23/05/2007 - 16:07

O fim da uruca

Onze meses atrás, eu tinha escrito uma coluna sobre o que cada cartola da NBA precisava fazer para incrementar seu elenco. Particularmente, na parte sobre o Portland Trail Blazers, escrevi “É muita falta de sorte que o time tenha perdido a primeira escolha do draft”. Duas semanas depois, eu apontava esse mesmo Portland como um dos campeões do draft de 2006. Agora vou colocar a carroça na frente dos bois e já digo para quem quiser me cobrar depois: também são os campeões de 2007.

Não restam dúvidas de que sorte e destino também são quesitos obrigatórios no currículo de um cartola. Contratado há menos de dois meses, Kevin Pritchard já se mostrou pé-quente: ganhou o sorteio das escolhas na noite de terça-feira com apenas 5.3% de chance. Paul Allen deve estar rindo de orelha a orelha. Nate McMillan deve ter ido à igreja com a família toda se benzer e agradecer. Fogos devem ter estourado nos céus do Oregon para anunciar que Greg Oden vem aí com os novos dias de glória.

Oden, talvez o melhor pivô indo para a NBA nos últimos 22 anos, vai ter no Rose Garden sua nova casa. Não restam dúvidas sobre isso. Ele vai se encaixar como uma luva no jovem elenco que conta com o melhor calouro do ano, Brandon Roy, e o melhor ala-pivô do draft passado, LaMarcus Aldridge. No elenco de apoio, Zach Randolph, Darius Miles, Jarrett Jack, Martell Webster, Rudy Fernandez, Joel Przybilla... enfim, uma reunião de jovens talentosos. Se isso não bastasse, com a folha de pagamento enxuta ainda vai dar para trazer um ou dois veteranos para envenenar ainda mais essa máquina. Acabaram-se as mandingas, passaram as nuvens negras dos tempos de Jailblazers.

Que venha a dinastia Oden.

Enquanto o noroeste americano é só alegria – afinal o Seattle também foi vitorioso, conseguindo a segunda escolha do draft e podendo finalmente melhorar seu garrafão com a provável escolha de Kevin Durant – no nordeste a turma de Boston enxuga as mágoas com muita Guinness. Depois da pior temporada de sua história, e mesmo tendo quatro vezes mais chances do que o Portland, os Celtics só conseguiram a quinta melhor escolha. Mas os torcedores não devem ficar chateados. Não é a posição ideal, mas ainda dá para pegar Joakim Noah, e quem sabe com seu espírito de liderança ele mude um pouco os ânimos por lá.

No Tennessee, os torcedores do Memphis Grizzlies devem estar tomando muito Jack Daniels para esquecer a noite de terça-feira. A equipe corre o risco de perder Pau Gasol, sofrer outro desmanche e amargar mais uma temporada na lanterna. Mesmo com mais chances do que qualquer outra franquia, o melhor que os Grizzlies conseguiram foi a quarta escolha. Fica até difícil fazer uma previsão aqui, mas o ginásio do Fedex Center vai vender ingressos bem baratinhos na próxima temporada.

Para finalizar, resta ao Phoenix Suns torcer para sobrar algum homem de garrafão na 24ª posição. A equipe do Arizona teria direito à escolha do Atlanta Hawks, se este ficasse do quarto lugar para baixo. Ficou em terceiro. Se Tiago Splitter cair muito no draft, é provável que forme uma dupla brazuca com Leandrinho no deserto americano.

Enquanto o grande dia não chega, já dá para ter certeza de que o abismo entre as conferências Leste e Oeste deve continuar por mais alguns anos.

 



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C O L U N I S T A S



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