05/07/2005 - 04:50

Lições da história

Às vezes, parece que a NBA é uma liga de adivinhação, não de basquete. Antes do início da temporada, começam os palpites sobre quem garantirá vaga para os playoffs. Passados os primeiros meses, é hora de prever os escolhidos para o jogo das estrelas; na reta final da fase de classificação, quem leva os prêmios pessoais. Depois, é o momento de apontar o campeão. Com a temporada encerrada, todo mundo quer saber quem serão os primeiros no draft.

E agora, na entressafra, é a ocasião de antever o que acontecerá no mercado de jogadores com passe livre.

Esta é talvez a tarefa mais difícil para a bola de cristal. As decisões e os resultados não dependem apenas das qualidades dos atletas, mas também dos malabarismos financeiros que os cartolas têm de fazer – e, vez por outra, das traições de lado a lado.

Mas, se é verdade que a história sempre se repete, é possível que a resposta esteja bem debaixo dos nossos narizes. Ou nas folhinhas de julho e agosto do calendário de 2004. Por isso, o Rebote deu uma olhada para trás e separou quatro historinhas, com resultados diversos, que podem se repetir na próxima temporada:

A peça que faltava - Embora Michael Redd desponte como favorito à vaga ao lado de LeBron James, no Cleveland Cavaliers, o candidato mais adequado a repetir a história de Steve Nash – o canadense que levou os Suns de 29 vitórias para 62 e uma final de conferência – parece ser Ray Allen. A história, pelo menos, é semelhante: jogador de qualidade incontestável e ídolo da torcida não consegue contrato desejado devido à idade e acaba em um time que decepcionou, mas tem tudo para brilhar desta vez. Se Zydrunas Ilgauskas ficar, Allen pode muito bem levar os Cavaliers a 62 vitórias e à final do Leste. Com uma mãozinha de LeBron, claro.

Dinheiro na mão é vendaval - Há mais ou menos um ano, com as opções de jogar ao lado da sensação da liga ou garantir uns trocados a mais em outro lugar, Carlos Boozer não teve dúvidas. Jogou tudo para o alto – inclusive a palavra – e foi de mala e cuia para Salt Lake City. Com dinheiro sobrando, o Utah ofereceu um contrato de US$ 68 milhões por seis anos a Boozer, um jogador que vinha de ótima temporada e prometia preencher uma imensa lacuna no garrafão do time de Jerry Sloan. Resultado: 26 vitórias, temporada encurtada por contusão e o dono do Jazz, Larry Miller, acusando o camisa 5 de fazer corpo mole. Hoje, o pivozão lituano Ilgauskas, ex-companheiro de Boozer, quer garantir um dinheiro extra. E os Hawks têm um monte para oferecer...

Não tem tu, vai tu mesmo - A escassez de grandes pivôs na NBA alçou uma penca de jogadores de bom nível à condição de quase estrelas. Foi essa realidade que levou o milionário Mark Cuban, depois de ouvir um sonoro não do comando dos Lakers sobre uma troca por Shaquille O’Neal, a acertar um sign-and-trade milionário com os Warriors por Erick Dampier. O camisa 25, como se sabe, se destacou mais pela pitoresca declaração de que era o melhor pivô da liga depois de Shaq do que por eventuais atuações dominantes pelo Dallas. Menos falastrão, é verdade, Samuel Dalembert pode ser a vítima – ou beneficiário – do mesmo erro este ano. Cuban deve insistir com Dampier, mas outros loucos cheios de dinheiro, como Isiah Thomas, estão à solta.

Barato que resolve - O que esperar de um armador de 1,78m, sete discretas temporadas na carreira e uma vaga na pior equipe da NBA? Que tal a segunda melhor média de assistências da liga (9.0), a melhor relação entre assistências e erros (4.02) e a quinta colocação em bolas roubadas (1.98), tudo isso jogando apenas 29.5 minutos por partida? Essa foi a contribuição do baixinho Brevin Knight para os Bobcats na temporada passada, por um salário de míseros US$ 932 mil, o piso da liga para sua quilometragem. E adivinhem quem poderá repetir a história do armador este ano? Ele mesmo. É uma pechincha que não deverá decepcionar quem estiver atento à oportunidade.

:::::::

O mercado de jogadores pode crescer de forma um pouco inesperada graças à nova regra de “anistia” criada pela NBA. Hoje, a liga estabelece um teto para gastos com salários de jogadores, e todos os times que passam do limite têm de pagar uma multa no mesmo valor do excedente. Por exemplo, uma equipe que ultrapassa o teto em US$ 5 milhões é obrigada a pagar outros US$ 5 milhões como multa. A regra de anistia cria a possibilidade de um time liberar um único jogador do elenco e se livrar da multa que seu salário representaria pelo restante do seu contrato. O jogador, por sua vez, continua recebendo o salário e pode assinar com qualquer equipe. Alguns dos principais candidatos a serem ejetados até o início da temporada são Michael Finley (Dallas), Allan Houston (New York), Brian Grant (Lakers) e Theo Ratliff (Portland).

 



Voltar ao índice de textos de Rodrigo Chia

 

C O L U N I S T A S



Splitter, Oden, Ray Allen e o trio
da Flórida: o melhor do draft-07




Mesmo chegando até o fim, o
Nacional ainda é uma decepção



Bate-papo com o brasileiro
Jonathan Tavernari, de BYU



Para Ricky Rubio, chegou a hora de
mostrar serviço entre os adultos



Após 47 colunas, um "até logo"
para os leitores do Rebote


P E R S O N A G E M




NENÊ
Denver Nuggets

Clique aqui e saiba mais


 





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Edição e webdesign: Rodrigo Alves