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06/01/2007 - 18:47 O rock tá na moda
Foi numa das coberturas da NCAA, lá no Draft Brasil, que, na busca por um brasileiro no universitário norte-americano para suprir a ausência do Rafael Araújo, o Baby, que acabava de deixar a BYU para o Toronto Raptors, encontrei o Batista. Sem grandes atributos, uma história prévia ou coisa que o valha. De positivo? Estar na mesma universidade em que jogou John Stockton, em que jogava agora Adam Morrison.
Nem me empolguei. Morrison empolgava. O resto da história, a maioria já sabe: Morrison levou duas temporadas apenas para se tornar sensação em toda a América, cestinha principal da liga universitária. De carona, Batista pegava no tranco. E, de tranco em tranco, se tornou um jogador interessante. Aos barrancos, pontuava dígitos duplos e atraía a atenção. Era tudo o que precisávamos para comover a mais carente comunidade esportiva da internet brasileira.
Impossível então não falar de Alfredo Lauria, amigo de longa data e companheiro na editoria do Draft Brasil, que insistiu em acompanhar o pernambucano. De jogo em jogo, e de buffer e buffer, ele se empolgava. Numa entrevista de um dos treinadores universitários que acabavam de enfrentar Batista, Lauria roubou o apelido: “Ele é muito forte, parece uma rocha”. Estava batizado. Meses depois, Melk, na sua saudosa coluna na Folha, fazia coro e definia o apelido: “A Escola do Rock”, defendendo a convocação do ala-pivô para o Mundial, nem que ao menos fosse para testá-lo na fase de preparação.
E não é que o lobby funcionou? Lula o chamou. Batista não atendeu. Tentava realizar o sonho de sua vida em uma das ligas de verão para a NBA. Não conseguiu. Rumou para a Lituânia, defender o Lietuvos Rytas, a equipe atual campeã de um dos campeonatos mais tradicionais de bola ao cesto de toda a Europa.
Já é ano novo, e a temporada anda. Na metade dela, o Rytas é líder isolado do grupo B, com 11 vitórias e uma derrota. Batista lidera a equipe em pontos por jogo, com 14.2. Lidera também em rebotes por jogo, com 6.8. Tudo isso com controlados 21 minutos por jogo. No ranking de eficiência, o brasileiro também é o melhor da equipe, com 18 pontos. Na ULEB Cup (se a Euroliga é a Champions League, a ULEB Cup é a Copa da Uefa, entende?), repete a liderança da equipe em pontos, com 11.3. Nela, o time também lidera o grupo, o A, com seis vitórias e duas derrotas. Há ainda a LKL, uma liga local de menor importância que o Rytas também disputa, e também lidera: oito vitórias e nenhuma derrota.
Tanto sucesso, claro, foi premiado. JP Batista foi indicado para o All Star Game lituano. Diferente do da NBA, em que jogam os do Leste contra os do Oeste, na Lituânia jogam estrangeiros contra locais. Em menos de duas semanas de votação, a parcial que o site dava até o fechamento da coluna apontava para “The Rock” como o mais votado, com 9338 votos, quase mil a mais que o segundo, Curtis Millage, armador do Riga. Os que tiverem interesse de ajudar nessa votação, podem fazer diariamente, neste link.
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Pra não dizer que não falei das flores - Como todo o início, não foi fácil para JP Batista se adaptar ao basquete lituano. Não bastassem todos os problemas com a adaptação, o seu treinador, Sharon Drucker, insistia com decisões pitorescas e de gosto duvidoso, como deixar no banco Zukauskas, considerado um dos mais experientes e importantes jogadores da equipe.
A solução foi demitir o treinador. E chegou um dos mais importantes treinadores da Europa: Zmago Sagadin. Só assim a equipe evoluiu o seu nível técnico e todos melhoraram. Inclusive JP “The Rock” Batista.
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