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28/06/2007
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14:12
A saga de um brasileiro
De Volta Redonda, ele se mudou para Osasco, em São Paulo. De lá, foi até a pacata Lauringburg, na Carolina do Norte. Passou um tempo em St. George, em Utah, e depois chegou a Fort Smith, no estado do Arkansas. Foi aí que o técnico Reggie Theus - hoje no Sacramento Kings - notou o prodígio e resolveu integrá-lo ao plantel na New Mexico State, que fica na pequena Las Cruces, de pouco mais de 80 mil habitantes, a 76 quilômetros do México.
Essa é a saga de Hatila Passos, pivô de 22 anos, 2,06m, 105 kg, até chegar à divisão 1 da NCAA. Com passagem pela seleção brasileira sub-21, ele teve um começo de temporada complicado. Por conta de uma lesão no joelho direito, acabou perdendo os primeiros três jogos, demorou um pouco para encontrar seu ritmo, mas depois garantiu espaço como pivô titular e ajudou sua equipe a conquistar a Western Athletic Conference (WAC) e um lugar no mata-mata na NCAA.
Quem acompanhou o Blog da NCAA ficou por dentro de como foi a partida em que Hatila teve a dura tarefa de marcar Kevin Durant - e, por sinal, saiu-se muito bem.
Em entrevista ao Rebote, o pivô revela como é a vida em Las Cruces, comenta o duelo com Durant e diz o que espera do draft desta quinta-feira.
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REBOTE - Olhando para o seu passado em Volta Redonda e Osasco, e agora o seu presente, você diria que valeu a pena se arriscar no exterior? Que dicas daria para os brasileiros que pensam em seguir sua trilha?
HATILA PASSOS - Eu acho que mudou muito, com certeza, hoje em dia eu sou reconhecido por onde passo, falo três línguas diferentes. Aprendi muitas coisas e ainda tenho muitas outras para aprender. Se eu ficasse no Brasil, não sei o que seria de mim, não tenho certeza se poderia aprender uma língua diferente, não sei se eu ainda estaria jogando basquete ou estudando. Saí do Brasil quando estava com 17 anos, e hoje eu estou com 22. Para vocês que estão aí no Brasil, pode até parecer bobagem, mas vocês têm que seguir o coração. Saí quando ainda era criança e nunca tinha ficado longe da minha família. Desde então, moro sozinho. É difícil, quase impossível, mas decidi isso para minha vida, era o que eu queria. Eu queria uma vida melhor e poder ajudar meus pais. É por isso que ainda estou aqui.
- Você foi recrutado por Kentucky, Arkansas, Mississippi State e BYU, mas preferiu a New Mexico State em Las Cruces, pertinho da fronteira mexicana. Fale um pouco sobre a cidade, a vida por aí, o campus e a estrutura para os atletas. Você sente falta de alguma coisa?
- Eu fui recrutado, sim, por outras grandes universidades. Preferi a New Mexico State pois achei que a oportunidade aqui seria melhor para mim. Posso estar errado, mas no momento está sendo bom. Las Cruces é uma cidade boa, não tem muitas coisas pra se fazer - é um pouco ruim, mas ao mesmo tempo é bom pois não tenho tempo para pensar em coisas erradas. Sinto muita falta dos meus pais e dos meus irmãos. Mas também me adaptei por aqui, e vou ao Brasil apenas para visitar. Da minha vida por aqui não tenho nada a reclamar. Estou jogando meu basquete e estudando também. O lugar é bem legal, a maioria é de estudantes e há muitas pessoas novas. E tem um monte de meninas (risos). Nós temos um programa de divisão 1, muitas pessoas pensam que só porque é New Mexico o programa não é muito bom. Pelo contrário, aqui temos tudo que Kentucky, Arkansas ou qualquer outro time grande tem.
- Você tem contato com outros jogadores brasileiros na liga universitária?
- Tenho contato com o Fábio Nass, que joga em Miami, e o Victor Ramalho, que jogar por UTEP. E outros que estão chegando na liga agora.
- O técnico Reggie Theus tem um currículo invejável: foi atleta de Jerry Tarkanian (um dos maiores vencedores da NCAA como técnico), um dos sete jogadores da história da NBA a ultrapassar a marca de 19 mil pontos e 6 mil assistências, e assistente de Rick Pitino (outro técnico consagrado da liga universitária). Hoje, assumindo o Sacramento Kings, ele é reconhecido como um dos melhores treinadores da nova geração. Que lição mais importante você aprendeu com ele?
- Minha rotina com o coach Reggie Theus era sempre jogar duro. Não importa se nós perdemos um jogo ou não, o mais importante é se nós jogamos com vontade. Foi isso o que ele me falou quando eu assinei com a universidade, para sempre jogar duro e eu conseguirei o que eu quero.
- Você acha que seu estilo é mais parecido com qual jogador da NBA?
- Meu estilo de jogo é um pouco parecido com o do Ben Wallace e com o de alguns outros jogadores.
- Seu futuro está mais para a Europa ou para a NBA?
- Sobre o meu futuro, eu não sei ainda. No momento, está mais para ficar aqui mesmo no estado do Novo México (risos).
- O que você sentiu quando pisou na quadra em Spokane e se deu conta de que não estava mais disputando um jogo da conferência WAC, e sim um mata-mata?
- Foi uma sensação muito boa. Bom, antes do jogo todo mundo ria, conversava e fazia piada. Mas quando entramos na quadra e ficamos frente à frente com o time do Texas, a emoção foi diferente. Eu pensei que ali era o momento para eu mostrar um pouco de mim, pois nós estariamos em rede nacional. Ali não poderíamos mais brincar. Era o momento de mostrarmos de onde a New Mexico State vinha e que tínhamos time para jogar contra qualquer adversário. Mas infelizmente perdemos.
- Como foi jogar contra Durant? Ele é tudo isso mesmo?
- Durant é um jogador muito bom. Não joga muito físico, mas sabe jogar tanto dentro do garrafão como fora. Mesmo que você coloque uma boa defesa nele, ele ainda assim vai ter seus 20 pontos e 10 rebotes.
- Para finalizar, Oden ou Durant? Qual dos dois merece ser a primeira escolha do draft desta quinta-feira?
- Eu acho que Oden merece, porque Ohio State chegou à final.
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