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21/04/2006 - 16:52 Batalha universitária
JJ Reddik, o bom menino queridinho da mídia, saiu de quadra chorando sob o coro da torcida de “overrated” (superestimado). O mesmo aconteceu com Gerry McNamara, de Syracuse (um dos remanecentes do time de Melo), que fez ainda pior: só não saiu zerado de quadra porque acertou dois lances livres. Pouca gente viu Adam Morrison (eleito o MVP do torneio) chorando no banco antes de a partida acabar e, depois, socando o chão de raiva: duas falhas de JP Batista, o brasileiro de Pernambuco que pode se orgulhar de ter feito um campeonato brilhante, mas pode ser injustamente lembrado como “culpado” por ter, nos ultimos segundos do jogo, entregado a bola para o time da UCLA.
Não deu também para Connecticut de Rudy Gay, apontado a temporada inteira como o óbvio primeira escolha do draft de 2006. O bom time de Memphis, talvez o mais equilibrado do torneio, acabou morrendo na praia. Villanova, então, nem se fala: o time do técnico Jay Wright (melhor do ano) quase perdeu o armador Allan Ray, cujo olho esquerdo saltou para fora da órbita ocular numa colisão uma semana antes do torneio. Allan voltou e, jogando como nunca, levou Villanova até onde pôde.
Apesar de não serem favoritos, LSU Tigers, ULCA Bruins, George Mason Patriots e Florida Gators chegaram. Então vamos dar uma olhada nesses times:
Entre esses, apenas Florida não foi campeão da divisão. O time conta com cinco sophomores ou segundo anistas entre os titulares. Mesmo assim, a equipe do bom Joakim Noah - que decidiu não fazer sua inscrição para draft - não sentiu a falta de experiência no torneio e chegou com o bom jogo de garrafão e defesa compacta. A NCAA é diferente dos playoffs da NBA.
Na NCAA, devido à quantidade de times, os jogos são de mata-mata, disputados em partida única e quadra neutra. Surgem zebras como Wichita State vencer Tennessee (esse sim o campeão da divisão em que Florida foi vice) ou Bradley University (que tem pouco mais de 5 mil alunos e fica localizada em Peoria, Illinois) derrubar Kansas e Pittsburgh.
Jogando defesa, união, raça e, vá lá, um pouco de sorte, George Mason, essa sim, a maior zebra de todas por ter chegado ao Final Four. Vindo da pequenina Fairfax, Virginia (pouco mais de 20 mil habitantes), o time da universidade com quase 30 mil alunos, liderado por Jai Lewis, conseguiu vencer Connecticut no último minuto e chegou aonde ninguém imaginava.
Já que estamos falando em defesa, a versão universitária do San Antonio Spurs e do Detroit Pistons vem da California. Ninguém é campeão por acaso: UCLA, o maior vencedor do torneio (11 vezes), que revelou para o mundo “apenas” Kareem Abdul-Jabbar, Bill Walton e Reggie Miller, sabia que, se neutralizasse o time adversário, poderia chegar longe. E realmente chegou. Jogando um basquetebol feio, sem muita emoção, porém com grande eficiência, o time do armador Arron Affalo derrotou Gonzaga e Memphis, este último num joguinho de fazer qualquer torcedor curioso perder a paciência e mudar de canal.
O que dizer então da LSU? Jogando da mesma forma que os outros três, chegou com sua nova versão de Shaquile O´Neal. Pouca gente lembra que o grandalhão já defendeu os Tigers no passado. Coincidência ou não, refiro-me a Glen Davis, o “Big Baby”, ou “Baby Shaq”, que recentemente optou por não fazer sua inscrição no draft. Com seus 136kg distribuídos nos seus 2m de altura, o jogador é de fato bem parecido fisicamente com Shaq, apesar de ser um pouco mais baixo. Mas durante o torneio o então desconhecido Tyrus Thomas (esse, sim, resolveu apostar e recentemente declarou sua intenção de ser draftado) resolver tomar uma atitude, chamar a responsabilidade para si e jogar como nunca. Com um estilo de jogo semelhante ao de Big Ben Wallace, Tyrus era a segunda opção ofensiva do time. Foi jogando defesa e pontuando que o jogador acabou com Duke, por exemplo, e por isso hoje é cotado para ser o primeiro escolhido no draft de 2006, marcado para 28 de junho.
Assim começou o Final Four.
Florida acabou com a alegria da zebrinha e mandou George Mason para casa mais cedo. O destaque, claro, não poderia ser outro: Joakim Noah, com 12 pontos, oito rebotes e quatro tocos em 26 minutos (os jogos universitários tem apenas 40 minutos). UCLA não tomou conhecimento de Tyrus Thomas e Glen Davis. Passou com certa facilidade. O destaque foi o primeiro-anista camaronês Luc Richard Mbah a Moute, que castigou a cesta com suas enterradas e tomou conta do garrafão defensivo.
Então veio a final, Florida x UCLA. Não deu outra. Noah sobrou em quadra: 16 pontos, nove rebotes e seis tocos. UCLA, a melhor defesa do campeonato, não teve gás para marcar o adversário.
No torneio nivelado, o que vai sair da classe de 2006 - como eles chamam por aqui - ainda é desconhecido. Fica a expectativa sobre os jogadores que vão decidir arriscar ou não a sorte na NBA ou na NBDL. O draft deste ano pode ser fraco, mas também pode ser muito forte, como o de 2003. Uma coisa, porém, é certa: os jogadores deste ano são eficientes e sabem defender.
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