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25/08/2006 - 17:45 Último pedido
Lembro de pouca coisa: dos tirambaços de Oscar e Marcel, da impotência da seleção americana à medida que o fim do jogo se aproximava, dos jogadores brasileiros correndo feito loucos ou deitados na quadra, sem acreditar no que haviam acabado de realizar. Lembro também de ter ficado emocionado. Um moleque de 10 anos testemunhando um feito histórico e acompanhando o choro dos novos heróis.
Dizem que foi a surpreendente vitória brasileira que acelerou a pressão americana pela participação dos profissionais da NBA nas competições internacionais. É provável. Se com David Robinson, Danny Manning e Pervis Ellison – três futuras primeiras escolhas do draft – a seleção universitária não conseguia derrotar um adversário como o Brasil em casa, a única alternativa seria apelar para Magic Johnson, Larry Bird e Michael Jordan.
E assim foi. Cinco anos depois, o Dream Team atropelou os adversários em Barcelona, vencendo todas as partidas por uma diferença mínima de 32 pontos. O Brasil tomou de 127-83 e pediu autógrafos aos ídolos.
Em algum momento entre esses dois eventos, minha atenção se deslocou do heroísmo de Oscar e cia. para as acrobacias de Michael Jordan, os passes incríveis de Magic Johnson, os tiros certeiros de Larry Bird. Mas a semente da minha paixão pelo basquete permanecia lá. Indianápolis, 23 de agosto de 1987.
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Passaram-se quase 20 anos. O Brasil acaba de realizar outro feito histórico: sua pior campanha de todos os tempos num campeonato mundial de basquete. Com um elenco forte, sob qualquer ponto de vista, a seleção só conseguiu uma vitória. Contra o Catar.
Muitos podem se perguntar: o que aconteceu nos 19 anos que separaram a conquista gloriosa de Indianápolis e o fracasso clamoroso de Hamamatsu?
A resposta é tão simples quanto triste: nada.
O basquete brasileiro continua comandado por interesses particulares. Os técnicos continuam frouxos na estratégia. Os jogadores continuam achando que arremessar de três a torto e a direito é esquema tático. Nada mudou no Brasil. Enquanto isso, lá fora, os americanos aprenderam que não são invencíveis, os europeus aprenderam que força física não é vergonha, os argentinos aprenderam que é possível vencer sem perder a identidade.
É incrível, mas a insistência do basquete brasileiro nos mesmos erros, ano após ano, competição após competição, hoje me faz pensar se a vitória de 1987 não foi na verdade um desserviço. Porque parece que estamos sempre esperando as bolas caírem por milagre, esperando um gênio como Oscar resolver o jogo, esperando um dia mágico que redima nossos erros.
Pergunto se, no fundo, não foi a memória daquela vitória que nos tomou todas as oportunidades que tivemos de crescer nesse esporte maravilhoso nos últimos 19 anos. Se não foi ela, também, que nos tomou a chance de fazer bonito no Japão.
É por isso que aos cartolas, técnicos e atletas que insistem em ficar parados enquanto a caravana passa, não peço uma medalha no Pan de 2007 ou uma campanha respeitável nas Olimpíadas de 2008. Meu pedido é um só:
Não roubem de mim aquele 23 de agosto de 1987.
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