15/12/2005 - 21:45

Palavras certeiras

Declarações absurdas não são novidade na NBA. Quem não se lembra da explicação de Latrell Sprewell, depois de rejeitar um contrato que lhe pagaria US$ 21 milhões em três anos: “Tenho uma família para alimentar”. Ou de Erick Dampier, em ataque de modéstia: “Acho que venho logo atrás de Shaq. Pessoalmente, me considero o segundo melhor pivô da NBA”.

Pois nesta semana, logo após a bomba lançada por Ron Artest sobre os Pacers, o pivô Jermaine O´Neal mostrou que os jogadores da NBA também são capazes de demonstrar bom senso ao abrir a boca.

Bom senso, na verdade, é pouco.

O´Neal agiu de maneira exemplar.

Logo na segunda-feira, mostrou que não entraria em uma guerra de palavras com o (ex-) companheiro: “Se Ron se sente dessa forma, é assim que se sente, e pronto. Vamos para a guerra com qualquer cara que queira vestir o uniforme dos Pacers”. Na terça, reforçou: “Não vou mais responder a perguntas sobre Ron Artest. Ron não quer permanecer aqui, então Ron não importa mais”.

Simples e direto.

A melhor parte, porém, estava guardada para quarta-feira. Ao analisar os jogadores que os Pacers poderiam receber em troca de Artest, O´Neal não falou em estrelas como Peja Stojakovic e Rashard Lewis. Em vez disso, indicou como seus favoritos o ex-companheiro Al Harrington e Bonzi Wells, colega menos badalado de Peja nos Kings. E quem já se preparava para atribuir a indicação de Harrington meramente à amizade entre os dois não precisou esperar muito.

“Ele está acostumado ao nosso esquema, sabe o que gostamos de fazer. Disse a Larry [Bird] e Donnie [Walsh] que gostaria de receber Al porque ele é um quatro de 2,06m, muito forte e rápido, capaz de jogar em várias posições. É uma espécie de versão do Ron: não tão bom individualmente, mas, no ofensivamente, capaz de marcar muitos pontos bem rápido”, explicou O´Neal, mostrando potencial como estrategista.

O pivô não foi menos claro em relação a Wells: “Ele pode jogar como três, é grande, se encaixa ao nosso esquema, pensa em defesa e consegue marcar pontos”.

O fim dessa história ainda é um mistério. As possibilidades, como mostrou Giancarlo Giampetro aqui no Rebote, são numerosas. Mas talvez valesse a pena os manda-chuvas Bird e Walsh ouvirem o principal jogador do time. Afinal, não é todo dia que uma estrela da NBA repete fora das quadras o talento que apresenta dentro delas.

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Se depender das transações recentes protagonizadas pelos Pacers, a torcida já pode começar a comemorar. Em 2002, a equipe mandou Jalen Rose, Travis Best, Norm Richardson e uma escolha na segunda rodada do draft para Chicago, em troca do próprio Artest, Brad Miller, Ron Mercer e Kevin Ollie. Em 2002, a bomba despachada foi Dale Davis. Quem veio em troca?

Um tal de Jermaine O´Neal.

 



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