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23/10/2005 - 00:53 Gerentes de banco
Saem calças jeans desbotadas, camisetas e cordões de gângster; entram ternos bem cortados e gravatas.
Os mais disciplinados e os dublês de galã não reclamaram muito, mas grande parte dos jogadores abriu o berreiro. O exemplo mais significativo deste grupo, não só pelo tamanho do seu talento, é Tim Duncan. “Acho que isso é um monte de bobagem. Entendo o que pretendem ao proibirem chapéus, lenços, camisetas antigas e coisas do tipo. Tudo bem. Mas não entendo por que chegar a esse ponto”, disse ao jornal San Antonio Express-News.
A estrela dos Spurs, porém, deixou o melhor para o final: “Acho que é, basicamente, uma idéia de débil mental”.
Por “idéia de débil mental”, entenda-se a obrigatoriedade de vestir, em todas as atividades do time ou da liga – incluindo viagens –, camisa, calças e sapatos sociais. No caso de jogadores presentes ao ginásio, porém fora da partida, também é obrigatório usar um paletó.
A lista de itens expressamente proibidos é extensa: camisa sem manga; camiseta; uniformes (exceto quando o evento exigir); short; qualquer tipo de chapéu, boné ou acessório semelhante; correntes e medalhas; óculos escuros; e fones de ouvido (exceto em deslocamentos e no vestiário).
O objetivo da liga, ao impor as regras, é acabar com os abusos e transmitir uma imagem mais corporativa. O astro pós-adolescente LeBron James parece ter entendido o conceito. “Algumas vezes você está com preguiça e não quer botar um monte de roupas. Mas isto aqui é um trabalho. Nos divertimos, mas ainda é um trabalho, e temos de parecer com pessoas que estão indo trabalhar”, declarou ao Cleveland Plain Dealer.
É curioso ver justamente esses dois jogadores em posições, se não contrárias, bastante divergentes. O maquinal Duncan defendendo a liberdade dos jogadores e o espetacular James aceitando a rigidez de Stern e da liga.
Portanto, quando Spurs e Cavaliers se encontrarem, no dia 4 de novembro, em San Antonio, é bem possível que, enquanto LBJ estiver exibindo seu terno de grife, orgulhoso, Duncan passe correndo de fininho, de jeans e camiseta, buscando a segurança do vestiário.
Os olhos do público, porém, provavelmente sequer notarão essas duas cenas, patéticas cada qual ao seu modo; estarão fixos na quadra, onde os dois astros mostrarão, minutos depois, onde acontece o verdadeiro espetáculo da NBA.
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Em junho de 2001, depois dos vexames sob o comando dos arrumadinhos Vanderlei Luxemburgo e Leão, Luiz Felipe Scolari assumiu a seleção brasileira. Ao ser questionado sobre o estilo dos seus antecessores, repetiu uma de suas frases preferidas: “Quem usa terno é gerente de banco.” Acabou campeão do mundo.
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