03/07/2007 - 12:37

Draft 2007

Então o draft passou, uns times se deram bem, grande parte fez escolhas sólidas e outros se deram muito mal. Oden vai brigar com Durant para ver quem será o melhor calouro do ano; as trocas envolvendo Boston e New York vão provar ser um fracasso; o San Antonio se deu bem para variar; e o abismo entre Leste e Oeste segue aumentando. Certo?

É claro que ainda é muito cedo para falar quem ganhou ou perdeu com este draft, assim como sair por aí chutando notas para as equipes. Aliás essa parece ser uma tendência. Primeiro eram os mock drafts que começaram a pipocar na internet. Agora, a moda é avaliar o draft de cada time, criar um bocado de expectativa e especular durante a pausa até o início da próxima temporada. O problema é que muita gente avalia somente em potencial, e salvo raras exceções o período de adaptação para a NBA leva pelo menos três anos - de acordo com vários técnicos, não só da NBA, mas também da NCAA.

Mas se é para ser assim, então deixo a onda um pouco de lado e reedito a seção Os campeões do draft. No ranking de 2007, levei em consideração o que cada time precisava, o quanto de talento conseguiu e o impacto das escolhas no time, o estilo do jogador encaixado com o perfil do técnico e, vá lá, uma pitada daquilo que eu esperava que cada time fizesse.

Como de costume, primeiro os vencedores:

1. Portland Trail Blazers
Olha o Portland aqui de novo como número um do ranking! Na mesma noite, os Blazers conseguiram se livrar de Zach Randolph, do pouco aproveitado Dan Dickau e de Fred Jones, que parece não ter se encaixado muito bem no esquema da equipe. Chegaram Steve Francis, Channing Frye e James Jones. Com contratos perto de acabar, os três devem abrir um enorme espaço na folha de pagamento, o que permitiria a aquisição de peças no futuro para auxiliar o plantel de futuras estrelas da NBA: Oden, McRoberts, Aldridge, Roy, Fernandez, Rodriguez, Green. O finlandês Petteri Koponen deve se juntar à equipe no futuro junto com o inglês Joel Freeland, quando começar a abrir lugares no elenco em um ou dois anos. Há quem acredite que a saída de Zach tenha sido precipitada, já que ele poderia ser utilizado para dar mais tempo de recuperação a LaMarcus Aldridge depois da séria contusão na última temporada. Porém, Greg Oden vai ter ao seu lado uma figurinha conhecida dos tempos colegiais: Josh McRoberts, que por sinal figurava entre os 10 primeiros na maioria dos mocks antes da temporada da NCAA. Sem dúvidas o Portland passou a perna em um monte de gente quando escolheu McRoberts na 37ª posição, assim como ao comprar a preço de banana o espanhol bom de bola Rudy Fernandez. É muito cedo para se falar em dinastia, mas o time segue por essa trilha.

2. Seattle SuperSonics
Depois do fiasco do draft do ano passado, eis que o Seattle surge por aqui. Inspiradíssimo, o novato Sam Presti conseguiu numa mesma noite draftar Michael Jordan e Scottie Pippen. Ok, não foi bem nessas proporções, mas a sensação que fica é a da volta dos tempos em que a franquia era conhecida como SuperSonics - e não como hoje é chamada apenas de Sonics - graças a Kevin Durant e Jeff Green. Delonte West é um bom armador e um Szczerbiak saudável pode ajudar também. Com teto sobrando para renovar com Rashard Lewis, vejo o Seattle jogando com Jeff Green na posição 2 na maior parte do tempo sendo o motor do time. De quebra ainda sobrou espaço para usar Durant também na 2 no ataque em determinados momentos da partida. A maior dúvida na cabeça do torcedor agora é o que fazer com a camisa de Ray Allen.

3. Atlanta Hawks
Mais um que se redimiu do fracasso do último draft. O gerente dos Hawks, Bill Knight, que só gosta de pegar “talentos”, parece ter ouvido as críticas e draftou de acordo com as necessidades do time. O resultado foi um draft consistente com aquilo que se esperava da equipe: o armador que entra na NBA mais preparado que os demais (Acie Law, também conhecido como “Mr. Clutch” nos tempos de Aggie) e o dominicano bi-campeão da NCAA (Al Horford).

4. Minnesota Timberwolves
Deve ser muito complicado draftar depois de ter recebido uma infinidade de e-mails e telefonemas sobre possíveis trocas envolvendo a estrela do time. Mesmo assim Kevin McHale demonstrou calma e tranqüilidade e, assim como o Atlanta, também fez um trabalho consistente com aquilo que se esperava dele. O par de ex-Gators Corey Brewer e Chris Richard deve ajudar a melhorar o astral nas cidades gêmeas Minneapolis-St. Paul. Brewer, Foye e Garnett poderiam formar um trio de ferro com muito futuro, mas a idade está chegando para KG. Resta então aguardar esses meses que antecedem a temporada para ver qual vai ser a cara deste Minnesota.

5. San Antonio Spurs
Enquanto os times fora das 10 primeiras escolhas draftaram possíveis reservas ou simplesmente apostas, o Spurs foi lá e pegou mais talento, potencial e tamanho em Tiago Splitter. Como se isso não bastasse, a equipe do Álamo ainda pegou o ala Marcus Williams na 33ª escolha, projetado para ficar entre os 20 primeiros em drafts anteriores. E assim seguem o Spurs, adicionando mais opções e armas ao seu consagrado plantel. O time também demonstrou interesse em comprar a franquia da NBDL Austin Toros, para onde deve mandar Williams por um tempo.

As equipes que tiveram uma noite ruim foram:

1. Orlando Magic
Tudo bem que o elenco é jovem, então adicionar mais novatos não faria muita diferença, e trocar uma escolha na segunda rodada com o Houston por dinheiro também não é lá uma grande bobagem. Mas trocar Reyshawn Terry, um dos melhores alas da UNC deste ano, bom arremessador e bom defensor, pelo sérvio Milovan Rakovic, que o Dallas draftou na última escolha, um atleta que nem esperava ser draftado, sendo que a necessidade do time é justamente um cara como Reyshawn... só se for para agradar ao agente de Darko Milicic, o mesmo de Rakovic, ou então ainda é ressaca da confusão que Billy Donovan aprontou. Eles não aprenderam com o Franz Vázquez?

2. Houston Rockets
A equipe acabou de trocar Juwan Howard para trazer mais um armador experiente (Mike James) e, em vez de escolher um ala-pivô como esperado, pegou o armador baixinho Aaron Brooks. Pior que nem foi por falta de opção, já que sobravam pelo menos cinco jogadores para a posição. Se não vier troca por aí, a escolha não faz o menor sentido para os Rockets.

3. Milwaukee Bucks
Você usaria a sexta escolha do draft para pegar um jogador vindo de outro continente, de uma liga pouco reconhecida como celeiro de talentos para o basquete, que se recusou a treinar com o seu time e, quando treinou para outra equipe, fez o um-contra-um marcado por uma cadeira? Foi assim, às escuras, que os Bucks escolheram Yi Jianlian, este “fenômeno” vindo da China. Agora o próprio se recusa a jogar pela equipe do Wisconsin, exige ser trocado, dá piti e tudo mais. É mole?

No mais, Detroit, Golden State, Charlotte, LA Clippers, New Orleans e Washington draftaram e trocaram bem, mas nada tão impactante quanto as outras equipes. O Phoenix foi muito bem, apesar de ter dado Rudy Fernandez de presente para o Portland, o que contou muitos pontos contra eles.

Resta esperar pela temporada para saber se os demais cartolas acertaram em suas apostas.

 



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