|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
28/05/2005 - 02:57 A bola da vez
Por razões óbvias, rouba a cena do espetáculo, nem sempre exuberante, mas eternamente vibrante, em que se transformou o basquete moderno.
E suscita polêmica.
Quem diria, a bola é a personagem da vez.
Não como deveria ser, estufando os barbantes, quicando com velocidade pelos pisos mundo afora.
A cobiçada esfera laranja voltou a ser notícia, desta feita exatamente porque os gênios do marketing esportivo descobriram nela uma mina de ouro.
A chave para detonar a revolução: um banho de loja!
Por que não transformar o objeto do desejo dos basqueteiros em uma plataforma fashion, capaz de acionar um vultoso dínamo de merchandising?
Bingo!
Desfila desenvolta pelas passarelas, ou melhor, pelas quadras o mais novo modelito esférico-sintético. Que alaranjado que nada... a cor da vez é o amarelo.
Para o mais desavisado fã do bola-ao-cesto, as linhas esboçadas acima não são obra de ficção.
A CBB, entidade máxima do basquete brazuca, resolveu colocar em circuito nacional de TV as colorações amareladas em gomos alternados com as laranjas nos cilindros que passeiam pelas tabelas e aros dos playoffs do Nacional masculino em curso.
Trata-se de um novo modelo, lançado pela Penalty, fabricante oficial da confederação, sob o suntuoso nome de 7.4.
Mas o protótipo não virou regra. Nas partidas sem exibição pela televisão, continua soberana a versão tradicional, que atende pelo nome de 7.3, produzida pela mesma empresa.
Até aí nada de muito novo. No máximo, uma jogada publicitária, com finalidade meramente comercial.
Ocorre que o utensílio visceral para a prática basquetebolística virou fermento para nova – e saborosa - controvérsia envolvendo dirigentes, atletas e treinadores.
O mentor da crise é o também artífice da Liga Pirata, como ele próprio a alcunha, Oscar Schmidt.
O intrépido neodirigente questiona o contrato de exclusividade da CBB com a fabricante oficial. Diz que os termos do acordo são incógnitos. E suspeita de relações nebulosas entre a cúpula da entidade e a companhia de material esportivo, que pagaria royalties em troca do carimbo da confederação.
Oscar fala em outra fabricante, de origem americana, a Spalding, que domina o mercado milionário da NBA.
Diz que tem interesse pelo Brasil, mas sofreria um boicote velado da cartolagem.
Não por acaso, a empresa acaba de patrocinar a nova bossa do Tio Sam: as jersey-balls, desenhadas à semelhança das indumentárias dos astros da liga profissional.
Cintilantes, invadem as prateleiras dos megastores a módicos US$ 29.99 exibindo roupagens de Shaq, Iverson, Lebron James e afins.
Como em um passe de mágica (e qualquer semelhança é mera coincidência), a Nossa Liga cogita até a hipótese de inovar a trazer para o equipamento-mor do bola-ao-cesto a logomarca de uma operadora de telefonia, a mesma que banca o time de Oscar.
A onda da fantasia, pasmem, não é irradiada só pelos ares da pirataria.
Organismos oficiais, como a própria Fiba, emprestam sua chancela para experimentações com tonalidades alternativas.
Em competições como a Euroliga e a Liga Sul-Americana, a bola em jogo já ostenta cores alternadas em bege claro e laranja escuro – desta vez quem as projeta é a japonesa Molten.
A série GL-6/GL-7 é vendida como ícone da fusão da tradição com o arrojo – e grativa pela órbita de ligas nacionais latinas como a da Argentina e do Uruguai.
Da primeira bola produzida em 1894 em Massachusetts para alvejar os cestos de pêssego idealizados pelo canadense Jaime Naismith até a mais nova, projetada em sofisticados laboratórios nipônicos, restaram as dimensões, estas sim, exigência de padrão: entre 75cm e 78cm de circunferência e peso entre 600g e 650g.
Já que a regra é omissa quanto às cores e à matéria-prima, viva a utopia!
Afinal, quem não se encanta com a apoteose circense dos Harlem Globetrotters, acrobatas e precursores da esfera tricolor?
Oficial ou não, nunca é demais lembrar: a bola é só um acessório. Sua sinergia com o cérebro e o coração que a conduzem é que constitui a alma do jogo.
:::::::
Zona Morta
:::::::
))) Sem surpresas, com duelos empolgantes e arquibancadas às moscas, se aproxima do final a primeira fase dos mata-matas do Nacional masculino. As quatro potências (Rio de Janeiro, Uberlândia, Ribeirão e Brasília) confirmam o favoritismo e partem para confrontos auspiciosos. O público apaixonado continua ligado na TV. Mas só quem tem canal pago. Será que não seria o caso de programar um desses jogos para a grade do Esporte Espetacular, como ocorrera no vôlei?
))) Sites e jornalistas especializados norte-americanos desenham a opção dos LA Clippers pelo ala de força brasileiro Tiago Splitter no Draft da NBA. Se ele persistir na lista, seria o 12º escolhido, avaliam os experts. Os outros três brazucas no vestibular da liga profissional (Caio Torres, Marquinhos Souza e recém-descoberto Anderson Ferreira) não constam entre os preferidos pelas franquias.
|
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||