26/07/2005 - 16:30

Abre o olho, Brown

No dia 23 de dezembro de 2003, Isiah Thomas assistia ao seu primeiro jogo como todo-poderoso do New York Knicks, uma derrota por 98-92 para o Minnesota Timberwolves no Madison Square Garden. Naquela noite, vestiam a camisa do time da casa os seguintes jogadores: Antonio McDyess, Keith Van Horn, Dikembe Mutombo, Howard Eisley, Allan Houston, Kurt Thomas, Michael Doleac, Shandon Anderson, Charlie Ward, Frank Williams, Clarence Weatherspoon e Othella Harrington. Um grupo caro e sem entrosamento que fazia sofrer o torcedor de Nova York.

Passados menos de dois anos, o único que permanece no elenco dos Knicks é Allan Houston, e apenas por ser praticamente inegociável devido às seguidas contusões e ao contrato que lhe garante mais US$ 40 milhões nas próximas duas temporadas. Dos outros 11, 10 foram envolvidos em trocas e um, Anderson, acabou dispensado por Thomas. O resultado de toda a movimentação? Um grupo caro e sem entrosamento...

Uma das piadas que circulam na NBA é de que nunca houve uma proposta de negócio de que Thomas não gostasse. Uma semana depois de assumir, o ex-jogador trocou Weatherspoon pelos inexpressivos Moochie Norris e John Amaechi, do Houston Rockets. Mais seis dias e fechou uma megatroca com o Phoenix Suns, mandando McDyess, Eisley, Ward, Maciej Lampe e Milos Vujanic e recebendo Stephon Marbury, Penny Hardaway e Cezary Trybanski.

Por coincidência, a transação mais recente, acertada no dia do draft deste ano, também teve o Phoenix como parceiro: Kurt Thomas e o novato Dijon Thompson foram para o Arizona, enquanto Quentin Richardson e o também calouro Nate Robinson seguiram para Nova York. Da primeira à última, as trocas arquitetadas ou aceitas por Isiah envolveram nada menos que 34 jogadores. Some-se a isso as contratações de atletas com passe livre e as dispensas e fica difícil imaginar como o porteiro dos Knicks consegue lembrar da cara de seus colegas mais ricos.

Mas o frenesi não pára. Assim que os novos contratos puderem ser assinados, provavelmente no início da próxima semana, Jerome James vestirá oficialmente a camisa dos Knicks. Thomas não resistiu a duas ou três boas atuações do pivô pelo Seattle Supersonics e lançou uma proposta de US$ 29 milhões por cinco anos sobre a mesa. James, que não é bobo e nunca tinha jogado nada antes dos playoffs deste ano, correu para fechar logo um acordo verbal.

Até o início do ano, o chefão dos Knicks deve acertar pelo menos mais um ou dois negócios bombásticos, com Antoine Walker sendo um dos alvos preferenciais. O problema é que, para a equipe de hoje se tornar um time respeitável, parece faltar bem mais do que um jogador controverso com tendência para atirar bolas de três do meio da rua. É preciso investir no desenvolvimento dos novatos, trocar algumas barangas superfaturadas por jogadores dispostos a trabalhar duro, preencher pequenas lacunas e encontrar um estrategista que consiga colocar a casa em ordem.

É por isso que Thomas anda louco atrás de Larry Brown. E é por causa de Thomas que Brown deve resistir à tentação e ficar fora dessa.

 



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