25/01/2007 - 00:17

Invasão do Leste Europeu

De acordo com o jornal espanhol El Mundo, dos 10 melhores jogadores da Europa em 2006, três eram turcos, três espanhóis, dois italianos, um francês e um grego. Isso levantou uma questão no fórum do Draft Brasil: por onde andam os bons jogadores da Lituânia, Sérvia, Croácia, e outros países de escolas formadoras de talentos? Para responder a essa pergunta é preciso primeiro entender como as novas tendências da NBA afetaram a vida dos atletas desses países.

Antigamente, era muito mais fácil. Você aparecia num treino particular de algum time da NBA, com um nome quase impronunciável, esperava a vez de ser chamado e metia 70, 80 bolas de três. Pronto: já subia no quesito dos olheiros. Hoje em dia, a coisa ficou mais complicada. O sucesso de franquias como San Antonio Spurs e Dallas Mavericks inspirou outras equipes a desenvolver a logística necessária para draftar jogadores estrangeiros que de fato consigam se adaptar ao estilo da NBA, para não desperdiçar a escolha. Como se não bastasse ter olheiros mais “espertos”, com o surgimento da idade mínima para entrar na liga (19 anos) muitos europeus resolveram fazer o que australianos e africanos fazem há muito tempo: arriscar a sorte numa universidade americana.

Cada vez mais, é difícil ignorar a presença de estrangeiros na NCAA. Em cinco das principais conferências da liga (Big Ten, Big 12, SEC, ACC e Pac-10), por exemplo, são 19 nomes de países como Lituânia, Croácia, Sérvia, Polônia e República Tcheca. Esses atletas preferiram os estudos, refeições e estada de graça para jogar com a elite do basquete americano em vez de venderem a alma para um clube europeu aos 15 ou 16 anos. Pior: alguns se recusaram a jogar no time principal de seu país. Por causa de uma norma da liga universitária para garantir o “amadorismo” dos atletas, se alguém joga num time considerado profissional recebe uma suspensão automática de um jogo para cada atuação com os profissionais.

Isso nos leva a perguntar: que diabos faz um atleta que poderia ter relativo sucesso na Europa se mandar para os EUA, deixar de receber uma boa quantia, e ainda ter que ficar no banco?

Para Andrew Bogut, ex-pivô da universidade de Utah, é a resposta é simples: "Tem gente de olho em você todos os dias e você recebe boa educação de graça, assim eu penso que muita gente vai deixar de olhar para a Europa". Para o croata Sasa Cuic, que atua em Oregon State, "é tudo um princípio de oportunidade e de custo". Ele também confirma a tendência de uma melhor seleção por parte de olheiros: "Não há mais espaço para esses prospectos que chegam à NBA e não jogam por anos. São poucos os Kevin Garnetts, Kobe Bryants e Dirk Nowitzkis”.

O exemplo mais recente de quem conseguiu fazer o ciclo Europa-NCAA-NBA é o do ala Linas Kleiza, do Denver Nuggets, que ganhou mais minutos com a suspensão de Carmelo Anthony. Kleiza era um dos destaques do time lituano no mundial júnior de 2003, com 29 pontos e nove rebotes, quando foi chamado por Missouri.

Chegar à NBA, porém, não é o principal, garante Sasa Cuic: "Quando você volta para a Europa, é mais valorizado se teve qualquer tipo de contato com uma escola de basquete americana".

Cair num time menos badalado na Europa é fria. Não é raro ter europeus de times pequenos que precisam de um outro emprego para poder completar a renda. O armador Predrag Savovic, ex-jogador da universidade do Havaí e do Denver, conta que, quando jogava no Partizan Belgrade, antes da NCAA, tinha colegas que trabalhavam em fábricas ou fazendas de criação de porcos.

Ainda são poucos os casos de europeus que conseguem se dar bem na NCAA. O problema tem sido escolher onde jogar. Muitos acabam indo, sem saber, para conferências dificílimas, como SEC ou Big Ten, e acabam no banco, produzindo muito pouco.

Isso não foi problema para o ala Cuic, segundo melhor pontuador dos Beavers, mas o time ocupa a penúltima colocação da Pac-10. Na mesma conferência, Ivan Radenovic, sérvio ala-de-força da Arizona, mantém boas médias de 16 pontos, com 50% de arremessos certos, oito rebotes e duas assistências. Na Big 12, o destaque vai para o pivô lituano Antanas Kavaliauskas, campeão mundial sub 21, que vem se destacando pela Texas A&M, ranqueada entre as oito melhores do país.

O segredo dos três?

Destacaram-se nos campeonatos que disputaram e, logo depois, receberam a visita do técnico interessado.

 



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