Antes do término da primeira rodada do draft, eu já não acertava mais nada. O NBADraft.net atualizou seus palpites no dia anterior às escolhas e acertou um pouco mais. O Draft Express, que atualizou o mock na manhã de quarta-feira, ainda acertou um ou outro jogador da segunda rodada. A conclusão que se chega é que o draft 2006 foi exatamente como se esperava: imprevisível.
A explicação para esse fenômeno simples: quase todos os jogadores estão no mesmo nível. Ficou a impressão de que não há nenhuma estrela para mudar a história de alguma franquia em 2006, como ocorreu com o Cleveland há três anos. O que não quer dizer, veja bem, que a classe seja fraca. São bons atletas, com boa técnica e aplicação. Alguns podem até jogar em mais de uma posição, os chamados “combo players” - entre eles Randy Foye e Brandon Roy. Os especialistas, por sinal, apontam que jogadores com essa versatilidade são uma tendência para o futuro da liga.
Com a imposição da idade mínima de 19 anos, os astros colegiais deste ano vão disputar a NCAA. Isso deve elevar o nível do campeonato universitário e proporcionar mais experiência paras jovens, que às vezes chegam à NBA crus e levam de três a quatro temporadas para explodir. Com toda essa combinação, pode-se esperar e muito do draft de 2007.
Mas então quem se deu bem neste ano?
Para os que se recordam ou não das colunas anteriores, em que tratei das necessidades de cada time, aí vai o ranking dos campeões do draft. Levei em conta escolhas e trocas de cada equipe, de acordo com o que se esperava que eles fizessem.
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OS VENCEDORES:
1. Portland Trail Blazers
O time conseguiu o jogador que queria: LaMarcus Aldridge. De quebra, começou a limpeza no elenco mandando o encrenqueiro Sebastian Telfair e o sempre contundido Theo Ratliff para bem longe. Para quem não se lembra, o primeiro foi preso tentando entrar num avião com uma arma sem regulamentação escondida dentro do travesseiro (difícil acreditar que ele não sabia). O Portland também se livrou de Viktor Khryapa, que nunca chegou a fazer alguma coisa em quadra. Enquanto isso, vale lembrar que Zach Randolph e Darius Miles pediram para sair e a diretoria estuda como fazer isso. Dan Dickau volta à equipe, mas deve jogar pouco, já que Brandon Roy e o espanhol Sergio Rodriguez chegaram para reforçar a armação. Raef LaFrentz terá minutos com a saída de Ratliff, mas vai ter de se contentar com o banco mais uma vez - é muito provável que Aldridge passe a ser o ala-de-força titular e Joel Przybilla fique como pivô. Por fim, o inglês Joel Freeland nem deve fazer parte do elenco agora. Ele vai passar um período de aprendizado na Europa até que seu jogo melhore e, muito provavelmente, voltará em 2009, quando acaba o contrato de LaFrentz.
2. New Orleans Hornets
A equipe que mais promete na NBA segue acertando. Como era previsto, os cartolas trouxeram o ala-de-força/pivô Hilton Armstrong para ser titular (no lugar de PJ Brown) e Cedric Simmons para a sua reserva. De quebra, o time adicionou Marquinhos para a reserva de Desmond Mason, que não consegue manter a regularidade. Rasual Butler e Marcus Fizer realmente devem sair e o brasileiro pode ganhar espaço e prestígio.
3. New Jersey Nets
Por sorte ou incompetência de algums gerentes, os Nets conseguiram trazer a dupla de sucesso da Universidade de Connecticut: Marcus Williams e Josh Boone. Esperava-se que Williams ficasse entre os 10 primeiros e, de alguma forma, ele sobrou. Talvez por ter sido considerado “irresponsável” ou “indiciplinado” já que durante a offseason ele literalmente roubou alguns laptops da universiade, foi preso e impedido de jogar. New Jersey indo para Nova York e virando um grupo de bad boys? A conferir. De qualquer forma, foi bom ter adicionado o armador ideal para a reserva de Jason Kidd, que cada vez mais aproxima-se da aposentadoria. Josh Boone reforça o garrafão, que não foi lá grande coisa na última temporada, já que Nenad Krstic foi o único que desempenhou bem seu papel. Por fim, chega o habilidoso Hassam Adams, para reforçar um banco carente.
4. Chicago Bulls
Conseguiu Tyrus Thomas e Thabo Sefolosha, dois defensores para deixar Scott Skiles feliz. Vikto Khryapa chega, mas não é um pivô. Vai ver o gerente John Paxson achou que estava trazendo Joel Przybilla. O time segue precisando de alguém para a posição 5.
5. Memphis Grizzlies
Jerry West trouxe Kyle Lowry, Rudy Gay e Alexander Johnson para tentar renovar um elenco que, convenhamos, pode-se resumir a Pau Gasol e mais 11. O time perde um pouco em defesa com a saída de Shane Battier, mas ganha em talento e no ataque com Rudy Gay, um dos poucos da nova safra com possibilidade de virar uma estrela nesta temporada.
6. Boston Celtics
Sebastian Telfair ganha novos ares e vai jogar praticamente em casa (ele é de Nova York). A rotação no garrafão pode melhorar se Ratliff tiver um ano de poucas contusões. Por fim, a equipe adiciona o ótimo armador Rajan Rondo e um ala-de-força sólido em Leon Powe. Nada mau para quem tinha de agradar Paul Pierce e reforçar o elenco com apenas uma escolha.
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OS PERDEDORES:
1. Atlanta Hawks
Como o gerente Bill Knight tinha prometido, a opção foi por talento, em vez de correr atrás das necessidades do elenco. Shelden Williams pode até se tornar um grande jogador, mas não é nenhum salvador. Na segunda rodada, Knight escolheu Solomon Jones, outro ala da mesma posição de Williams. Vai entender.
2. New York Knicks
Isiah Thomas foi vaiado por ter escolhido Renaldo Balkman. Mereceu. Tudo bem que o ala da Carolina do Sul quase classificou a equipe sem tradição na NCAA para o campeonato e que ele tem muita gana. O gerente e técnico do Knicks pode até justificar dizendo que Renaldo será um jogador entre Ron Artest e Dennis Rodman, mas francamente: se o temperamento do calouro no já conturbado Madison Square Garden for igual ao desses dois, Isiah de fato merecerá a surra que a torcida queria lhe aplicar. Mardy Collins salvou o draft do New York já que, esse sim, é bom defensor e passa bem a bola.
3. Seattle Supersonics
Três escolhas: Saer Sene, mais um pivô que chega como promessa; Denham Brown, armador que defende bem, mas é nulo no ataque; e Yotam Halperin, que na melhor das hipóteses pode ser o novo Beno Udrih. Um draft de jogadores duvidosos, quando o time precisa de defensores e atletas sólidos.
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Só saberemos se os outros gerentes escolheram bem quando o campeonato começar. Por agora, Portland, New Orleans, New Jersey, Chicago, Memphis e Boston podem comemorar.