|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
21/06/2005 - 05:20 Esqueceram de mim
No dia 30 deste mês, vence o atual contrato entre a NBA e seus jogadores, e a reunião de hoje é vista por muitos observadores como a última chance para um entendimento. Se isso não acontecer, é greve na certa, a partir de 1º de julho. A conseqüência de uma paralisação pode ser um atraso no início dos jogos, como aconteceu em 1998-99, ou o cancelamento do campeonato, como ocorreu com a NHL este ano.
E como fica a torcida no meio dessa história?
Não fica.
A conversa entre patrões e empregados envolve questões que dizem pouco respeito ao esporte em si. As reivindicações abrangem, sim, temas como limite de idade para entrada na liga e testes antidoping, mas o ponto central é mesmo o bom e velho dinheiro. Grana. Mufunfa. Tutu. Ou, já que a liga é americana, verdinhas.
Inicialmente, os donos queriam reduzir a duração máxima dos contratos, atualmente de seis anos para jogadores que mudam de time e de sete para os que renovam com a mesma equipe, para quatro e cinco anos, respectivamente. Também pediam, embora com menor determinação, redução dos aumentos anuais nos salários. Por quê?
Hoje, um jogador estabelecido ou promissor, ao negociar um novo contrato, pode garantir um compromisso de até sete anos, com aumentos anuais de até 12,5%. É esse mecanismo, aliado a erros grosseiros de avaliação por parte dos dirigentes, que resulta em aberrações como o mediano Keith Van Horn, do Dallas, ganhando US$ 14,48 milhões na atual temporada. Ou o mais-que-veterano Antonio Davis, do Chicago, recebendo US$ 12,92 milhões. Ou o obscuro Alan Henderson, também do Dallas, faturando US$ 8,27 milhões.
Só para comparação, Bruce Bowen, considerado um dos melhores defensores da liga, renovou no ano passado por um salário inicial de US$ 3 milhões. A situação de Tayshaun Prince, que ainda tem um ano no contrato de calouro, é ainda mais lastimável. O salário da revelação do Detroit nesta temporada é de US$ 1,03 milhão. Alguém aí quer trocar um Van Horn por 14 Princes?
Em resumo, os jogadores querem manter a mamata, enquanto os donos tentam garantir proteção contra seus próprios erros. Quem menos importa, como sempre nesses casos, é o torcedor. Afinal, ele só paga o salário e garante os lucros dessa turma toda.
:::::::
))) Apesar de tudo, o cenário melhorou depois da última reunião entre liga, donos e jogadores, na sexta passada. O vice de Stern, Russ Granik, saiu do encontro dizendo que houve “progressos significativos”. Billy Hunter comentou que os lados “deram passos positivos”. E, antes do jogo cinco das finais, mesmo sem falar das perspectivas para a reunião de hoje, o próprio Stern confirmou os avanços nas negociações.
|
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||