26/04/2006 - 21:02

Draft 2006: primeira análise

Talvez seja muito cedo para julgar, e muita coisa pode acontecer nos dois meses que antecedem a escolha no draft da NBA. Mesmo assim, resolvi vestir o terno e a cartola para fazer a importante função de ser scout ou, segundo a gíria futebolística, olheiro.

Baseando a escolha em volume de jogo apresentado em partidas tanto ao vivo quanto na telinha, e dividindo algumas opiniões com gente mais especializada no assunto, o estreante aqui escolheu os jogadores que devem integrar a elite dos calouros na próxima temporada. Antes de mais nada, algumas explicações:

A NCAA não permite que jogadores com empresário retornem para disputar o torneio no próximo ano. Assim, muitos atletas declaram-se aptos a encarar a maratona de treinos sem um agente e, se não agradarem, voltam para mais um ano universitário. Os que não têm agente, no entanto, precisam arcar com todas as despesas de transporte e estada durante a maratona de treinos e testes com as franquias. Eles têm até o dia 18 de junho para retirar o nome do draft.

Todo jogador de último ano na faculdade está automaticamente inscrito no draft. Os demais universitários ou internacionais com menos de 22 anos têm até 29 de abril para fazer a inscrição.

Atletas internacionais não têm mais limites de quantas vezes podem se inscrever e desistir do draft. No ano passado, 35 estrangeiros, 12 colegiais e 61 universitários entraram na disputa. Nada menos que 46% dos jogadores retiraram os nomes.

Sempre é bom lembrar que, desta vez, é proibida a inscrição de jogadores vindo dos colégios.

Bem, vamos ao que interessa: os melhores aspirantes a estrelas do basquetebol mundial. Daqui a uns seis meses, saberemos se eu posso tentar um emprego ao lado de Isiah Thomas - podem falar o que quiserem, mas o que ele faz de melhor é draftar - ou Rick Sund, gerente do Seattle que só acertou duas vezes nos últimos cinco anos quando pegou Ridnour e Radmanovic, e ficou famoso por draftar os jogadores que nunca jogaram na NBA.

:::::::

Tyrus Thomas
LSU, ala-de-força 2,05m, primeiro anista.
Médias: 12.3 pontos, 9.2 rebotes e 3.1 tocos.
Não fez tanto barulho na temporada regular, mas despertou durante o torneio da NCAA, o que convenhamos não é para qualquer um. Especialista em defesa, um pouco baixo para jogar de pivô na NBA. É atlético para defender o garrafão e lembra Ben Wallace, apesar de mais rápido e leve. Talvez precise ganhar um pouco de massa e encontrar seu estilo ofensivo. Talento ele tem.

Andrea Bargnani
Benetton Treviso, ala-de-força, 2,09m.
Médias: 10.9 pontos, 4.1 rebotes, 1.3 roubadas.
Bom jogo de pés, sabe conduzir a bola. Gosta de jogar um contra um. Versátil, pode jogar de ala ou pivô também. Mas é pouco atlético para jogar na NBA. Precisa aprender a se posicionar melhor nos rebotes. Não tem muita visão de jogo e não passa muito bem a bola. Ainda assim, é o melhor europeu no draft.

Rudy Gay
Connecticut, ala 2,03m, segundo anista.
Médias: 15.7 pontos, 2.2 assistências, 6.8 rebotes, 1.9 roubada.
Faz de tudo um pouco. Arremessa bem, rouba bolas, bloqueia... enfim, o sonho de consumo de todo técnico. Era a provável primeira escolha, candidato a estrela imediata. Mas a fama antecipada subiu à cabeça. Gay se julgou acima de outros na NCAA e ficou desmotivado por não se sentir desafiado. Mesmo assim, será uma escolha alta e pode se tornar a peça que faltava para o Charlotte Bobcats deixar de brigar pela lanterna e entrar na disputa da conferência Leste.

Brandon Roy
Washington, armador 1,98m, quarto anista.
Médias: 19.9 pontos, 4.1 assistências e 5.5 rebotes.
Ótima visão de jogo e inteligência. Tem potencial para se tornar um jogador All-Star, desde que consiga desenvolver os arremessos de média distância.

Rodney Carney
Memphis, armador ou ala, 2m, quarto anista.
Médias: 17.2 pontos, 1.3 assistências, 4.3 rebotes.
Bom arremesso e versatilidade. Posiciona-se bem na defesa e antecipa os lances. Defeito principal: força demais os arremessos e tem excesso de confiança. Também não tem boa visão de jogo. Nada que um pouco de experiência na NBA não possa consertar.

LaMarcus Aldridge
Texas, ala-de-força, 2,08m segundo anista.
Médias: 15.6 pontos, 9 rebotes, 2 tocos.
Talvez o melhor ala-de-força disponível este ano. Tem bom controle de bola e arremesso de razoável para bom. Muitos o comparam a Chris Bosh. Sabe usar o corpo para ter vantagem contra outros oponentes. Comete muitas faltas devido à pouca experiência. Isso, aliás, pesa na hora de forçar um arremesso. Lembra um pouco o jogo de Elton Brand. Precisa ganhar velocidade. Com certeza, um dos melhores jogadores desse ano.

Pj Tucker
Texas, ala, 1,95m, terceiro anista.
Entrou no draft sem agente.
Médias: 16.2 pontos, 2.7 assistências, 9 rebotes.
Sabe pontuar, posiciona-se bem, muito bom reboteiro - liderou a temporada regular em rebotes ofensivos. Joga com muita garra, inteligência e plasticidade. Gosta de atacar a cesta. Precisa desenvolver o arremesso de longa distância. Um dos melhores da liga e um dos jogadores mais subestimados também. Estilo de jogo muito semelhante ao de Shawn Marion - mas o arremesso é bem mais bonito. Candidato a calouro do ano, desde que tenha minutos em quadra.

Adam Morrison
Gonzaga, ala ou ala-de-força 2,03m, terceiro anista.
Votado como melhor da NCAA em 2006
Médias: 28.1 pontos, 1.8 assistências, 5.5 rebotes.
Famoso pelo seu bigode. Arremessa, pontua e sabe liderar um time. Mas tem vários poréns: não joga defesa, não é atlético, não sabe se o problema de diabetes pode afetar a carreira na NBA, não tem um bom jogo de pés, não controla bem a bola. Posso estar totalmente enganado sobre ele mas, se tivesse uma escolha alta, não iria com Morrison. No caso de eu estar enganado, justiça seja feita: ele pode ser tão bom quanto as lendas Larry Bird, Pete Maravich e John Havlicek.

 



Voltar ao índice de textos de Gustavo de Oliveira

 

C O L U N I S T A S



Splitter, Oden, Ray Allen e o trio
da Flórida: o melhor do draft-07




Mesmo chegando até o fim, o
Nacional ainda é uma decepção



Bate-papo com o brasileiro
Jonathan Tavernari, de BYU



Para Ricky Rubio, chegou a hora de
mostrar serviço entre os adultos



Após 47 colunas, um "até logo"
para os leitores do Rebote


P E R S O N A G E M




NENÊ
Denver Nuggets

Clique aqui e saiba mais


 





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Edição e webdesign: Rodrigo Alves