|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
06/06/2005 - 18:13 Instinto selvagem
Depois de um longo hiato sem atletas brazucas em times de ponta no Velho Continente – o último a brilhar em clubes de primeira linha havia sido o pivô Ubiratan, ídolo no ex-campeão mundial Varese (Itália) na década de 70 - o rebento capixaba de 2.09m desembarcara aos 20 anos em solo catalão como aposta do milionário Barcelona.
Lá, tendo na bagagem bom handicap nas fileiras francanas e com a camiseta canarinho em torneios como o Goodwill Games, Varejão começara a demarcar seu terreno no bola-ao-cesto internacional.
Ainda com aproveitamento limitado no esquadrão espanhol, o título da Euroliga de 2003 foi parar em sua coleção de troféus como o marco da transição na carreira.
Desde a chegada à Europa, por duas ocasiões retirara o nome do Draft da NBA, optando pelo aprimoramento de fundamentos e contratos pés-no-chão.
Em 2004, com o ciclo europeu devidamente fechado, pleiteou seu espaço na liga norte-americana e foi escolhido no vestibular em 31º lugar pelo Orlando Magic, mas transferido em seguida para o Cleveland Cavaliers – franquia de LeBron James, precoce candidato à condição de sucessor de Michael Jordan.
Assinou um contrato de US$ 2,6 milhões, quantia irrisória para os padrões dos colegas de equipe. Mais modesta ainda se comparada à performance obtida logo no ano de estréia.
Debutante na liga mais poderosa e competitiva do globo, o mais novo representante do clã Varejão cativou o público de Ohio com celeridade invejável.
O visual exótico e a gana exibida na briga pela bola renderam-lhe o apelido de Wild Thing.
Ao som do hit de Lou Reed, Varejão arranca aplausos histéricos de uma platéia fria e exigente.
O cognome, entretanto, é uma alusão ao protagonista da megaprodução cinematográfica de 1989 Major League, vivido pelo ator Charlie Sheen, na trama um ídolo do beisebol de Cleveland vitorioso no torneio americano de maior popularidade diante dos poderosos Yankees de NY.
Distantes da ficção, os números alcançados nas quadras respaldam o êxito do ala-pivô brasileiro pelos Cavs ao estrear no torneio profissional norte-americano.
Presente em 54 partidas, conseguiu média de 4.9 pontos (atingiu o pico de 14 no duelo com os Mavs em 26 de março) e 4.8 rebotes (com auge – 14 - no confronto com o Jazz em 15 de janeiro).
Esteve em quadra durante 16 minutos, em média. Mas, ao fim da temporada regular, já conseguia permanecer no quinteto principal até 28 minutos.
Mesmo prejudicado com uma contusão no tornozelo esquerdo, gravitou em boa parte das seleções de novatos produzidas no universo dos apaixonados pela bola-laranja.
Excluído dos playoffs na última rodada da temporada regular, Anderson, que outrora fora conhecido por ser irmão do ex-pivô da seleção Sandro Varejão, passa férias no Brasil e curte dias de celebridade. Tudo monitorado por um assistente de preparação física dos Cavs, encarregado de acompanhar a plena recuperação do ala-pivô.
Nessa incursão pelas origens, Varejão, que pretende reservar bom tempo de sua folga para a família, em Vitória (ES), falou ao Rebote sobre suas pretensões no segundo ano de NBA e tranqüilizou torcedores quanto à presença no Pré-Mundial da República Dominicana.
“Estarei sempre disposto a defender a seleção, que é importante para qualquer atleta”, disse.
O jogador, aprovado no teste mais duro de sua trajetória, projeta ampliar seu campo nos EUA.
E exibe tenacidade incomum para um jovem cuja experiência já o coloca na condição de ídolo de um país que almeja reconstruir sua reputação como potência mundial da modalidade.
:::::::
Rebote - Como você avaliou a transição do competitivo basquete espanhol para a NBA? Está encarando bem a cobrança da liga profissional norte-americana?
- No primeiro ano na liga, você conseguiu seu espaço, ficou em quadra 16 minutos por partida, em média. Quais são suas expectativas para o segundo campeonato pelos Cavs?
- Em relação ao seu posicionamento tático e seu aproveitamento no Cleveland, qual sua avaliação a respeito do que ocorreu este ano?
- Fisicamente e em termos de fundamento, o que mudou no Anderson Varejão do Barcelona para o dos Cavs? Onde você acredita que pode se aprimorar?
- Como é seu relacionamento com os colegas de time? Qual é o atleta mais próximo, com o qual você mantém relacionamento mais estreito? Você conversa muito com LeBron James?
- Você conseguiu rapidamente a simpatia dos fãs dos Cavs. Isso vem ajudando sua performance? O que você acredita ter motivado esta sintonia?
- Falando da seleção brasileira, quais as chances de você disputar o Pré-Mundial? A liberação está definida? O fato de você disputar a Liga de Verão vai atrapalhar a preparação para a competição?
- Com a ausência de Nenê, você e Tiago Splitter vêm sendo trabalhados para atuar como laterais numa formação com Baby atuando como pivô característico. Você aprova esse sistema de jogo? Tem preferência por alguma posição específica?
- Qual sua opinião a respeito dos rumos do basquete brasileiro? O torcedor pode esperar a vaga para o Mundial do Japão?
- Quais os principais projetos extraquadra que você vem desenvolvendo? Sua atuação social vai aumentar no Brasil? Você se sente apto a agir como multiplicador do basquete por sua projeção e empatia com o público jovem?
:::::::
Zona Morta
:::::::
))) A Liga Argentina de clubes, que completou 20 anos de existência, encerrou sua temporada regular com uma média de 1.402 espectadores por jogo. Foram 396 partidas e público total de 555.190. O resultado significa um incremento de 48,83% na presença de aficionados aos ginásios. Em 2004, a média de platéia atingiu a marca de 942. Por aqui, a CBB ainda não divulgou os dados oficiais da fase de classificação.
))) Decepcionante, mas não surpreendente o massacre das argentinas contra as brasileiras na decisão do Sul-Americano Juvenil, disputado em Assunção e encerrado no sábado. O placar dilatado da derrota na decisão (55-38) não deixa dúvidas sobre o fosso entre os selecionados. A base da equipe portenha é a mesma que já impôs ao Brasil um duro revés no torneio continental da categoria cadetes (até 16 anos) no ano passado.
))) Rio de Janeiro, Ribeirão, Uberlândia e Brasília exibem vigorosos resultados nas quadras do Nacional masculino em sua fase semifinal. Os equilibrados duelos apresentam nível técnico alto para os padrões brasileiros nas últimas temporadas. Fora das quadras, dirigentes e promotores esboçam esforço para levar o torcedor às arquibancadas, ainda sem o sucesso esperado. A reta final da competição traz, enfim, um pouco de alento para os apaixonados pelo basquete.
|
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||