14/09/2005 - 00:25

Hora do ocaso

A temporada 2003-04 prometia redenção a dois jogadores de primeira linha que, como outros, sofriam com o fato de não ter um anel de campeão no dedo. Juntos, ostentavam 13 participações no jogo das estrelas e três presenças na seleção da NBA, mas o talento individual nunca bastara para colocar as mãos no troféu mais cobiçado da liga.

Por isso, Gary Payton abriu mão de milhões de dólares para, ao lado de Karl Malone, juntar-se a Shaq e Kobe na primeira tentativa dos Lakers de recuperar o caneco. Por isso, Latrell Sprewell prometia dar tudo para, ao lado de Sam Cassell, ajudar Kevin Garnett e os Timberwolves a finalmente passar da primeira rodada dos playoffs.

No início, tudo parecia correr bem, com as duas equipes chegando às finais da conferência Oeste. Então, como tinha de ser, uma saiu da disputa. Os Wolves caíram em seis partidas, e os Lakers seguiram adiante – só para serem massacrados pelos Pistons nas finais. A temporada, como se tornara hábito para Payton e Sprewell, acabava mais uma vez de forma melancólica.

Mas a previsão para 2004-05 era até positiva. Com mais 82 jogos para ganhar entrosamento, Lakers e Wolves poderiam dar um passo adiante, puxando os dois craques a reboque. O problema é que, de um lado, a ambição falou mais alto, enquanto, do outro, a vaidade levou a melhor. Spree teve uma temporada decepcionante depois de exigir uns milhõezinhos extras de sua equipe. Payton, depois da implosão dos Lakers, acabou negociado com os Celtics e ainda protagonizou um dos episódios mais lamentáveis deste ano, participando de uma troca fantasma, em que passou férias no elenco do Atlanta e voltou para Boston.

Agora, às portas da próxima temporada, quais são as perspectivas para as duas estrelas? Se há dois anos, Payton e Sprewell ainda atraíam as atenções de muitos executivos da NBA, hoje, ao fim de um período agitado de transações, com passe livre nas mãos, permanecem à disposição de eventuais interessados. Não deixa de ser curioso que o destino mais provável de Sprewell seja Los Angeles e que o Minnesota, entre outros times mais cotados, já tenha sondado Payton.

O interesse de Lakers, Wolves e, no caso de Payton, também do Miami Heat, mostra como é difícil resistir à possibilidade de que os dois jogadores relembrem, mesmo que em momentos esparsos, os craques de anos atrás. Contudo, é igualmente difícil que seus corpos e mentes, vencida a barreira dos 35 anos, consigam reprisar, ao apagar das luzes, as jogadas espetaculares que os consagraram.

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Para quem, depois da última crônica, acusou o colunista de ser torcedor dos Spurs, fica aqui a informação: sou Shanghai Sharks desde criancinha.

 



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