22/05/2006 - 14:22

A verdade dos sete

A vitória dos Pistons sobre os Cavs, neste domingo, trouxe a NBA de volta à realidade. Sai a história de sonho, do prodígio de 21 anos carregando sua equipe às finais de conferência, entra a verdade dura da eficiência, dos campeões que parecem ser capazes de voltar ao “modo competição” com um simples apertar de botão.

Os relatos desta série emocionante certamente se multiplicarão ao longo dos próximos dias e, provavelmente, também dos próximos anos. E se aquela bola tivesse caído? E se aquele tempo tivesse sido pedido? E se aquela jogada (não) tivesse sido armada? As dúvidas e questionamentos se perpetuarão, como acontece com qualquer mata-mata clássico, mas uma coisa é certa: ninguém poderá dizer que o resultado foi injusto.

Detroit 79, Cleveland 61. Quatro a três. Pistons contra Heat na decisão do Leste. Ponto final.

E isso tudo graças às séries de sete jogos.

Com sete jogos, lá e cá, não há desculpa de torcedor fanático ou atleta frustrado que se sustente. A bola caiu antes da sirene? Ótimo, ganhe a próxima partida. A estrela do time sofreu falta no último lance? Paciência, prove que é melhor no jogo decisivo. Até acusações de favorecimento por parte da arbitragem – uma praga da qual nem a NBA está livre –- têm de ser vistas com prudência. Porque, afinal, é preciso receber muita rasteira dos juízes para perder quatro partidas para um time “pior”.

Então é bom não confundir oportunidades perdidas com injustiça. Se a derrota dos Cavs este ano foi dolorosa, como classificar o fracasso dos Kings contra os Lakers em 2002, sacramentado com uma derrota em casa, na prorrogação e com um festival de lances livres perdidos? Desfechos dramáticos, sim, porém, nem naquele domingo de junho, nem neste domingo de maio, deve se falar de injustiça.

Quando LeBron voltar os playoffs, o que ainda deve acontecer muitas e muitas vezes em sua carreira, certamente não vai se lembrar do encontro com os Pistons como o confronto em que a classificação esteve por um triz, ou por um sopro de sorte no jogo seis (aquele do tapinha de Billups contra a própria cesta), mas sim como o confronto em que venceram os melhores. E, desta vez, foram os Pistons.

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Para quem começou a temporada no estaleiro, vendo a concorrência crescer dentro do próprio time, Anderson Varejão acabou tendo uma reta final de campeonato quase perfeita. Contra os Pistons, o brasileiro conseguiu médias de 21.2 minutos, 9.8 pontos e 4.7 rebotes, com aproveitamento de 58.8% em arremessos de quadra e 82.6% em lances livres. Números consistentes para uma peça cada vez mais importante no esquema dos Cavs. Parabéns ao nosso “Sideshow Bob”.

 



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