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13/06/2005 - 15:47 Talentos da maturidade
Trata-se do segundo desafio consecutivo entre mineiros e fluminenses na final da competição – os paulistas, antes detentores da hegemonia no país, foram novamente excluídos da etapa mais empolgante do certame.
Os clubes chegam à fase derradeira com campanhas impecáveis – 100% de aproveitamento em casa.
Com o retrospecto, é possível apostar em ligeira vantagem para o Rio, que terá a prerrogativa de decidir em seus domínios um quinto eventual jogo na série.
Medirão forças o melhor jogador da competição, Marcelinho, e o treinador mais vitorioso, Hélio Rubens.
O armador do clube carioca exibiu performance exuberante no torneio. Cestinha absoluto, com média de 27.1 pontos, decidiu com dribles, infiltrações e tiros de meia distância.
Aceitou a responsabilidade atribuída a ele pelo dirigente do clube, Oscar Schmidt.
“Eu peço mesmo: tem que jogar para ele. O time tem que ter o Marcelo como referência”, admitiu o Mão Santa em entrevista concedida ao canal pago SporTV, que ousou cobrir o bastidor do time do Rio durante uma excursão rodoviária pelo interior paulista.
O técnico Miguel Ângelo da Luz, cujo currículo exibe o feito mais prodigioso do basquete nacional desde 1961 (o ouro no Mundial Feminino de 94), imprimiu aos seus comandados o ritmo de jogo pedido pelo patrão.
Taticamente irresponsável, o Rio de Janeiro acelera a transição, abusa dos arremessos do perímetro e chega a assumir a displicência na defesa.
Tem seu poderio embutido em um tripé que conta ainda com os experientes Ratto (17.9 pontos em média), na armação, e Sandro Varejão (13.9 pontos), sob a tabela. O quinteto titular é completado pelo hábil e perspicaz Demétrius (com média de 5.7 assistências por partida) e pelo surpreendente Aylton Tesch – reboteiro contumaz, com 5.9 bolas agarradas na tábua.
O desenho tático e o talento individual cooperaram para que a equipe alcançasse a condição de ataque mais positivo, com média de 98.9 pontos por jogo, uma estatística que segue à risca os padrões do "Estilo Oscar" de fazer basquete. O índice de acertos de tiros de três pontos (40.9%) é outra lição da cartilha do cartola.
Na outra ponta, Hélio Rubens, que acabara de colocar em sua estante o segundo troféu da Liga Sul-Americana, repetiu a retórica que o consagrou como recordista de triunfos no país: concentração em uma defesa agressiva, posse de bola com alta rotatividade e homogeneidade na decisão das jogadas.
Os números disponibilizados pela organização do Nacional comprovam a tese do conjunto uniforme, preconizada pelo treinador.
Nada menos que cinco atletas contabilizam média de pontos superior a 10 por partida – recorde absoluto da competição: Estevam (14.8), Rogério (12.8), Valtinho (12.6), Helinho (12.2) e Alexander (10.8).
Ainda há duas peças-chave no modelo arquitetado pelo técnico que também pontuam com regularidade impressionante: Cambraia (9.3) e Mãozão (9.2).
Com a mais apurada taxa de acertos nos arremessos de dois pontos no torneio (60.1%), o clube de Minas Gerais reproduz fielmente em quadra o discurso de Hélio Rubens em que "solidariedade" é a palavra de ordem.
O embate final reacende outro debate – desta vez fora das quatro linhas: chegaram ao ápice do campeonato esquadrões com formatos de gestão quase empresarial do esporte.
Enquanto a equipe do Rio conta com um suporte estimado em R$ 3 milhões/ano de uma operadora de telefonia (soma quase cinco vezes superior ao que a CBB arrecadou para a competição), o clube do Triângulo, com orçamento avaliado em R$ 120 mil mensais, é bancado por um grupo de universidades que também procurou profissionalizar sua infra-estrutura – o que levou a mesma empresa a colocar três times na elite do basquete bazuca (Brasília e Ajax/Goiânia também são administrados pelo mesmo conglomerado educacional).
O apaixonado pelo bola-ao-cesto certamente verá um confronto equilibrado no mata-mata. Mais que isso: o playoff pode entrar para a história como o crepúsculo de uma era na organização de competições nacionais.
Por ironia do destino, dois clubes cujos ícones (Oscar e Hélio Rubens) se transformaram em ferrenhos desafetos da atual cúpula da entidade máxima do esporte no Brasil serão os protagonistas das finais.
Com a iminente materialização da Nossa Liga, os burocratas tendem a virar coadjuvantes.
Para o bem do espetáculo da bola-laranja, dentro das quadras, o talento ainda reina absoluto em solo tupiniquim.
O cenário que preocupa não é o do presente, mas o que vem por aí. Afinal, se há competitividade e qualidade nos finalistas, entre os 10 titulares de Rio e Uberlândia apenas dois atletas têm menos de 30 anos.
São elencos (32.2 anos de média entre os titulares para o Rio e 30.8 para o Uberlândia) compostos por nomes já consagrados ou cujas carreiras já estão consolidadas.
Será o duelo da maturidade. A renovação, em xeque com os pífios resultados dos trabalhos de base, ainda caminha a passos lentos.
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Zona Morta
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))) Depois de convocar 15 "estrangeiras" para a preparação rumo ao Sul-Americano Adulto, Antonio Carlos Barbosa foi enviado ao Acre pela CBB. O motivo: o treinador ministra uma das clínicas promovidas pela entidade para impulsionar a prática da modalidade em Rio Branco. Trata-se do 13º evento do gênero. A confederação informa que o objetivo é "divulgar mais conhecimento técnico para atender às necessidades dos Estados e uniformizar a filosofia de trabalho para diminuir as diferenças entre as regiões, principalmente nas categorias de base". Ah, bom.
))) O mercado do basquete tem suas primeiras movimentações no período de pré-temporada. Depois de Guerrinha acertar com o Rio Claro, foi a vez de Ênio Vecchi, ex-Londrina, definir seu destino. O ex-técnico da seleção brasileira (ouro no Sul-Americano de 93) assume o comando do Pinheiros de olho no primeiro campeonato da Nossa Liga. O argentino Carlos Duro, auxiliar do Uberlândia e discípulo do folclórico Flor Melendez, volta ao país de origem para dirigir o atual vice-campeão local, Boca Juniors. Ele substitui Sérgio Hernandez, recém-designado para o selecionado campeão olímpico.
))) É devastadora a mistura de política partidária com esporte de ponta, mas em Franca a história se repete. O clube de basquete local, verdadeiro patrimônio da cidade, está sob o fogo cruzado de PT e PSDB. Tudo porque o governo anterior, petista, intermediou um acordo de aporte financeiro para o bola-ao-cesto com um banco estatal. Os tucanos, agora na administração municipal, resolveram que o montante deve ser partilhado entre várias modalidades. Em meio ao tiroteio pré-eleitoral, uma conclusão já é possível tirar desse episódio: todos saem perdendo na divisão do bolo.
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