05/08/2006 - 17:36

Vários pesos, várias medidas

Sem muita surpresa, o Phoenix Suns acertou a extensão do contrato de Leandrinho, a partir da temporada 2007-08, por cinco anos. O brasileiro receberá US$ 33 milhões, ou uma média de US$ 6,6 milhões por ano, equivalente a cerca de R$ 14,4 milhões. Nada mau para um garoto de origem humilde que, há três anos, batalhava para ganhar 1/100 disso em Bauru, certo?

Mais ou menos.

A revolta do Rebote com as extravagâncias salariais da NBA não é novidade para ninguém. E Leandrinho, ao assinar a extensão de contrato, ajudou a reforçar um pouco esta posição. Não tanto pelo valor que conseguiu, compatível com um jogador importantíssimo, mas que se firmou apenas como reserva de luxo; o problema, como de hábito, são os outros.

A referência mais óbvia é o recente contrato assinado por outro brasileiro, Nenê, do Denver Nuggets. O pivô garantiu US$ 60 milhões por seis anos, ou seja, uma média de US$ 10 milhões por ano. Justo ou não, vamos às comparações:

Desempenho recente - A análise da última temporada chega a ser covardia. Enquanto Leandrinho se destacava na empolgante trajetória dos Suns até as finais de conferência, Nenê assistia aos playoffs de casa, sem sequer participar da eliminação dos Nuggets, logo de saída, contra os Clippers.

Contusões - A desvantagem de Nenê é gritante. Embora não seja nenhum “homem de ferro”, Leandrinho jogou 120 partidas nas últimas duas temporadas, contra 56 de Nenê. Mais do que isso, porém, mostrou diante de Lakers e Dallas, nos últimos playoffs, e agora na preparação da seleção, que está na ponta dos cascos.

Relacionamento na equipe - Declaração de Leandrinho ao assinar a extensão: “Os Suns realmente gostam de mim. E eu gosto de estar aqui”. Enquanto isso, em recente passagem por São Paulo, o ala do Denver Eduardo Najera relatou ao nosso ex-companheiro Giancarlo Giampietro, agora no UOL, que o ambiente nos Nuggets é uma “fogueira de vaidades”, que “temos de chegar a um acordo e resolver nossos problemas internos” e que “há uma rivalidade entre ele (Nenê) e Kenyon Martin”.

É claro que os valores dos contratos na NBA não são uma mera questão de somar dois e dois. Grandalhões com um mínimo de talento costumam ser supervalorizados (mesmo com Steve Nash conquistando os dois últimos troféus de MVP). Em alguns casos, quando um time acha que um jogador se encaixa perfeitamente em seu esquema, pode exagerar na proposta para garanti-lo. Os agentes também têm papel-chave na matemática contratual, freqüentemente recorrendo a nomes de ponta para alavancar os acordos de outros atletas, menos valorizados.

Além disso, como bem sabemos aqui no Rebote, prever o futuro é uma brincadeira arriscada. Se Nenê estiver bem preparado, se Denver resolver os problemas internos e se os deuses da bola ajudarem, nada impede que o pivô brasileiro tenha uma temporada espetacular e chegue mais perto de sua ambiciosa meta de “ser como Karl Malone”.

A revolta com a disparidade entre os contratos dos brasileiros, na verdade, tem um só motivo: enquanto Nenê continua no estágio do “se”, Leandrinho já mostrou, dentro de quadra, o que é.

 



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