06/09/2005 - 23:00

Nos campos e nas quadras

O quinteto mágico terá, a partir de agora, uma dura missão: atravessar nove entediantes meses, até junho de 2006, sem se deixar levar pelo oba-oba da torcida e dos comentaristas. Porque, no fundo, todo mundo sabe que o título mais cobiçado do planeta já tem dono.

Mesmo a fase final do campeonato, quase sempre marcada por confrontos mais equilibrados, é vista como mera formalidade. Afinal, não é sempre que os atuais campeões conseguem apresentar uma equipe ainda mais forte para tentar repetir o feito, com peças novas que parecem se encaixar perfeitamente ao esquema.

Nem duas das maiores armadilhas em esportes de alto nível – o salto alto e o ciúme – parecem ser motivo de preocupação. Na reserva, atletas que seriam titulares em outras equipes de ponta repetem o discurso da humildade com surpreendente convicção. O banco, a se julgar pelas declarações, nunca foi tão confortável.

É no banco também que se encontra a principal fonte de tranqüilidade para os que, ainda assim, temem uma recaída. A harmonia entre comissão técnica e jogadores aumenta a confiança de que, desta vez, não haverá reprise da história da barbada que cai de maneira surpreendente perto do fim – freqüentemente diante de um time mais fraco.

Às torcidas adversárias, restará a indelicadeza de esperar por uma contusão, um problema particular, enfim, um infortúnio providencial que devolva, ao menos em parte, o equilíbrio à competição. Do contrário, serão longos dias de esperança incrédula, de gritos de incentivo sem muita empolgação, na expectativa, no máximo, de uma chance de desafiar os favoritos. E perder.

Se parece exagero, é apenas pelo que talvez seja a mais sedutora característica dos esportes, a imprevisibilidade. No papel e no retrospecto, porém, é difícil não achar que o troféu de 2006, nove meses antes, já tem estampadas as cores dos campeões: preto e prata.

 



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