06/10/2005 - 23:41

Favoritos ao vexame

A arte da previsão não vale apenas para os favoritos ao título. Lá no extremo oposto, onde equipes fracas lutam com outras piores, para evitar – ou, de olho no draft, garantir – o último lugar na liga, a bola de cristal também coloca as mangas de fora. A diferença é que a tarefa é muito mais fácil. Este ano, por exemplo, ainda a quase um mês do início do campeonato, já temos duas fortíssimas candidatas à lanterna.

No Leste, o gerente do Toronto Raptors, Rob Babcock, agradece aos céus todos os dias por seu antecessor, Glen Grunwald, ter selecionado Chris Bosh no draft de 2003. Hoje, o ala-pivô é o único destaque de uma equipe devastada por opções equivocadas, que vão da escolha do brasileiro Rafael Araújo no ano passado à troca de Vince Carter por um saco de gatos, meses depois.

Esta semana, o cartola executou mais um lance “genial”, ao trocar o problemático - porém produtivo - armador Rafer Alston por Mike James, que nas últimas duas temporadas, juntas, atuou em pouco mais de 50 jogos. A exemplo do que fizera no caso Carter, Babcock resolveu um problema agravando outro: a falta de talento.

O resultado é que o time-base dos Raptors para a próxima temporada deve ser formado por James, Morris Peterson, Jalen Rose, Chris Bosh e Loren Woods. À exceção do espanhol Jose Calderon, que vem despertando a curiosidade de alguns observadores da liga, a leva de calouros que Babcock selecionou não parece capaz de garantir grandes emoções à torcida canadense.

Na temporada passada, a equipe ainda obteve um desempenho razoável (33-49), ficando à frente do New York Knicks. Agora, sem resolver as deficiências na defesa e sem um companheiro de peso para Bosh, as perspectivas são desanimadoras.

A situação do time do Canadá só não é mais desanimadora do que a do New Orleans Hornets, que, já devastado pelas confusas jogadas dos cartolas, tem de enfrentar também as conseqüências da fúria da natureza. É assim, de mudança para Oklahoma City, que a equipe coloca todas as fichas no calouro Chris Paul.

Além de armar a equipe, porém, o armador assume a responsabilidade de partir para a decisão. Em 2004-05, os Hornets foram o pior ataque da NBA, com a pífia média de 88,4 pontos por partida. E os dois cestinhas, Baron Davis e Lee Nailon, deixaram a equipe. Assim, os Hornets precisam de temporadas estupendas do pivô Jamaal Magloire e do armador lituano Arvydas Macijauskas – outro estreante – para não repetir o vexame de registrar campanha igual à do seu sucessor café-com-leite em Charlotte (18-64).

Mas, para Raptors e Hornets, sempre resta uma esperança para não chegar a abril na rabeira do campeonato: torcer contra Joe Johnson e os Hawks.

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Nada contra Baby. Com a enxurrada de estrangeiros que chega à liga todos os anos, seria um exagero dizer que o pivô brasileiro não tem lugar na NBA. O problema é que, na primeira temporada, mesmo começando metade das partidas dos Raptors, ele não conseguiu encontrar uma função bem definida, atrapalhado pela inconsistência no ataque (3.3 pontos) e pelo excesso de faltas. A torcida não esquece que o brasileiro foi escolhido em oitavo lugar – e na frente de Andre Iguodala, dos Sixers.

 



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