28/06/2005 - 05:38

Legião estrangeira

Quando as 60 escolhas do draft tiverem sido feitas, esta noite, a legião de estrangeiros na NBA poderá incluir quase 20 novos nomes. Pelo menos, é essa a expectativa de muitos dos palpiteiros de plantão, que não vêem razão para acreditar na reversão da tendência dos últimos anos. Um dos dois favoritos à primeira escolha, aliás, é forasteiro. Apesar de haver estudado na Universidade de Utah, o pivô Andrew Bogut nasceu na Austrália, filho de croatas – uma mistura bem ao gosto da NBA do século 21.

Mas por que os estrangeiros parecem cada vez mais atraentes às equipes da liga?

Para responder, nem é preciso falar das sovas que os “dream teams” têm tomado de argentinos, lituanos, porto-riquenhos... Afinal, sempre é possível argumentar que o problema não é exatamente talento, mas sim conflito de egos, falta de entrosamento ou estilo de jogo diferente.

É mais fácil voltar no tempo alguns dias, até a partida decisiva da temporada, e constatar a importância dos atletas estrangeiros presentes ao SBC Center. No quinteto titular dos Spurs, nada menos que três jogadores, se contarmos o “ilhasvirginiano” Tim Duncan, não eram americanos. Bem, Duncan foi o MVP da série, o argentino Manu Ginobili garantiu vitórias-chave quase sozinho e o francês Tony Parker, mesmo decepcionando uns e outros, cumpriu razoavelmente seu papel.

Curiosamente, se outro trio formado por um quase-americano, um argentino e um europeu tivesse evoluído mais rápido, talvez o troféu da temporada 2004-05 estivesse neste momento em Detroit, e não em San Antonio. Carlos Arroyo, Darko Milicic e Carlos Delfino (que nem integrou o elenco dos Pistons para os playoffs), por razões diversas, não responderam às expectativas, mas, para muita gente boa – incluindo dirigentes – fazem parte do futuro da equipe.

Somando à turma a dupla de eslovenos Beno Udrih e Rasho Nesterovic, também dos Spurs, são nada menos do que sete jogadores nascidos fora dos Estados Unidos, além de Delfino, nos elencos dos dois melhores times da NBA. Parece ser mais do que suficiente para provar que – moldados no basquete universitário americano, preparados no cada vez mais forte basquete europeu ou mesmo vindos diretamente dos cantos mais obscuros do planeta – os estrangeiros têm espaço garantido na liga.

Por isso, é bom o torcedor ir treinando a pronúncia, para poder gritar os nomes dos novos ídolos. Saem os Michaels, Johns e Jasons; entram os Yaroslavs, Ersans e Filibertos. Sem nos esquecer, é claro, dos Leandros, Rafaéis, Andersons, Maybyners (!) e, quem sabe, no futuro próximo, Tiagos e Marquinhos.

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O reconhecimento conquistado pelos atletas estrangeiros não quer dizer que todos os jogadores que vêm de outros países sejam de alto nível. A lista de barangas importadas que se encostam na NBA também é grande. Ou alguém apostaria em uma equipe formada por Ndudi Ebi, Bruno Sundov, Peter John Ramos, Maciej Lampe e Wang Zhi-Zhi?

 



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