27/03/2006 - 15:59

Expresso do Oriente

Os playoffs já começaram na liga de basquete mais popular do mundo. O país dos pôsteres de astros da NBA em estações de metrô, das crianças treinando duro nas escolas, dos jovens desfilando em camisas dos Sixers ou dos Lakers e dos anúncios ao som de hip-hop na TV aguarda, ansioso, a definição da última vaga nas semifinais, disputada por Rockets e Hunters.

Hunters?

Sim, o Liaoning Hunters, que precisa virar a série contra o Bayi Rockets para avançar nos playoffs da gloriosa liga chinesa de basquete (CBA).

Se a disputa não parece muito emocionante, a culpa não é do leitor, e sim da própria competição. As partidas, transmitidas pela rede estatal CCTV, são sonolentas, com jogadores de qualidade técnica duvidosa e sem qualquer resquício de organização tática. Os dois cestinhas da atual temporada – os americanos Anthony Myles e Jon Smith – haviam passado dias pouco brilhantes na Turquia e na USBL, respectivamente, antes de se aventurarem no basquete chinês.

A situação é tão ruim que um dos jogadores mais promissores da liga dois anos atrás, o armador Sun Yue, passou as últimas duas temporadas na ABA americana. Jogando por um time chinês!

E, apesar de tudo isso, a China é um país que se interessa cada vez mais pelo basquete e promete ganhar destaque no cenário internacional em alguns anos.

A primeira parte tem uma explicação óbvia: Yao Ming. O pivô de 2,26m, que vem carregando os Rockets nas costas na ausência de Tracy McGrady, tornou-se herói nacional ao entrar – e se firmar – na liga profissional americana. Os telejornais sempre reservam espaço para os jogos do Houston e, obviamente, para as atuações de Yao. Os jovens chineses, que nunca tiveram tanto acesso à musica e às personalidades americanas, também abraçam com entusiasmo o estilo dos astros da NBA.

No aspecto esportivo, o quadro é mais complicado, porém parece seguir um planejamento cuidadoso. Nas últimas duas temporadas, os cartolas chineses vêm fazendo modificações na CBA, tentando aproximá-la do formato e da organização da prima rica americana. Técnicos de outros países foram contratados para transmitir experiência internacional aos jogadores. Ao mesmo tempo, os dirigentes tomaram providências para proteger os atletas locais, como só permitir dois estrangeiros por equipe, sendo que estes nunca podem estar em quadra ao mesmo tempo.

O resultado deste pesado investimento no basquete, em um país de 1,3 bilhão de habitantes e muitas particularidades, é imprevisível. Mas, se você quiser começar a se preparar para a eventualidade de a seleção chinesa surpreender o mundo nas Olimpíadas de 2008, não se esqueça: nesta terça, os Rockets pegam os Hunters, na cidade de Ningbo. E valendo uma vaga nas semifinais.

 



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