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19/04/2005 - 00:35 MVP às avessas
Decepcionado em todos e mais variados sentidos: jogado abaixo do esperado, forçado situações prejudiciais à equipe ou esquecido que o basquete é um esporte coletivo. A proposta é premiar um jogador que poderia estar na disputa pelo título da liga, ou pelo menos nos playoffs, mas que vai passar o restante do mês de abril à frente da TV, assistindo ao início do que muitos consideram a verdadeira temporada da NBA.
Feita a introdução da láurea, apresentamos, em ordem inversa de favoritismo, os principais candidatos:
Zach Randolph – O que se deve esperar do vencedor do prêmio de jogador que mais evoluiu em uma temporada? No caso de Zach Randolph, do Portland, confiava-se pelo menos em um desempenho sólido e condizente com o modesto contrato de US$ 84 milhões que ganhou em novembro passado. Em vez disso, incomodado por uma contusão no joelho, em nenhum momento o ala-pivô conseguiu comandar a equipe, que ainda passeou pela zona de classificação, mas acabou afundando à medida que a temporada avançava. Para Randolph, a primeira chance como estrela do time se encerrou de vez em 15 de março, quando foi anunciado que não voltaria para os últimos 21 jogos dos Blazers.
Stephon Marbury – O sonho de muitos armadores da NBA é atuar ao lado de um jogador do quilate de Kevin Garnett. Não é o caso de Marbury. Depois de duas temporadas (96-97 e 97-98) ao lado do atual MVP, ele decidiu que queria um time só para si, para poder driblar, arremessar e infiltrar quantas vezes quisesse a cada jogo. Partiu para o New Jersey, onde não durou muito, tentou reencaminhar os Suns, novamente sem sucesso, e acabou nos Knicks. Com a chegada de Jamal Crawford e o retorno de Alan Houston, a primeira temporada prometia. E Marbury não decepcionou. Chamou o jogo para si, melhorou seus números e... vai assistir aos playoffs de casa. Nash e Kidd mandam lembranças.
Sam Cassell e Latrell Sprewell – Depois de ajudarem Garnett a garantir a melhor campanha do Oeste (58-24) e a primeira ida dos Timberwolves além do primeiro round dos playoffs, na temporada passada, os experientes Cassell e Sprewell resolveram assumir o papel de adolescentes deslumbrados. Aos 35 e 34 anos, respectivamente, chegaram à conclusão de que mereciam prorrogar seus contratos. Sprewell, em fim de compromisso, queria renovar por algo perto dos atuais US$ 14,6 milhões por ano, enquanto Cassell (US$ 6,2 milhões) pretendia garantir um caminho confortável até a aposentadoria, com uma extensão até 2007. Não conseguiram e ainda acabaram com a harmonia de um time que parecia ter lugar certo nos playoffs. Com médias declinantes em quase todos os fundamentos, os dois realizaram juntos o que certamente não conseguiriam sozinhos: afundaram a temporada dos Wolves e os sonhos de Garnett. Um feito e tanto.
Kobe Bryant – Kobe, na verdade, deveria ser hors-concours. Antes mesmo do início da temporada, dinamitou a dinastia dos Lakers, pressionando pela saída do técnico Phil Jackson e do companheiro-rival Shaquille O´Neal. Depois de flertar com os Clippers – e, assim, garantir um contrato de US$ 136 milhões em sete anos – garantiu que os descrentes teriam uma surpresa. Em outras palavras, com o retorno de Divac; a chegada de Odom, Grant, Butler e Atkins; e, principalmente, o Super-Kobe, o time mais famoso de Los Angeles conseguiria no mínimo chegar aos playoffs, retomando sem maiores traumas o caminho do sucesso. A história real foi outra: Kobe não quis passar a bola para Odom no garrafão, não quis deixar Atkins comandar o time e não quis abrir mão de ser o centro de todas as atenções (e jogadas). Melhorou na maioria das estatísticas, liderou por algum tempo a corrida pelo título de cestinha e garantiu ao Lakers no mínimo 20 vitórias a menos do que em 2003-04. Um perfeito MVP. Às avessas.
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