27/11/2005 - 18:38

Volta por cima

Com uma média de 13 jogos disputados por cada equipe, ainda é cedo para afirmações definitivas, mas até aqui dois veteranos estão provando que o destino dos críticos é mesmo o de queimar a língua. No início deste ano, Sam Cassell e Alonzo Mourning eram dois jogadores na casa dos 35 anos cercados por questionamentos. Hoje, o primeiro desponta como líder dos surpreendentes Clippers, enquanto o segundo segura as pontas de maneira exemplar na ausência de Shaquille O’Neal.

O que mudou de lá para cá?

Em ambos os casos, mudaram muitas coisas, a começar pelos times. Cassell saiu dos Wolves para os Clippers. Mourning não trocou de camisa, porém viu metade do elenco que havia chegado à final da conferência Leste pelo Miami ir embora. Os dois também parecem em melhores condições físicas: o armador livre das contusões que colaboraram para a fraca temporada passada e o pivô completando dois anos do (aparentemente) bem-sucedido transplante de rim.

A principal mudança, no entanto, talvez tenha sido na cabeça.

Cassell, depois das trapalhadas na segunda temporada ao lado de Kevin Garnett, encontrou uma situação ideal em Los Angeles. Os Clippers são um time com muitos jovens, em que os principais veteranos, Brand e Maggette, têm apenas 26 anos. Espaço para desfilar sua liderança é que não falta. E, para quem saiu de Minnesota por desentendimentos financeiros, não faz nada mal um incentivo extra: este é o último ano do atual compromisso de Cassell e uma temporada bem-sucedida pode garantir mais um contrato cheio de zeros para o fim de carreira do armador.

O conforto e a motivação fazem bem ao jogador. Cassell é o quarto em assistências na liga, com 8.1 por partida, e, até mais importante, comete apenas 2.3 erros. Ou seja, leva o time ao ataque com a tranqüilidade e o equilíbrio que se esperam de um armador bicampeão e com 13 temporadas nas costas. A segurança também se reflete nos lances livres. Ele vem convertendo impressionantes 95% das tentativas.

A história de superação de Mourning todos já conhecem. Dado como aposentado há dois anos, quando se confirmou a necessidade do transplante, o pivô voltou fora de ritmo ao New Jersey Nets e acabou envolvido em uma transação turbulenta com o Toronto Raptors, antes de arrumar uma vaga no Heat. Na primeira temporada, mesmo com algumas contusões de O’Neal, foi pouco mais do que um coadjuvante.

Agora a história é diferente. Com O’Neal fora novamente, o camisa 33 iniciou nove das 11 partidas do Heat e lidera a NBA em tocos (3.5) e aproveitamento de quadra (59.5%). Os 11.1 pontos, se não se comparam aos números do seu auge, são bastante respeitáveis, principalmente diante da profusão de opções de ataque em Miami, com os três Ws (Wade, Walker e Williams).

E por que tanta garra? No caso de Mourning, aos 35 anos, só pode ser a percepção de que o sonho de botar o anel de campeão no dedo nunca vai estar tão próximo quanto nesta temporada. É o suficiente para ele dar o sangue na quadra e calar a boca dos críticos.

A minha, pelo menos, está fechadinha.

 



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