16/02/2006 - 23:38

Filhos do furacão

Como deve se chamar um time formado por um armador estreante, um ala-pivô esquecido na reserva por duas temporadas, um pivô de 36 anos e nenhuma conquista importante, um ala rejeitado pelo Utah Jazz e outro ala vindo da reserva dos Bucks, em troca do até então melhor jogador da equipe? “Piada”? “Saco de pancada”?

Que tal “maior surpresa do campeonato”?

Ao derrotar o Portland Trail Blazers por 102 a 86, na quarta-feira, o New Orleans/Oklahoma City Hornets garantiu a sexta colocação na conferência Oeste (29-23) e a maior seqüência de vitórias (cinco), entre todos os times da liga, antes do All-Star Game. Com 52 partidas disputadas, a equipe já tem 29 vitórias, contra apenas 18 na temporada passada inteira.

Uma campanha desse tipo sequer passava pela cabeça dos torcedores em novembro. Os Hornets, recém-saídos de uma temporada abaixo da crítica, nem tinham uma cidade própria para jogar suas partidas “em casa”: o furacão Katrina havia arrasado Nova Orleans, levando o time a buscar abrigo em Oklahoma, uma cidade considerada fria para os padrões da NBA.

Mas até nisso os deuses do basquete ajudaram.

Oklahoma revelou-se uma grata surpresa, assim como os próprios Hornets, e recebeu a equipe de braços abertos. Os novos heróis locais não decepcionaram. Chris Paul, David West, P.J. Brown, Kirk Snyder e Desmond Mason, mais os reservas J.R. Smith, Speedy Claxton e Rasual Butler, logo transformaram um início irregular em temporada dos sonhos. Em 2006, os Hornets têm 17 vitórias e apenas seis derrotas, numa campanha quase irretocável.

A chave do sucesso? Não poderia ser mais simples: aplicação total na defesa, uma dupla mais do que eficiente no garrafão e um calouro com visão de jogo de dar inveja a muito veterano da liga. Entender a trajetória desse grupo é que parece um pouco mais complicado. Como um monte de renegados se transforma, sob liderança de um novato de 20 anos, em modelo de superação e aplicação tática do dia para a noite?

Talvez estes jogadores tenham simplesmente percebido que, na quadra, esforço e dedicação valem tanto quanto contratos milionários e egos enormes. Podia acontecer com qualquer time, mas foi justamente com os Hornets, a equipe de Nova Orleans.

 



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