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21/12/2006 - 23:26 Natal em Denver
Em troca de Andre Miller, Joe Smith e duas escolhas no próximo draft, Denver recebeu o segundo cestinha da temporada, com um currículo que inclui uma participação em final (2001), um troféu de melhor jogador da NBA (2001) e quatro temporadas como maior pontuador da liga (98-99, 00-01, 01-02 e 04-05).
Na minha terra, um negócio desse tipo é chamado de... bem, de negócio da China. Mas há gente de respeito classificando a troca de “aposta arriscada” para os Nuggets. O Rebote aproveita os cinco dias até o Natal para dissecar os cinco principais pontos de incerteza em relação à aquisição de Iverson – e, quem sabe, permitir que, até lá, os fãs dos Nuggets possam aproveitar plenamente a sensação de serem donos do melhor presente embaixo da árvore.
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Uma bola para dois – Os dois cestinhas da temporada, coincidentemente também dois dos mais notórios fominhas da liga, não podem conviver em harmonia. Correto? Até certo ponto. É consenso entre os críticos que, depois de alguma dificuldade, Melo atingiu um nível de maturidade mais condizente com seu talento. Por sua vez, Iverson pediu a conta em Philadelphia justamente por não agüentar mais carregar um bando de medíocres nas costas, dia após dia. Conclusão: os egos podem ser gigantes, mas não parece exagero acreditar na possibilidade de uma conciliação de interesses. Neste ponto, o quebra-pau no Madison Square Garden até ajudou, reduzindo o tempo disponível para um eventual desgaste durante a fase de classificação.
Conflito de gênios – Se em quadra pode faltar bola para Melo e AI, do lado de fora o temor é de que George Karl não suporte o estilo Iverson por muito tempo. Casos recentes (Kenyon Martin) e antigos (Gary Payton) são citados como exemplos de relacionamentos explosivos entre o treinador e estrelas temperamentais. Mais uma vez a principal fonte de esperança é o interesse comum. Os Nuggets batalharam por Iverson desde o início e em nenhum momento Karl apareceu como opositor da transação. E a razão é simples: ele acredita que AI pode ajudá-lo a conseguir o troféu que falta em sua coleção. Não há melhor motivo para engolir o orgulho. Pelo menos no começo.
Peso da idade – Parece disco quebrado. Entra ano, sai ano, os videntes não perdoam: Iverson não vai agüentar correr e levar pancada por muito tempo. Pois AI foi o cestinha em 2004-05, com 30.7 pontos, e vice em 2005-06, com média superior (33 pontos). Neste início de temporada, aparece com 31.2 pontos, atrás apenas do novo companheiro Melo (31.6), e completa as estatísticas com 7.3 assistências e 2.2 bolas roubadas. É improvável que seu desempenho sofra uma queda abissal até 2009, quando completará o contrato atual, aos 33 anos.
Preço alto – É inegável: para garantir Iverson, Denver teve de abrir mão de um dos melhores armadores da liga (Andre Miller) e de um jogador experiente de garrafão (Joe Smith). Miller, em especial, deve fazer falta aos Nuggets. O armador estava numa das melhores fases de sua carreira (13 pontos, 9.1 assistências, 4.5 rebotes e 1.6 roubada por jogo) até o anúncio da troca. São números bastante respeitáveis. Mas a verdade pura e simples é que Miller, que também já passou dos 30, não é Iverson. Quanto a Smith, ninguém estaria preocupado com ele se um certo camisa 31 começasse a jogar à altura de seu “potencial”...
Presente e futuro – O salário de Iverson (US$ 18.3 milhões) praticamente elimina a possibilidade de novas contratações de impacto no curto prazo, e as duas escolhas cedidas aos Sixers significam que os Nuggets não devem ter novatos minimamente qualificados em 2007. Em outras palavras, por causa de um sonho efêmero, o futuro do time estaria ameaçado. A realidade é um pouco diferente. Mesmo que Iverson se revele um fiasco, Denver teria sob contrato na próxima temporada toda a base do time de hoje (Anthony, Camby, JR Smith e Najera), com a óbvia exceção de Miller. O único problema é a multa por ultrapassar o teto salarial da liga, uma preocupação que cabe ao dono da equipe, o bilionário Stan Kroenke.
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Iverson provavelmente terá um novo número nas costas quando entrar em quadra pelo Denver. O problema é que a camisa 3 dos Nuggets já tem dono: DerMarr Johnson. Se fosse por aqui, nosso amigo DerMarr já poderia começar a pensar em homenagear o treinador da universidade, o pai ou um jogador obscuro da Tanzânia. Mas na NBA a coisa costuma ser um pouco mais protocolar. Uma sugestão para Iverson seria o número 11, em homenagem a um polêmico técnico-cartola, só que o baixinho Earl Boykins chegou antes. Que tal o 51, invertendo o 15 de Melo, para mostrar a sintonia entre as estrelas? Taí uma idéia.
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A todos os companheiros reboteiros, um Feliz Natal!
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