Na trilha do sucesso



Jonathan se destacou saindo do banco de BYU na última temporada

 
 

Ele foi o grande destaque brasileiro na NCAA e é uma das esperanças no futuro da BYU. Depois de uma das melhores temporadas da história de sua universidade, Jonathan Tavernari, combo-ala de 20 anos recém-completados, 1.98m e 97kg, já foi destaque em capa de jornal em Provo, recebeu o prêmio de melhor calouro da conferência Mountain West e está indo para apenas o segundo ano de faculdade.

JT conversou com o Rebote sobre o torneio da NCAA, a seleção brasileira, o ex-BYU Rafael Baby Araújo, o tio Walter Roese, a família e, claro, o que espera do futuro.

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- O que você sentiu quando pisou na quadra em Lexington e se deu conta de que não estava mais disputando um jogo da conferência da MWC e sim um mata-mata?
Jonathan Tavernari - Tudo aquilo que eu vi quando criança em filmes e na TV, parecia que eu era um personagem na história. Eu sempre sonhei em jogar na NCAA e disputar o Super 64 Tournament. Quando cheguei aqui há três anos, percebi que nada seria impossível para mim, inclusive jogar em lugares como Rupp Arena, The Palace of Auburn Hills e Delta Center.

- Como foi o jogo contra Xavier na NCAA? Vocês quase ganharam...
- No meu vocabulário, não existe quase. Ou você ganha ou você perde. É a mesma coisa com o "se". "Se" a gente tivesse feito isso ou aquilo... na hora H eles meteram as bolas que a gente geralmente mete e isso fez a diferença. Eu joguei mal e isso não ajudou muito, porque eu era o cara que vinha do banco e mudava o jogo. Como a maioria dos freshmen, o que eu fizesse seria lucro, mas todo dia eu estou seco para treinar e provar a mim mesmo que eu e a BYU estamos no mesmo nível das escolas que ganharam a primeira rodada.

- Fale um pouco sobre o que seu técnico, Dave Rose.
- Coach Rose sempre foi o cara que mais acreditou em mim aqui na BYU, depois do meu tio Walter Roese. Fiquei super feliz quando ele virou técnico, porque sabia que ele iria me cobrar como a mamãe ( Thelma Tavernari, técnica de basquete no Brasil) me cobrava. Mesmo sendo freshman, ele cobrava de mim mais que os seniors. Lembro o primeiro treino, quando peguei o rebote, levei a bola até o ataque e dei um chute super forçado. Eu meti, mas ele parou o treino e me envergonhou na frente de todo mundo. Tinha imprensa lá, famílias de jogadores, e ele me cobrou porque eu dei um arremesso forçado. Agradeço por ele me cobrar tanto, porque eu ficava e fico puto por ele me dar esporro e não via a hora de ir para a quadra no próximo dia de manhã e tirar minha frustração, mostrar para ele que eu sou o cara. Nos treinos, ele me dava esporro, mas depois me chamava de lado e conversava.

- Você se surpreendeu quando ele foi eleito técnico do ano da MWC, o Keena Young foi escolhido o jogador do ano e você, o melhor freshman?
- Não. Na primeira reunião do ano, Coach Rose disse que todo mundo seria vitorioso se o time tivesse sucesso. Foi o que aconteceu. Eu, KT e o resto do time colocamos a equipe em primeiro lugar, por isso nos demos bem. Em alguns jogos o KT era o cara, em outros era o Trent, em outros era eu. E quando a gente jogava bem como time, ganhávamos de 20 ou 30 pontos.

- No que o tio Walter Roese (ex-assistente técnico da BYU) mais te ajudou? Você acredita que ele vai continuar o trabalho de recrutar na América do Sul agora que foi para San Diego?
- Eu devo muito, se não quase tudo, ao meu tio. Ele e a mamãe sempre me incentivaram para continuar treinando forte quando eu estava desanimado porque não tava jogando muito. O tio estava todo dia comigo de manhã treinando extra. Sem ele eu não teria sido o calouro do ano. Ele é uma excelente pessoa e um grande técnico.

- Seu estilo de jogo é mais parecido com o de qual jogador da NBA? Você torce para algum time da liga profissional?
- Eu vejo muito o Kobe Bryant. Não sou explosivo como ele, mas tento fazer o que ele faz. Assim que eu aprendi a jogar, via os jogadores da mamãe fazerem e tentava fazer no meu quarto na tabelinha que eu tinha. Eu não torço para ninguém porque não quero ter que jogar contra um deles. Mas eu assisto a muitos jogos. Vejo o Leandrinho e tento fazer as bola no contra-ataque como ele. Vejo o Nowitzki e tento fazer os fadeaways como ele. Vejo o Kidd e tento entender como ele vê os companheiros livres. Quando eu vejo basquete não fico vendo as "jogadas show", como meu tio Marcel dizia, eu fico vendo os detalhes que fazem a diferença entre um bom jogador e um grande jogador.

- Você é um jogador bem versátil como eu já destaquei numa coluna sobre você um tempo atrás. Mas qual é a posição que realmente te agrada?
- Haha, eu gosto de jogar. 1, 2, 3, 4 ou 5. Eu quero estar na quadra. A mamãe me ensinou a ser versátil, e por isso eu jogo de 1, 2, 3 e 4 aqui na BYU. Minha posição favorita é 2 ou 3 porque eu posso jogar com a bola na mão. Aprendi a jogar sem bola, mas quando eu estou com a menina eu realmente me divirto.

- Você pensa em defender a seleção brasileira um dia? O técnico Lula já chegou a entrar em contato com você?
- Como todo jogador de basquete, a maior honra que você pode alcançar é representar seu país em competições internacionais, mas eu nunca ouvi nada de ninguém sobre seleção. O tio sempre me fala para treinar e ficar quieto, porque o resto acontecerá, então eu estou esperando.

- Antes de você vir para os EUA, algum clube europeu te procurou?
- Não. Eu sempre quis vir para cá jogar em colégios e, depois, na NCAA. Europa é mais para frente, depois que eu me formar. Outra coisa, não tem videogame das ligas européias. Aqui, tem da NCAA e a BYU ja ganhou dois Final Fours comigo!

- JP Batista ficou dois anos na NCAA, não foi draftado e acabou na Europa, onde hoje é sucesso. O jogador que sai de um bom programa da NCAA para a Europa tem mais vantagem do que um atleta que desenvolve seu jogo por lá?
- Depende de cada caso. É difícil falar. Eu fui ensinado que, se você treina e dá seu máximo, sendo uma boa pessoa e tendo fé em Deus, o céu é o limite.

- Você fala muito em ir para a Europa, e também é muito religioso. Você pensa em fazer seu retiro por lá?
- Todos nós podemos traçar nossas origens para lá. Meus avós paternos são de lá, por isso tenho passaporte italiano. Mas meu objetivo, como o de todos, é a NBA. Não sou tão santo também, só que aprendi com a mamãe e o papai que tudo tem um porquê, e Cristo e Deus são responsáveis por tudo. Meu reiro será em Las Vegas. Eu amo Las Vegas e vou morar lá até morrer.

- Você fala muito da sua mãe. Qual é a lição mais importante que ela te passou?
- Ser positivo sobre tudo na vida. Não importa a situação, o que está acontecendo, ou o quanto você está em encrencado. Ser positivo sobre tudo na vida é a maior lição que mamãe e papai me ensinaram. Eles são a maior benção que eu tenho e a primeira coisa que eu vou fazer quando for draftado e trazê-los para cá!

- Na sua opinião, o que deu errado com Baby na NBA?
- Na NBA, eles têm muitos jogadores, e cada posição tem uma função. Você tem que fazer seu trabalho bem feito pra ganha o jogo. Na BYU o Rafa era, e é ainda, “o cara”. Aqui ele chutava de três, socava, pontuava, fazia de tudo. Na NBA ele tem que pegar rebote, marcar, fazer corta-luz e ajudar a estrela do time a ganhar. É muito difícil fazer a função do Rafa na NBA. Mas ele está sendo pago e o time dele foi para os playoffs, ele é parte disso. É um grande amigo, que eu escuto. Ele passou pelo que estou passando e sabe o que tem que ser feito pra ser bem sucedido na NCAA.

- Então quais são suas expectativas para o futuro da BYU? Já dá para ser titular na próxima temporada?
- A BYU é uma faculdade com fama no basquete. Até os anos 80 a gente sempre esteve lá no topo dos rankings, e meu objetivo, assim como o a da escola, é trazer o glamour para a faculdade, e obviamente para a igreja, porque nós a representamos. Titular ou não, eu vou fazer tudo o que puder para ajudar o Coach Rose a ganhar jogos. Não importa quem começar no jogo, mas quem está na quadra na hora que o jogo está pau a pau. Ano passado, eu estava na quadra nos jogos quando o bicho pegou, e é isso que é importante. O Leandrinho não é titular, mas quando o bicho começa a pegar, o mano põe ele, ele vira o jogo e volta para o banco. A mesma coisa aconteceu comigo. A única coisa que eu sei é que vou ter muito mais responsabilidade na próxima temporada. Sou um dos três caras que jogaram ano passado e foram destaques do time. Com sucesso, vêm responsabilidade e pressão. O papai sempre diz: "chegar lá em cima é difícil. Ficar lá é mais ainda!"

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e-mails para: gustavodeoliveira@rebote.org






 
13.julho.2007 / Imagem: Reprodução

Na última coluna: A análise do Draft 2007.

 
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C O L U N I S T A S



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da Flórida: o melhor do draft-07




Mesmo chegando até o fim, o
Nacional ainda é uma decepção



Bate-papo com o brasileiro
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Para Ricky Rubio, chegou a hora de
mostrar serviço entre os adultos



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Edição e webdesign: Rodrigo Alves