09/09/2006 - 02:39

A próxima celebridade


Não fosse a mudança de regras da NBA, talvez esse garoto chamado Greg Oden tivesse disputado com Chris Paul o prêmio de melhor calouro do ano na temporada passada. Ele é mais um desses talentos raros que surgem no basquete a cada 20 anos, feito LeBron James. Com seus 2,18m (2,30m de envergadura, mas ele ganha mais um metro pulando), o jovem pivô de 18 anos, cujo talento é comparado por olheiros e especialistas a ninguém menos que Tim Duncan e David Robinson pelos, deve estrear na NCAA. O menino que chegou a ser chamado por Mike Krzyzewski para os treinos com a seleção americana após o corte de Lamar Odom deve ser a atração do torneio deste ano.

"Sabe esses caras que já nascem para ser campeões? Oden é um deles”. A frase teria sido dita por um diretor de basquete da Reebok. Mas ele não estava pensando em Dwyane Wade ou Shaq quando disse a frase. A referência era clara: Bill Russell, Wilt Chamberlain, Kareem Abdul-Jabbar. Oden, porém, é mais humilde.

“Eu nunca me vi ao lado dessas pessoas, essas lendas. Mas qualquer coisa é possível se você continuar trabalhando duro para isso”, disse, mostrando maturidade. Deixando um pouco a empolgação de lado, no fundo o diretor tem certa razão.

Greg Oden talvez se inspire num de seus predecessores da posição, bem como o diretor da Reebok imagina: Bill Russell. Seu estilo de jogo claramente prioriza a defesa.

“Ele entra na mente do adversário” afirmou um olheiro certa vez. Realmente, o garoto antecipa bem as jogadas, chegando perto do oponente mesmo estando a 3,5m de distância e forçando o arremesso. Com um posicionamento excelente abaixo da cesta, ocupa muito espaço e é também um especialista em deflexões. Só peca um pouco nos rebotes, e deverá treinar intensamente esse fundamento na faculdade. O que Oden gostaria mesmo era de aumentar os rebotes ofensivos. Para espanto de muita gente, ele é fã de Carlos Boozer, a quem considera um jogador marrento por pegar muitos rebotes ofensivos e cravar na cesta logo em seguida.

Outro fundamento que ele deve trabalhar bastante é o arremesso. Não que não tenha qualidade ou seja um novo Shaq. Oden sempre anotou poucos pontos para um pivô dominante. No último ano, teve aproveitamento de 74%, suficientes para manter 22 pontos de média. O novo técnico, Thad Matta, acredita que ele poderá superar os 30 pontos por jogo na NCAA. Como se tudo isso não bastasse, ele ainda é um exímio passador, fazendo os adversários pagarem pelo uso da marcação dupla ou tripla.

Sensação dos campeonatos colegiais, desde os 15 anos Oden já era notado pelos olheiros. Ainda assim, sempre se mostrou modesto, repetindo que, naquele momento, havia atletas melhores que ele.

O atleta passou os último três anos de sua vida sendo assediado por diversas universidades, entre elas North Carolina, Wake Forest, Illinois e Indiana, até finalmente ser recrutado por Ohio State - time que, no último campeonato, era esperado para ficar pelo menos entre os oito melhores do país, mas caiu logo na segunda rodada. Apesar disso, a equipe manteve a mesma base forte e agora ganhou um reforço enorme para uma posição carente na maioria dos elencos.

Mesmo com todas as ferramentas para ter um super time esse ano, Ohio State não é apontado como bicho-papão da temporada 06-07. Outras universidades tradicionais também se reforçaram.

North Carolina, por exemplo, tratou de cercar de talento Tyler Hansbrough, jogador que no último campeonato anotou 27 pontos contra Duke na quadra do Coach K. Além disso, a Universidade da Florida vem com a mesma base que venceu o torneio ano passado, com Joakim Noah, Al Horford e Corey Brewer. Kansas, que fez barulho com um elenco praticamente de segundo-anistas liderados pelo calouro Brandon Rush, também deve vir com tudo.

Ciente dos adversários, Oden já deu a entender que deve permanecer pelo menos mais alguns anos disputando a NCAA e aprimorando seu jogo.

Para Ohio ir além dos outros times, vai precisar que Oden esteja saudável. O novo Buckeye tem um pino no pulso de uma operação recente, quando rompeu completamente os ligamentos. Por conta disso, não deve estrear na NCAA até 2007. Mesmo assim, Ohio não terá problemas para repetir a campanha na temporada passada, quando sagrou-se campeã da conferência Big 10.

Com todo esse status de estrela, a certeza de que deverá ingressar na NBA em breve, e assinar um contrato milionário com alguma marca de tênis, resta saber então o que mais Oden pode querer da vida. Ele mesmo responde:

“Só quero melhorar, entrar em quadra e dar o meu melhor. Ser amigo dos demais jogadores. Vencer todos os jogos que disputar. Basicamente isso”.

Discurso de quem nasceu para brilhar.

 



Voltar ao índice de textos de Gustavo de Oliveira

 

C O L U N I S T A S



Splitter, Oden, Ray Allen e o trio
da Flórida: o melhor do draft-07




Mesmo chegando até o fim, o
Nacional ainda é uma decepção



Bate-papo com o brasileiro
Jonathan Tavernari, de BYU



Para Ricky Rubio, chegou a hora de
mostrar serviço entre os adultos



Após 47 colunas, um "até logo"
para os leitores do Rebote


P E R S O N A G E M




NENÊ
Denver Nuggets

Clique aqui e saiba mais


 





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Edição e webdesign: Rodrigo Alves