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22/12/2006 - 22:45 Brilho eterno de uma mente com lembrança
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“Infelizmente não tenho tido sucesso no basquete, onde sou obrigado (por conta do meu amor ao jogo) a fazer verdadeiras intervenções cirúrgicas, às vezes radicais. Gostaria muito de evitar, mas não posso apenas olhar o panorama e concordar que ficar atrás de países em guerra é sinal de progresso esportivo”;
“Uma coisa é certa: quando se trata de treinamento apropriado, o pessoal procura mesmo a nossa turma. No caso do Guilherme, adivinha quem foi seu preparador físico? Alexandre Moreira, professor-doutor, que viu seu trabalho ir por água abaixo quando começaram os treinamentos para o Mundial. Estou ficando muito preocupado porque recebo reclamações de todos os lados, principalmente dos jogadores, quanto ao tipo de treinamento utilizado pelas nossas seleções. Não responsabilizo os treinadores, pois estes fazem o que sempre fizeram e aprenderam por aqui”;
“Na verdade, são abnegados aos seus ideais e estão no máximo de suas capacidades. Infelizmente o basquete praticado fora daqui é um outro jogo e deste só podemos comentá-lo no VT, sem saber o que corrigir para evitar novos tropeços. Os jogadores do exterior sabem disso e estão cansados de serem os bodes expiatórios dos nossos insucessos. ´Fizemos tudo como planejado. Simplesmente não aconteceu. Faltou-nos sorte nos momentos decisivos`. Aliadas à famosa ´Estamos no caminho certo`, que ouvimos desde quando o Lula era assistente-técnico, são frases que colocam os nossos melhores atletas, destreinados pelo treinamento que lhes é imposto goela abaixo na preparação da seleção, na mira dos críticos de plantão mais ferozes”;
“Ora, se tudo foi feito como planejado, se faltou sorte, se estamos no caminho certo e nada acontece, de quem seria a culpa senão dos jogadores? Cadê a garra? O amor à seleção? Nada mais equivocado. Como a gente vai para a guerra desarmando os soldados? Eles chegam aqui treinadíssimos e vão perdendo toda aquela condição treinando pela seleção. Não é questão de quantidade ou dedicação aos treinamentos, mas sim de (olha ele aí de novo) treinamento apropriado que nossos técnicos nunca viram, ou se viram nesses estágios que fizeram por aí não enxergaram a diferença. O Obradovic veio ao Paulistano e todo mundo deu risada... Ele também. Acredito que não seja uma questão de culpa, mas de responsabilidade. Esta está com quem escolheu estes treinadores para guiarem o basquete brasileiro. Quem não se lembra do ´De Atenas a Atenas`? E a renovação que nunca aconteceu no passado porque o basquete brasileiro ficou durante muito tempo preso a velhas glórias, bons arremessadores e outros adjetivos que só nos desmereceram?”;
“Pelo que eu saiba, a última classificação para as Olimpíadas ainda foi conseguida com Oscar, Maury, Israel, Pipoka, Rolando... E aí? Culpa nossa? Isso aconteceu há mais de 10 anos. Por que Oscar, Paula, Hortência e eu não temos espaço nesse basquete e somos tratados como material obsoleto, enquanto em outros países, que nos vencem com regularidade, os nossos equivalentes preponderam e são tratados como facilitadores do sucesso para os mais jovens? Por que tivemos que fazer a NLB para mostrarmos que somos mais capazes, em qualquer aspecto, do que a CBB? Será que o basquete brasileiro conseguiria estar mais em baixa do que está hoje se estivéssemos colaborando com a CBB? Por que pessoas (com todo o respeito ao trabalho delas) de menor importância esportiva conseguem postos chaves no comando técnico do basquete brasileiro? Será que nunca iremos merecer uma chance de mostrarmos o que sabemos, em todos os aspectos, do jogo? Será que tomar iniciativa, ser pró-ativo, falar o que pensa, agir de acordo com o que sente, que foram os aspectos de nosso caráter responsáveis pelo nosso sucesso como atletas agora são incômodos para os que comandam e escolhem seus comandados? Queremos vitórias ou cordeirinhos que obedeçam aos nossos caprichos e às nossas vaidades? É ruim vencer? Qual é o preço da vitória? Será que este pessoal sabe? Dói-me muito escrever isto, mas nosso basquete não é esse. Os jogadores sabem disso e eu também”;
“Varejão é o melhor 3 do Brasil. Huertas é o melhor sexto homem, pois muda o ritmo de jogo toda vez que entra em quadra. Marcelinho poderia ser o melhor armador que o Brasil jamais teve. O técnico em questão, seja ele qual for, não está no mesmo nível técnico destes jogadores citados e treina a seleção há quase 20 anos (vários treinadores). Suas atitudes são típicas de treinadores da base (com todo respeito a estes) e que não se encaixam no nível de competição que devemos disputar”;
“Sinto-me como um elemento do politiburo que caiu em desgraça e tem sua foto apagada de momentos históricos. Já foi dito que Oscar e eu éramos apenas bons arremessadores... Respeitosamente digo que os atuais treinadores da CT da nossa seleção não têm o mesmo nível dos jogadores que dirigem e estes já estão ficando um pouco incomodados com a situação de terem de retornar ao Brasil para treinarem como juvenis numa competição regional. É hora de crescer e ver quem é o melhor nome para dirigir o basquete brasileiro. Hoje estamos atrás do Líbano, que está em guerra. Ignorar isso é realmente apagar seus ídolos da foto de campeão”.
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