12/11/2006 - 21:27

Insistindo nos craques

Os dois são mais parecidos do que as diferenças de 28 cm, 40 kg e muitos fios de cabelo possam sugerir. Estrelas consagradas, MVPs e veteranos de mais de 10 anos na NBA. Figuras principais de suas equipes e, nesta temporada, comandantes de campanhas que começaram bem, mas logo saíram dos trilhos. E, há algum tempo, peças centrais de um dilema em comum que aflige cartolas e torcedores do Philadelphia 76ers e do Minnesota Timberwolves: insistir ou não com Allen Iverson e Kevin Garnett?

Os argumentos contra e a favor são mais do que conhecidos. Quem quer os dois mudando de ares fala em mais dinheiro para contratar, mudança no estilo de jogo e até em renovação da imagem do time. Os opositores entrincheiram-se atrás da tese consagrada de que só se troca uma superestrela por outra e da noção de que AI e KG são a própria identidade de suas equipes.

Este ano, porém, os rumores vieram com força total. Garnett esteve “no mercado” até o manda-chuva dos Wolves, Kevin McHale, anunciar formalmente que permaneceria no comando da franquia - e que o jogador estaria ao seu lado. Por sua vez, Iverson foi alvo de diversas “negociações”, a mais recente - que teria fracassado na última hora - envolvendo uma triangulação com Utah (Carlos Boozer) e Boston (Wally Szczerbiak).

Os boatos esquentaram como resultado das campanhas na temporada passada, em que Philadelphia e Minnesota ficaram fora dos playoffs, e da idade de Garnett (30) e Iverson (31). Para muitos, esses fatos, aliados àqueles mencionados anteriormente, seriam o alerta para a premência de uma mudança drástica. Porém, como sabemos, nada aconteceu, e os dois craques mais uma vez retornaram à frente de seus antigos times.

Então este era o cenário no início da temporada: duas estrelas de carreira brilhante e conta bancária gorda envolvidas em insistentes rumores, questionadas por parte da torcida e empacadas em equipes que não pareciam ter as peças necessárias para realizar uma campanha bem-sucedida.

Como AI e KG responderam a tal realidade? O baixinho dos Sixers começou metendo 32, 39 e 31 pontos - e um total de 29 assistências de brinde - nos três primeiros adversários (Hawks, Magic e Heat). O faz-tudo dos Wolves não deixou por menos e largou com três double-doubles (24-12, 27-15, 20-10) e aproveitamento de 62.5% de quadra e 91.3% em lances livres.

A conclusão, óbvia, é que a desmotivação passa longe do comportamento de Iverson e Garnett em quadra. Sim, dedicação é o mínimo que se espera de atletas profissionais, especialmente quando faturam milhões de dólares por ano. Porém, basta dar uma olhada nos outros times para se constatar que, na prática, a teoria é outra. E, quando se une esse empenho a um talento praticamente inigualável, o resultado é uma peça muito difícil de se descartar.

Se Iverson e Garnett estarão nos playoffs, pelo que as próprias campanhas até aqui sugerem, ainda é uma incógnita. Mas tudo indica, como tem indicado nos últimos anos, que vale a pena insistir. É mais provável, afinal, que o problema sejam os outros.

 



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