: Nenê recuaria depois de um acalentado diálogo com o dirigente?
É quixotesco imaginar que dois genuínos representantes do establishment seriam capazes de catalisar os vetores que conspiram em favor da oxigenação do basquete no país.
Longe do aguardado e bem-aventurado levante pela revitalização do modo de pensar (e fazer) basquete no Brasil, os lances nesse previsível tabuleiro com duas torres (quase gêmeas) desafiando o rei tendem a se transformar em cortina de fumaça ante o continuísmo.
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Zona Morta
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))) Semana decisiva para Ajax (encara o Cocodrilos em Caracas) e Uberlândia (recebe o Boca Juniors em casa) na Liga Sul-Americana. Chance de final brasileira inédita na pouco difundida, mas representativa competição - disputada, é verdade, pelo segundo escalão do que há de melhor no basquete continental.
))) Mais do mesmo: demorou, mas o Telemar/Rio de Janeiro assumiu a ponta do Nacional masculino – posto que dificilmente deixará até o final da 1ª fase. Com Marcelinho, único “galáctico” nas quadras brazucas, no comando.
))) Boa notícia em um país de memória claudicante: o pivô Ubiratan Maciel, morto em 2002, já dá nome a cinco ginásios no país: Brasília, São José dos Campos, Jacareí, Francisco Morato e São Paulo possuem praças esportivas que rendem homenagem ao brasileiro mais próximo do Hall da Fama até Hortência Marcari alcançar o feito.
Parabéns, Rainha.
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