Quando ele nasceu, já não havia muro de Berlim e a Alemanha rumava para uma unicidade perdida nos tempos de Guerra Fria. Na esteira do fim da bipolaridade pré-anos-90, é válido também dizer que, quando ele nasceu, a Perestroika, que daria fim à União Soviética, já estava a pleno vapor. Se apontarmos o foco para o Brasil, diria que, quando nasceu, Ulysses Guimarães já havia erguido a Constituição, Collor vencido Lula e Tocantins se tornado estado da república federal.
Quando o rapaz nasceu, Senna já era campeão de Fórmula-1; o basquete brasileiro, do Pan de Indianápolis; a Alemanha, tri de futebol; e a Sharapova já tinha três anos. Quando ele nasceu, até Alexandre Pato já tinha um ano.
Em vida, jamais poderia conhecer Cazuza ou Drummond, pois, quando nasceu, já estavam mortos. Espanhol que é, não conheceria também seu conterrâneo Salvador Dali.
Quando veio ao mundo, o projeto do Super Nintendo já estava pronto, à espera do lançamento. O RPM de Paulo Ricardo já havia tido seu auge e decadência, já era preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, já existia a internet, o Domingão do Faustão, o Jô Onze e Meia...
Ricky Rubio é o tipo do cara que nos faz sentir terrivelmente velhos.
Nascido em 21 de outubro de 1990, o espanhol é a promessa de próximo gênio do basquete campeão do mundo. Hoje, com 16 anos, já joga 19 minutos por partida no campeonato espanhol por um time de ponta – o DKV Joventut. Tem médias de quatro pontos, três rebotes e duas assistências. Só para comparar, a principal aposta brasileira para a posição, Marcelinho Huertas, 23 anos, seu companheiro de time, joga 10 minutos em média. Na competição mais importante da Europa, o jovem também já tem o seu espaço na equipe, jogando 18 minutos por partida, anotando 3.8 pontos, 3.3 assistências, 3.3 roubos de bola (líder da competição) e 2.3 rebotes. Isso jogando no mais alto nível de basquete extra-NBA do planeta.
Rubio aterrorizou o mundo no Europeu sub-16, disputado simultaneamente ao Mundial de Basquete. Campeão e MVP do torneio, o armador espanhol emplacou na semifinal um raro quádruplo-duplo: 19 pontos, 10 rebotes, 13 assistências e 11 roubadas. Na final da mesma competição, Ricky exagerou: 51 pontos, 24 rebotes, 12 assistências e sete roubadas. Com direito à bola matadora no estouro do cronômetro do meio da quadra no fim do tempo normal, que foi até destaque aqui no Rebote na seleção de melhores vídeos do YouTube.
Estava claro que já tinha ficado pra trás o tempo de jogar com crianças.
Ricky Rubio vive agora em um mundo de gente grande e, por isso, apesar da pouca idade, é posto à prova o tempo todo. O time não terá vida fácil no Top16 da Euroliga - perdeu já na estréia para o poderoso CSKA - e na Liga ACB sustenta um importante quarto lugar, com 13 vitórias e sete derrotas até o fechamento desta coluna. Em vez de meninos na puberdade, os adversários de hoje são craques experientes de altíssimo nível, e a transição não tem sido muito fácil, como os números da temporada já comprovaram. Mas quem já viu garante que é questão de tempo para que Rubio se torne o dono do time, da bola e dos holofotes:
“Ele não se afeta com a tentativa de veteranos em pressioná-lo. Ele sabe como suportar a pressão e continuar jogando” - Elmer Bennett, armador de 37 anos do DKV Joventut.
“É muito difícil jogar contra ele te defendendo, e olha que ele ainda é muito magro. Quando ganhar alguns quilos, vai ficar ainda pior” - Davor Kus, do Cibona.
“Você vê que ele sabe o que está fazendo. Ele não está jogando com os profissionais só pelo seu talento. Ele conhece o jogo e só tem a evoluir - Pepe Sanchez, armador campeão olímpico pela Argentina em 2004.
As frases foram ditas ao site da Euroliga, em matéria especial sobre Ricky.
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Antepenúltima
Sobre a principal cesta de sua vida, Rubio disse: não fui eu, foi Guillem, em homenagem a um companheiro do juvenil do DKV Joventut, morto em acidente de moto. Guillem Raventós usava a número 11 na categoria cadete do time de Badalona. O número foi aposentado pela direção do clube.
Penúltima
Rubio tem 1,90m e 16 anos.
Última
Mozart escreveu sua primeira ópera aos 12 anos. Rimbaud escreveu toda sua obra antes dos 20. Tatum O’Neal ganhou um Oscar aos 10 anos. Pelé foi campeão do mundo aos 17. Ricky Rubio estreou como profissional aos 14, o mais novo da história da Liga ACB.
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