05/06/2006 - 17:28

Felicidade na derrota

De perder ninguém gosta. Mas, se as perspectivas para o futuro podem trazer algum alento depois de uma derrota, não existe time mais feliz na NBA do que o Phoenix Suns. Depois de suar para se livrar das duas equipes de Los Angeles e assustar os Mavericks, a turma do Arizona se prepara para um período de férias de pura expectativa, ansiosa pela chance de voltar a disputar uma vaga na final da liga. Não só em 2007, como também em 2008, 2009, 2010...

Basta uma olhada mais atenta no elenco dos Suns para afastar qualquer temor de exagero. Os únicos jogadores importantes acima dos 30 anos são Kurt Thomas (33) e Steve Nash (32) – e, pelo menos no caso do canadense, fica difícil falar em decadência, depois de dois troféus consecutivos de MVP. Melhor do que isso: Stoudemire (23), Leandrinho (23) e Diaw (24) ainda têm pelo menos uma década de NBA pela frente.

É claro que a saúde de Stoudemire, a peça que parece ter separado Phoenix das finais este ano, permanece como uma enorme interrogação sobre o US Airways Center. Os 23 anos e a força do devastador ala-pivô dos Suns, no entanto, tornam pouco provável a hipótese de seqüelas mais graves e duradouras das duas operações. Em todo caso, mesmo com apenas 80% do potencial, Amare permaneceria à frente de 80% de seus adversários de posição na liga.

Os Suns também não precisam se preocupar com questões financeiras e contratuais. Nenhum dos integrantes do trio principal – Nash, Stoudemire e Marion – terá passe livre antes de 2009. Os salários da equipe para a próxima temporada somam, hoje, US$ 62 milhões, abaixo do teto previsto de US$ 63 milhões. E se o dono do time, Robert Sarver, não gosta da idéia de gastar seu rico dinheiro com sobretaxas, também não parece se encaixar no perfil de pão-duro.

Para completar, Phoenix ainda poderá testar a sorte e a competência de seus cartolas no draft deste ano, quando terá as 21ª e 27ª escolhas. Só para citar um exemplo, há três anos, o gerente do Atlanta Hawks, Billy Knight, usou a 21ª escolha para selecionar um francês pouco conhecido chamado... Boris Diaw.

No comando dessa situação invejável, estará Mike D´Antoni, melhor técnico da NBA na temporada passada, além de autor de uma verdadeira façanha ao levar os Suns às finais do Oeste este ano sem qualquer jogador sequer parecido com um pivô tradicional.

Hoje, uma das poucas dúvidas que pairam sobre a cabeça de D´Antoni, também vice-presidente e gerente geral dos Suns, é se deve oferecer um novo contrato a Tim Thomas. O ala-pivô foi fundamental na série contra os Lakers, mas desapareceu na partida decisiva contra os Mavericks, e o treinador-cartola não sabe se renova com ele ou se guarda cartuchos para outras oportunidades.

Problemão, hein?

 



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