25/01/2006 - 23:38

À sombra do gênio

Responda rápido: qual foi o destaque estatístico da vitória dos Lakers sobre os Raptors, por 122 a 104, no último domingo? Os 81 pontos, com 61% de aproveitamento de quadra, de Kobe Bryant, certo? Sem dúvida. Lógico. Com certeza. E se alguém citasse os oito pontos, 10 rebotes e sete assistências de Lamar Odom?

Seria caso de internação?

Em termos individuais, não existe outra resposta possível, senão os números que refletem o desempenho espetacular do camisa 8 dos Lakers. Como todos sabem a esta altura, Kobe emplacou o segundo maior total de pontos da história da NBA, superando gente como Elgin Baylor, David Robinson e Michael Jordan, que só chegou a “míseros” 69 pontos na carreira inteira.

Mais: ele ficou a “apenas” 19 de Wilt Chamberlain, que, convém lembrar, estabeleceu sua marca histórica jogando 48 minutos e com a colaboração explícita dos companheiros do Philadelphia Warriors.

Mas o que acontece quando deixamos, por um instante, a – merecida – festa em torno de Kobe de lado? O quadro não é dos mais animadores. Os Lakers formam um time irregular e que, com 22 vitórias e 19 derrotas, está longe de se sentir seguro na briga por uma vaga nos playoffs. Um time cuja torcida vibra com os muitos pontos de seu ídolo e sofre quando o mesmo insiste em (e não consegue) resolver o jogo sozinho. Um time que, apesar de contar com uma das maiores estrelas e um dos maiores técnicos da liga, prima pela previsibilidade.

É bola para Kobe e mãos para os céus.

E onde entra Odom na história? Infelizmente, para a equipe e para a torcida dos Lakers, hoje em dia não entra. Principalmente nos momentos decisivos dos jogos, Odom desaparece, ofuscado pela determinação do companheiro mais famoso em resolver as coisas por conta própria. E, assim, um dos jogadores mais versáteis da NBA, de repente, se vê como simples espectador privilegiado, num canto da quadra.

Algumas vezes, assiste a momentos históricos, como os 81 pontos de domingo. Em outras, porém, testemunha uma seqüência infindável de arremessos tresloucados que acabam resolvendo o jogo. Para o adversário.

Por isso, e só por isso, seus números contra os Raptors merecem destaque. Se, na sombra, o ala consegue se aproximar de um triple-double, o que seria capaz de fazer participando de fato do jogo? Perguntem ao assistente técnico especial dos Lakers que atende pelo nome de Scottie Maurice Pippen.

 



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