Adeus e até logo



 
 

Escrever sobre basquete é um meio de estar mais perto dos gênios do esporte sem realmente participar do espetáculo.
Linhas tortas transformam-se em arremessos perfeitos, passes milimétricos, dribles desconcertantes, enterradas acrobáticas. Em muitos casos, é o sonho realizado de sujeitos desengonçados que, nas quadras, não conseguiram muito mais que provocar risadas.

Passei os últimos dois anos realizando esse pequeno sonho. Às vezes, semanalmente; outras vezes, quinzenalmente; e, quase sempre, devezemquandomente. Nesse ritmo irregular, escrevi 47 colunas, que me levaram à prazerosa companhia dos melhores jogadores de basquete do mundo.

Há muito tempo, porém, devia uma satisfação pela falta de atualização, exagerada até para o mais relapso dos colunistas. Estava tudo planejado: eu pediria desculpas e diria que, por vezes, mesmo os melhores sonhos exigem uma pausa para respirar. Então, daria um até logo e deixaria, mais uma vez, a imaginação viajar, já prevendo um retorno dessa aposentadoria precoce, a exemplo de Magic, Jordan...

Acontece que hoje meu pai resolveu me pregar uma peça. De repente, eu só conseguia pensar naquele último beijo, há uma semana e a muitos quilômetros daqui. Diante da enxurrada de lembranças, lágrimas e lamentos, a bolona laranja, que em geral me escapa às mãos, não passava de um grãozinho de areia.

Mas logo lembrei dos momentos que nem sempre nos permitimos, dos abraços que nem sempre pudemos trocar e dos sentimentos que nem sempre conseguimos expressar e percebi que as palavras não servem apenas para tornar quase reais os sonhos de infância do boleiro desastrado. Servem também para trazer para perto, bem pertinho, um herói deitado a 1.150 km e fazê-lo andar, sorrir e oferecer um abraço que vale mais do que qualquer troféu – imaginário ou real.

A todos vocês, até logo.

Ao meu querido pai, um adeus já cheio de saudades.

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e-mails para: rodrigochia@rebote.org






 
17.março.2007

 
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C O L U N I S T A S



Splitter, Oden, Ray Allen e o trio
da Flórida: o melhor do draft-07




Mesmo chegando até o fim, o
Nacional ainda é uma decepção



Bate-papo com o brasileiro
Jonathan Tavernari, de BYU



Para Ricky Rubio, chegou a hora de
mostrar serviço entre os adultos



Após 47 colunas, um "até logo"
para os leitores do Rebote


P E R S O N A G E M




NENÊ
Denver Nuggets

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