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02/05/2005 - 04:43 O encanto da desordem
No Paulista Feminino de basquete, que entra no returno no dia 4, as ambições são excêntricas.
Nenhum sobressalto com a hipótese de descenso - ao contrário, até mesmo o derradeiro posto na fase classificatória rende vaga aos playoffs.
Nem as prometidas seis vagas no Nacional empolgam, já que a iminente criação da liga independente embaralhou o futuro da categoria – o torneio da CBB pode não sair do papel no segundo semestre.
A desesperada briga para escapar do oitavo lugar (entre as oito agremiações concorrentes) tem um só objetivo: evitar um cruzamento nas quartas-de-final com o até aqui imbatível Ourinhos, favorito absoluto ao título.
Santo André, São Bernardo (ambas com quatro derrotas em sete jogos), Guarulhos e Piracicaba (com cinco reveses) digladiam entre si como presas fáceis que procuram adiar a hora do abate.
Sabem que o cruzamento precoce com o poderoso esquadrão alviverde representa férias antecipadas, longo período de inatividade e até a sobrevivência em xeque.
“Este é um campeonato em que a disputa é pelo segundo lugar. Ourinhos não tem como perder”, diz enfática a técnica andreense Laís Elena Aranha, reconhecendo a supremacia do oponente, que acumula 100% de aproveitamento no certame.
Para a treinadora do time do ABC, os reforços incorporados ao elenco do clube do oeste paulista deixaram a competição sem tempero.
Vendo dissipadas as chamas dos tira-teimas com Americana, o experiente Antonio Carlos Vendramini, virtual campeão estadual, concorda com a colega. “Mantivemos a base do Nacional e precisamos tirar proveito disso”, sentencia o treinador do clube fundado em 95, que começou a colecionar glórias três anos depois.
Os números atestam a disparidade ao fim do primeiro turno. Foram, até agora, sete jogos, sete triunfos, com 530 pontos convertidos (75,7 em média) e 378 sofridos (54 em média) – uma confortável margem de 21 pontos por confronto.
Para o início do torneio, a equipe ourinhense, que já arrebatara o título brasileiro, trouxera Lílian e Palmira – para suprir a ausência de Janeth. Agora, anuncia mais duas aquisições: a pivô Êga, que retorna da Espanha, e a armadora Vanessa Gattei. Ambas se integrarão o plantel rumo ao novo troféu.
Depois de estrear com exibição ao vivo na TV paga, o Paulista sumiu das telinhas. A grade de programação não prevê nenhum duelo para as próximas semanas.
O desinteresse não se limita à mídia especializada. Afinal, a fórmula de disputa do evento é, no mínimo, esquisita.
A primeira fase, em curso, prevê confronto em ida e volta entre todas as oito agremiações inscritas. É uma mera briga por emparelhamentos. O líder pega o oitavo colocado nos mata-matas, o segundo enfrenta o sétimo e assim sucessivamente.
A partir da segunda etapa, com os duelos que garantirão passaporte às semifinais, nascerá a verdadeira contenda pelo segundo degrau no pódio.
Mas nem tudo é letárgico no Estadual.
Na incômoda briga para ficar fora do rebolo desponta uma antiga guerreira desta vez em nova função:
A ex-armadora da seleção Maria Angélica Gonçalves da Silva, a Branca.
Com jogadoras – muitas juvenis - contempladas com bolsas de estudo na universidade que co-patrocina o time piracicabano, a técnica reaparece com estilo explosivo na esperança de dar sobrevida ao time recém-promovido de volta à elite paulista.
No rastilho da pólvora das incandescentes Branca e Laís Elena, a emoção ressurge de onde parecia não brotar mais: 75 a 74 para Santo André na última terça-feira. Placar insuficiente para desestimular as meninas de Piracicaba, que dividem a lanterna com Guarulhos.
Com espetáculos de ginástica artística nos intervalos e algodão doce de graça para o fãs no ginásio Waldemar Blatskauskas, a cidade quer devolver ao bola-ao-cesto local (pentacampeão do país nas décadas de 80-90) o glamour de outrora.
Para tanto, conta ainda com a voluntária mão do preparador físico Hermes Balbino, que tem em seu currículo, além da conquista do Mundial de 94, os títulos de mestre e doutor pela Unicamp.
E parece haver luz no fim do túnel.
Depois do insucesso dramático na Grande São Paulo, as piracicabanas regozijaram-se com uma vitória doméstica no sábado contra Marília - 73 a 69, com 20 pontos anotados pela voluntariosa lateral Ângela.
Quem diria. Sem as estrelas que gravitam em órbitas distantes e alheia à paralisia dos dirigentes, a festa caipira subverte a ordem do bola-ao-cesto e reinventa o charme de um certame idealizado com a lógica às avessas.
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Zona Morta
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))) A versão feminina da Nossa Liga, equivalente ao futuro Nacional, só deve começar em 2006. E a associação das atletas tem em Janeth, Hortência e Paula suas “capitãs”. A última, aliás, faltou à reunião de sexta-feira com o ministro Agnelo Queiroz.
))) O Nacional masculino teve neste domingo seu jogo número 3 mil. Inevitável a nostalgia. Segundo a CBB, foram 55 equipes de sete Estados (mais DF) nos 15 anos de história do campeonato – incluindo no cálculo a extinta Taça Brasil. Ainda segundo a contabilidade da confederação, o torneio levou às quadras 1.400 atletas e 89 treinadores.
))) A Folha de S. Paulo noticia, em sua edição de domingo: Franca acaba de assinar contrato de R$ 80 mil mensais com uma multinacional holandesa. Seria o primeiro fruto da criação da Nossa Liga. Ainda segundo o jornal, a dívida com atletas chega a R$ 300 mil, mas o montante já teria sido renegociado. Bons ventos sopram no eldorado do basquete paulista.
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